Idade Média: religião,sociedade e economia medieval

A Idade Média foi um período da história europeia entre os séculos V e XV.


Castelo Medieval: símbolo do poder da nobreza
Castelo Medieval: símbolo do poder da nobreza


Introdução: o que foi esse período histórico

 

A Idade Média teve início na Europa com as invasões germânicas (bárbaras), no século V, sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estendeu-se até o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano. A Idade Média se caracterizou, principalmente, pela economia ruralizada, enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica, sistema de produção feudal (feudalismo) e sociedade hierarquizada.

 

Principais aspectos do período medieval:

 

 

1. Governo, estrutura política e jurídica


Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e suserania. O suserano, geralmente um senhor feudal, era quem dava um lote de terra ao vassalo, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem, muitas vezes, se estendiam por várias regiões, sendo que o rei era o suserano mais poderoso.

 

O poder jurídico, econômico e político se concentravam nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras (feudos). Algumas decisões jurídicas eram, em alguns casos, decididas com a participação do clero (principalmente papas e bispos).

 

2. Sociedade Medieval


A sociedade era quase estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada (dividida em camadas sociais bem definidas). A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros, condes, duques, viscondes, etc.) era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica) tinha um grande poder, pois era responsável pela "proteção espiritual" da sociedade. Ele era isento de impostos e arrecadava o dízimo. A terceira camada da sociedade era formada pelos servos (camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção) e banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).

 

3. Economia Medieval


A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura. Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia feudal. O feudo (unidade de produção medieval) era a base econômica deste período, pois quem tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado, puxado por bois, era muito utilizado na agricultura.

 

As relações comerciais entre feudos ou reinos eram pouco comuns, pois as atividades econômicas ocorriam dentro dos feudos.

 

A guerra e os saques foram também utilizados por reis e senhores feudais como forma de obtenção de riquezas e terras. Por isso, principalmente, a Idade Média foi marcada pela ocorrência de muitas guerras.

 

Servos trabalhando num feudo medieval

Servos (camponeses) trabalhando no feudo durante a Idade Média.



4. Religião na Idade Média


Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário religioso, mas a paisagem religiosa era mais complexa do que uma única fé monolítica. A Igreja detinha um poder espiritual significativo, influenciando o pensamento, a psicologia e o comportamento. Seu poder econômico também era substancial, possuindo vastas terras e empregando servos. Monges em mosteiros forneciam a "proteção espiritual" para a sociedade, dedicando tempo à oração e à transcrição de textos religiosos.


No entanto, o ambiente religioso incluía uma variedade de crenças e práticas. Costumes pagãos persistiam ao lado do cristianismo, incluindo adivinhação, amuletos e feitiços, que a Igreja procurava suprimir. Seitas heréticas apresentavam alternativas ao cristianismo ortodoxo, e estudiosos e comerciantes judeus contribuíam para a diversidade religiosa da Europa medieval. Após a Primeira Cruzada, as interações entre cristãos e muçulmanos também influenciaram o contexto religioso.


O cristianismo, o judaísmo e o islamismo eram as principais religiões após a queda do Império Romano, com o cristianismo sendo a religião principal nas casas reais, na nobreza e na população em geral da Europa. O islamismo, estabelecido em 622 d.C., era dominante no Oriente Médio e em partes da Europa, particularmente na Espanha e em Portugal. O judaísmo, embora sempre minoritário, tinha comunidades por toda a Europa. Crenças pagãs também persistiam, com deuses associados a elementos naturais.


O domínio da Igreja cresceu após a queda do Império Romano, tornando-se a única religião reconhecida na Europa medieval. Ela desempenhou um papel significativo tanto na vida dos camponeses quanto da nobreza, e as instituições religiosas tornaram-se ricas e influentes. A influência da Igreja se estendia a questões políticas e era uma fonte de educação, particularmente na Inglaterra, onde mosteiros irlandeses serviam como centros de aprendizado.


Catedrais, grandes realizações arquitetônicas da Idade Média, avançaram a arte e a arquitetura, e eram adornadas com belos trabalhos em madeira, pinturas, murais, tapeçarias e esculturas. Elas abrigavam acessórios religiosos valiosos feitos de metais preciosos.



5. Educação, cultura e arte medieval 


A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Esta foi marcada pela influência da Igreja, que ensinava o latim, valores morais e doutrinas religiosas. Havia também algumas escolas, que ensinavam táticas de guerras e outros conhecimentos militares. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.

 

A arte medieval também era fortemente marcada pela religiosidade cristã da época. As pinturas retratavam, quase sempre, passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião cristã e passagens bíblicas.

 

Podemos dizer que, no geral, a cultura medieval foi muito influenciada pela religião católica romana. Na arquitetura, se destacou a construção de castelos, igrejas, pontes, mosteiros, palácios e catedrais.

 

No campo da Filosofia, podemos destacar a Escolástica (linha filosófica de base cristã), representada pelo padre dominicano, teólogo e filósofo italiano São Tomás de Aquino.

 

A música também foi importante na Idade Média. Havia a música sacra (canto gregoriano e músicas religiosas cantadas em igrejas) e a profana (tocada e cantada em festas dentro dos castelos ou em suas imediações). Os instrumentos musicais típicos desse período, usadas nas músicas profanas, foram: rabeca (parecido com um violino), realejo (instrumento movido a manivela), saltério (instrumento de cordas parecido com uma harpa), alaúde (instrumento de cordas, de origem árabe, parecido com um violão) e a charamela (instrumento de sopro parecido com um clarinete).

 

Pintura medieval mostrando um acadêmico

Acadêmico medieval fazendo uma medição (pintura do século XIV).



6. As Cruzadas Medievais


No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe, os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém. Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi reaberto para os contatos comerciais.



7. As Guerras Medievais


A guerra na Idade Média era uma das principais formas de obtenção poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e o poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval.

As principais guerras medieval foram:

 

1. A Conquista Normanda (1066-1072): Envolveu o Reino da Inglaterra e o Ducado da Normandia.

2. A Guerra dos Cem Anos (1337-1453): travada principalmente entre o Reino da Inglaterra e o Reino da França junto com seus vários aliados.

3. Guerra da Reconquista (718-1492): Uma série de campanhas de estados cristãos na Península Ibérica contra os reinos muçulmanos dos mouros, culminando na unificação da Espanha sob o domínio cristão.

4. As Guerras das Rosas (1455-1487): Uma guerra civil pelo trono da Inglaterra travada entre partidários de dois ramos rivais da Casa real de Plantageneta: a Casa de York e a Casa de Lancaster.

 

Cena de uma guerra na Idade Média

Cena de uma guerra na Idade Média



8. Peste Negra ou Peste Bubônica


Em meados do século XIV, uma doença devastou a população europeia. Historiadores calculam que, aproximadamente, um terço dos habitantes morreu desta doença. A Peste Negra era transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Estes ratos chegavam à Europa nos porões dos navios vindos do Oriente. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas adequadas, os ratos se espalharam facilmente. Após o contato com a doença, a pessoa tinha poucos dias de vida. Febre, mal-estar e bulbos (bolhas) de sangue e pus espalhavam-se pelo corpo do enfermo, principalmente nas axilas e virilhas. Como os conhecimentos médicos eram pouco desenvolvidos, a morte era certa. Para complicar ainda mais a situação, muitos atribuíam a doença a fatores comportamentais, ambientais ou espirituais (religiosos).



9. Revoltas Camponesas: as Jacqueries


Após a Peste Negra, a população europeia diminuiu muito. Muitos senhores feudais resolveram aumentar os impostos, taxas e obrigações de trabalho dos servos sobreviventes. Muitos tiveram que trabalhar dobrado para compensar o trabalho daqueles que tinham morrido na epidemia. Em muitas regiões da Inglaterra e da França, estouraram revoltas camponesas contra o aumento da exploração dos senhores feudais. Combatidas com violência por partes dos nobres, muitas foram sufocadas e outras conseguiram conquistar seus objetivos, diminuindo a exploração e trazendo conquistas para os camponeses. Acredita-se que o termo "Jacquerie" venha da palavra "Jacques", que era um termo depreciativo usado pela nobreza para o campesinato. Com o tempo, tornou-se um termo genérico para revoltas camponesas.

Embora a Jacquerie tenha falhado em seus objetivos imediatos, muitas vezes é vista como uma expressão inicial de ressentimento contra as injustiças feudais e pressagiaria revoltas camponesas posteriores e mais difundidas, como a Revolta dos Camponeses Ingleses de 1381.

 

Camponeses atancando um cavaleiro numa Jackerie

Jacquerie: camponeses atancando um cavaleiro numa revolta camponesa (século XIV).



VOCABULÁRIO DO TEXTO:

 

- Hierarquizada: organização com sucessivos graus de poder e graus de subordinação relacionados a posição social.


- Suserano: geralmente um senhor feudal que concedia terras a outros senhores feudais ou cavaleiros em troca de proteção.


- Vassalo: aquele que recebia terras de um suserano e, em troca, oferecia fidelidade e proteção.


- Clero: integrantes de uma igreja. Havia o alto clero (papa, bispos, cardeais, arcebispos) e o baixo clero (padres, freis, monges).


- Dízimo: valor em dinheiro (atualmente) ou produtos (na Idade Média) que os fiéis pagavam à igreja. Corresponde a 10% da renda.


- Dominicano: relativo à ordem religiosa dominicana (mendicante), fundada no século XIII, por São Domingos (1170-1221).


 

Perguntas e respostas sobre a Idade Média - revisando o texto:

 

1 - Quando e onde ocorreu a Idade Média?

 

R: Entre os séculos V e XV na Europa.

 

2 - Qual era o poder dos senhores feudais?

 

R: Ele possuía muito poder econômico (era o proprietário das terras), político e jurídico (elaborava e aplicava as leis).

 

3 - Como estava dividida a sociedade medieval?

 

R: Em três camadas sociais: clero (os integrantes da Igreja), nobreza (reis e senhores feudais) e servos (os camponeses).

 

4 - Quais eram as principais características da economia medieval?

 

R: Predominou o feudalismo, que era um sistema baseado na agricultura, com produção para subsistência e trocas de mercadorias. O senhor feudal obtinha sua renda com os impostos e taxas pagos pelos servos.

 

5 - Quais foram as principais características da cultura medieval?

 

R: Houve controle e influência da Igreja Católica. Portanto, grande parte dos textos e obras de arte retratavam aspectos do cristianismo.

 

6 - Quais são as duas fases da Idade Média?

 

R: Alta Idade Média (século V ao X) e Baixa Idade Média (século X ao XV).

 

7 - Quais os principais eventos históricos que ocorreram na Baixa Idade Média?

 

R: As Cruzadas, A Peste Negra, A Guerra dos Cem Anos (entre os reinos da França e Inglaterra) e o Renascimento Comercial e Urbano (a partir do século XIV).

 

 

GALERIA DE IMAGENS

 

 

Monge Copista

Monge Copista (século XV)

 

 

Desenho medieval de trabalhadores construíndo uma torre

Trabalhadores construindo uma torre

 

 

Pintura medieval do imperador Carlos Magno sendo coroado

Coroação do imperador Carlos Magno pelo papa Leão III (ano 800)

 

 

Camponeses trabalhando no campo na Idade Média

Camponeses trabalhando no campo (início do século XV)

 



Produção de pão na Idade Média

Produção de pão na Idade Média

 



Pintura mostrando uma guerra medieval com guerreiros atirando flexas

Batalha durante a Quinta Cruzada (século XIII)

 

 

batalha medieval

Batalha de Azincourt (1415) entre ingleses e franceses na Guerra dos Cem Anos

 

 

Pintura mostrando uma revolta de camponeses na Idade Média

Revolta Camponesa de 1381 na Inglaterra



trabalhos dos servos na Idade Média

Servos trabalhando na colheita de trigo (começo do século XIV)

 

 



Autor: Professor Jefferson Evandro Machado Ramos.
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia Indicada

 

Fontes de referência:

 

- SANTOS, Maria Januária Vilela. História Antiga e Medieval. São Paulo: Ática, 1998.

 

- CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.


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