Peronismo


 

O que foi

 

O Peronismo foi um movimento político, econômico e social, que surgiu na Argentina em meados da década de 1940. Foi criado e teve como seu principal representante o presidente argentino Juan Domingo Perón (daí a origem do nome do movimento).

 

O Peronismo teve como base de sustentação política e ideológica o Partido Justicialista, também conhecido como Partido Peronista.

 

O movimento peronista comandou politicamente a Argentina em grande parte da segunda metade do século XX. Até hoje, muitas características do peronismo ainda estão influenciando a política argentina, embora de forma menos significativa, pois estão arraigadas na cultura do país.



As principais características do peronismo são:

 

• Ações políticas com fortes características populistas. O populismo é considerado uma das principais características do Peronismo.

 

• Fortalecimento da imagem do líder (presidente) como estratégia de aproximá-lo ao povo. O presidente era visto como sendo uma espécie de "pai do povo".

 

• Adoção de medidas econômicas populares, principalmente no sentido do assistencialismo social aos mais pobres.

 

• Aproximação e cooptação dos sindicatos de trabalhadores.

 

• Defesa de valores nacionalistas.

 

• Aproximação das classes populares.

 

• Defesa da nacionalização de serviços públicos.

 

• Adoção de medidas trabalhistas e reformas sociais.

 

• Identificação, embora não muito significativa, com ideais socialistas. Na Argentina, o peronismo é visto como um movimento de esquerda.

 

• Defesa da democracia, desde que ela esteja a favor das necessidades populares.

 

• Defesa de ações econômicas contrárias ao liberalismo.

 

María Estela Martínez de Perón

María Estela Martínez de Perón (Isabelita Perón): presidente da Argentina entre 1974 e 1976 e exemplo de política peronista.




Governos peronistas da Argentina:



Primeiro governo de Juan Domingo Perón (1946–1952)

Eleito presidente em 1946, Perón adotou uma política baseada na intervenção do Estado na economia, fortalecimento dos sindicatos e ampliação dos direitos sociais e trabalhistas. Seu governo promoveu aumentos salariais, férias remuneradas, aposentadorias e outras medidas destinadas aos trabalhadores. Eva Perón, sua esposa, teve papel político e social relevante, sobretudo na aproximação do governo com os setores populares.



Segundo governo de Juan Domingo Perón (1952–1955)

Perón foi reeleito em 1951 e iniciou seu segundo mandato em 1952. O período foi marcado por maiores dificuldades econômicas, inflação, conflitos políticos e crescente oposição de setores empresariais, militares e da Igreja Católica. A polarização política aumentou e, em setembro de 1955, Perón foi derrubado por um golpe militar conhecido como Revolução Libertadora, iniciando um longo período de proscrição política do peronismo.



Governo de Héctor José Cámpora (1973)

Após anos de governos civis e militares e com Perón ainda impedido inicialmente de concorrer, Héctor Cámpora, representante do movimento peronista, venceu as eleições de março de 1973. Seu governo durou menos de dois meses. Cámpora renunciou para permitir a realização de novas eleições nas quais Perón pudesse concorrer diretamente.



Terceiro governo de Juan Domingo Perón (1973–1974)


Perón retornou à presidência em outubro de 1973, após quase 18 anos afastado do poder. O movimento peronista encontrava-se profundamente dividido entre setores de esquerda e de direita. Perón procurou controlar essas disputas e enfrentar problemas econômicos e sociais, mas morreu em 1º de julho de 1974, antes de concluir o mandato.



Governo de Isabel Perón (1974–1976)

María Estela Martínez de Perón, conhecida como Isabel Perón, era vice-presidente e assumiu o governo após a morte do marido. Sua administração enfrentou grave crise econômica, inflação elevada, conflitos trabalhistas, violência política e ações de organizações guerrilheiras e grupos paramilitares. Em 24 de março de 1976, foi derrubada por um golpe militar que iniciou a última ditadura argentina, encerrada em 1983.



Governo de Carlos Menem (1989–1999)

Carlos Menem chegou ao poder pelo Partido Justicialista, principal organização política vinculada ao peronismo. Entretanto, promoveu uma orientação econômica bastante diferente do peronismo clássico. Seu governo realizou privatizações, abertura econômica, redução da intervenção estatal e estabeleceu a paridade entre o peso argentino e o dólar. A inflação foi inicialmente controlada, mas ocorreram aumento do desemprego, endividamento e problemas estruturais que se manifestariam posteriormente.



Governo de Néstor Kirchner (2003–2007)

Néstor Kirchner representou uma nova corrente do peronismo, posteriormente denominada kirchnerismo. Seu governo ampliou a participação do Estado na economia, adotou políticas sociais e incentivou a recuperação do mercado interno após a grave crise econômica argentina de 2001–2002. Também ganhou destaque pela retomada dos processos relacionados às violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar de 1976–1983.



Governos de Cristina Fernández de Kirchner (2007–2015)

Cristina Kirchner governou durante dois mandatos consecutivos. Manteve grande parte das políticas econômicas e sociais iniciadas por Néstor Kirchner, ampliando programas sociais, nacionalizando empresas e fortalecendo a intervenção estatal. O período também foi marcado por inflação, disputas com setores empresariais e rurais, conflitos políticos e crescente polarização da sociedade argentina.



Governo de Alberto Fernández (2019–2023)

Alberto Fernández chegou à presidência por uma coalizão de orientação peronista, tendo Cristina Kirchner como vice-presidente. Seu governo enfrentou dificuldades econômicas anteriores, forte endividamento, inflação crescente e os efeitos da pandemia de Covid-19. Ao final do mandato, a Argentina apresentava inflação muito elevada, perda do poder de compra da população e forte desgaste político da coalizão governista.

 

Importante:

Em perspectiva histórica, portanto, não é correto tratar o peronismo como uma ideologia econômica ou política completamente uniforme. Desde 1946, governos identificados com essa tradição adotaram políticas bastante distintas: enquanto Juan Domingo Perón priorizou o nacionalismo econômico, a legislação trabalhista e a intervenção estatal, Carlos Menem realizou reformas de caráter liberal, e os governos kirchneristas retomaram uma atuação mais intensa do Estado. O elemento mais duradouro do peronismo foi sua forte relação com os sindicatos, os trabalhadores urbanos e diferentes setores populares, embora essa relação também tenha mudado de acordo com cada período histórico.

 

 

Foto de Juan Domingo Perón recebendo os atributos de presidente

Juan Domingo Perón (esquerda) na cerimônia de posse (primeiro mandato) em 1946.




Você sabia?

 

Perón também foi escritor. Escreveu vários livros, principalmente de História, Política e Estratégias Militares.

 

Perón chegou ao posto de Tenente-General do exército argentino.



O Peronismo possui várias semelhanças com o Getulismo (forma de governar de Getúlio Vargas no Brasil). Entre as principais, podemos citar o populismo e o nacionalismo.

 

 


 

RESUMO


Peronismo (Argentina, a partir de 1946)


Origem histórica

• Surgiu na Argentina durante o período posterior à chamada Revolução de 1943, movimento militar que derrubou o governo conservador existente no país.
• Consolidou-se politicamente com a eleição de Juan Domingo Perón para a presidência em 1946, inaugurando um novo projeto político baseado na valorização dos trabalhadores e na intervenção do Estado na economia.


Liderança de Juan Domingo Perón

• Juan Domingo Perón governou a Argentina entre 1946 e 1955 e novamente entre 1973 e 1974.
• Seu governo buscou fortalecer o papel do Estado, ampliar direitos sociais e consolidar uma base política ligada principalmente aos trabalhadores urbanos e aos sindicatos.


Papel de Eva Perón

• Eva Perón (1919–1952), esposa de Juan Domingo Perón, desempenhou papel central na mobilização popular e no fortalecimento do movimento peronista.
• Atuou na defesa dos direitos sociais, na assistência aos setores mais pobres e na luta pelo direito de voto das mulheres, conquistado na Argentina em 1947.

Base social do peronismo

• O movimento teve forte apoio das classes trabalhadoras urbanas e dos sindicatos.
• Os trabalhadores, chamados de “descamisados”, tornaram-se símbolo da base popular que sustentava politicamente o governo peronista.


Política econômica

• O peronismo adotou políticas de forte intervenção estatal na economia.
• O governo promoveu nacionalizações de setores estratégicos, investimentos na indústria e medidas de proteção ao mercado interno.


Política social

• Houve ampliação dos direitos trabalhistas, com aumento de salários, criação de benefícios sociais e fortalecimento da legislação trabalhista.
• O Estado passou a atuar de forma mais ativa na promoção do bem-estar social e na redução das desigualdades.


Nacionalismo econômico

• O peronismo defendia maior autonomia econômica da Argentina diante das potências estrangeiras.
• Essa política buscava fortalecer a indústria nacional e reduzir a dependência externa.


Terceira posição

• O movimento defendia uma posição política própria, chamada de “terceira posição”.
• Essa ideia procurava se apresentar como alternativa tanto ao capitalismo liberal quanto ao socialismo soviético no contexto da Guerra Fria (1947–1991).


Queda de Perón em 1955

• Em 1955, um golpe militar derrubou Juan Domingo Perón do poder, iniciando um período de instabilidade política no país.
• Após o golpe, o peronismo foi proibido e seus líderes perseguidos durante vários anos.


Retorno do peronismo

• Juan Domingo Perón retornou do exílio em 1973 e foi novamente eleito presidente da Argentina.
• Seu terceiro governo foi curto, pois ele faleceu em 1974, sendo sucedido por sua esposa Isabel Perón.


Influência política duradoura

• Mesmo após a morte de Perón, o peronismo continuou sendo uma das principais forças políticas da Argentina.
• O movimento influenciou diversos governos e permanece como uma corrente política relevante no país até a atualidade.

 



Autor: Professor Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 11/08/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

https://www.britannica.com/topic/Peronist

 


DANTAS, José. História Geral. São Paulo: Moderna, 1995.



Vídeo indicado no YouTube:

 

O que é peronismo e por que continua decisivo na Argentina - BBC News Brasil


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