O que foi
O “Verde-Amarelo” foi um movimento literário nacionalista, de meados da década de 1920, dentro do Modernismo brasileiro. Um dos seus principais representantes foi o jornalista, político e escritor Plínio Salgado. Ele foi um dos fundadores do movimento, em conjunto com Menotti Del Picchia e Cassiano Ricardo, também escritores.
O movimento “verde-amarelismo”, como também ficou conhecido, foi fundado em 1926. O marco inicial foi a conferência dada por Plínio Salgado, ocorrida nesse ano, cujo título era "A Anta e o Curupira". Em 1927, o movimento passou a ser chamado de Grupo Anta.
Contexto histórico
O Movimento Verde-Amarelo ocorreu no contexto do Modernismo brasileiro da década de 1920, após a Semana de Arte Moderna de 1922, quando intelectuais e artistas buscavam definir uma identidade cultural própria para o Brasil. Nesse período, o país vivia a crise da República Oligárquica, marcada pelo domínio das elites agrárias, pelo crescimento das cidades, pela industrialização inicial e por debates sobre nacionalismo, modernização e cultura popular.
Principais características:
- Posição radical em favor dos ideais nacionalistas, ou seja, uma cultura puramente brasileira sem influências estrangeiras.
- Presença do nativismo (valorização dos indígenas brasileiros e desprezo aos estrangeiros).
- Valorização do passado brasileiro que, de acordo com os seguidores desse movimento, era portador das tradições puramente nacionais.
- O movimento era contrário ao sistema ideológico do Brasil daquela época. Os integrantes do movimento “verde-amarelo” tinham como um dos objetivos não fazer parte desse sistema ideológico.
- Presença de forte patriotismo e ufanismo (orgulho excessivo do país em que nasceu).
- Defesa do uso de linguagem coloquial (informal) no lugar do uso das regras gramaticais.
- Super valorização das qualidades culturais, humanas, históricas e geográficas do Brasil.
Importância histórica e cultural
A importância do Movimento Verde-Amarelo para a literatura e a cultura brasileiras está em sua participação no debate modernista sobre a construção de uma identidade nacional. Embora tivesse um nacionalismo mais conservador e ufanista, o movimento ajudou a reforçar a ideia de que a literatura brasileira deveria tratar do Brasil, de sua paisagem, de seus símbolos, de sua história e de seus personagens sociais. Seus integrantes valorizaram temas como o indígena, o interior do país, a natureza tropical e os elementos considerados “autênticos” da nacionalidade.
Na cultura brasileira, o Verde-Amarelismo também foi importante por mostrar que o Modernismo não foi um movimento único e homogêneo, mas um campo de disputas entre diferentes projetos de país: alguns mais críticos e experimentais, outros mais patrióticos e tradicionais. Assim, mesmo recebendo críticas por seu tom idealizador e por sua aproximação posterior com ideias políticas autoritárias, o movimento contribuiu para ampliar a discussão sobre nacionalismo, cultura popular e identidade brasileira no século XX.
Você sabia?
Plínio Salgado (1895-1975), um dos principais representantes do movimento “verde-amarelo” foi líder da AIB (Ação Integralista Brasileira), que tinha forte tendência ultranacionalista, tradicionalista, conservadora e com grande afinidade com o fascismo italiano. A AIB atuou politicamente no Brasil entre 1932 e 1937.
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Menotti Del Picchia: escritor foi um dos principais representantes do movimento "Verde-Amarelo" na literatura modernista brasileira. |
Por Elaine Barbosa de Souza
Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).
Atualizado em 02/07/2026
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015.
ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura Brasileira: Tempos, Leitores e Leituras. São Paulo: Moderna, 2005.
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