O que foi
A Revolução Russa foi o processo de disputas pelo poder e de mobilização popular que derrubou a monarquia dos czares e levou os bolcheviques ao governo em 1917. Na Revolução de Fevereiro, trabalhadores e soldados contribuíram para a queda de Nicolau II. Na Revolução de Outubro, os bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, depuseram o Governo Provisório e iniciaram a construção de um Estado que pretendia implantar o socialismo.
Camponeses exigiam terras; operários organizavam greves por salários e participação nas decisões das fábricas. Soldados queriam sair da Primeira Guerra Mundial, enquanto povos submetidos ao Império Russo reivindicavam autonomia ou independência. Esses grupos participaram do processo com objetivos próprios e, após a derrubada da monarquia, continuaram disputando o rumo da revolução.
O Império Russo e o poder dos czares
No início do século XX, os Romanov governavam um império que se estendia do leste europeu ao oceano Pacífico. O czar concentrava o poder e contava com a burocracia imperial e com as forças armadas para sustentar sua autoridade. A Igreja Ortodoxa mantinha vínculos com a monarquia. A polícia política perseguia opositores, e as autoridades censuravam publicações.
A maioria dos habitantes vivia no campo. Alexandre II havia abolido a servidão em 1861, mas muitos camponeses continuaram com pouca terra e assumiram pagamentos pela aquisição de lotes. Famílias nobres conservaram grandes propriedades. As reformas agrárias do começo do novo século permitiram que parte dos agricultores deixasse as comunidades rurais e formasse propriedades individuais, sem eliminar os conflitos pela posse da terra.
O governo e investidores estrangeiros financiaram ferrovias e indústrias. Em São Petersburgo e Moscou, empresários concentraram trabalhadores em grandes fábricas, nas quais os operários enfrentavam jornadas extensas e riscos de acidentes. Embora fossem minoria na população, esses trabalhadores podiam paralisar estabelecimentos e organizar manifestações nas cidades onde as autoridades tomavam decisões.
As causas da revolução
Os revolucionários encontraram apoio entre pessoas que acumulavam experiências de repressão e privação. No campo, camponeses reivindicavam a divisão das propriedades dos nobres. Nas cidades, operários cobravam melhores condições de trabalho e o direito de se organizar. Liberais defendiam um governo limitado por uma Constituição e por um Parlamento.
O governo também enfrentava movimentos de povos submetidos à autoridade imperial. Em territórios como a Polônia e a Finlândia, opositores combatiam medidas de russificação, pelas quais as autoridades ampliavam o uso da língua russa e restringiam instituições locais. As reivindicações nacionais atravessaram a revolução e continuaram nos conflitos posteriores.
Durante a guerra, o governo perdeu apoio entre soldados e moradores das cidades. Ao exigir novos sacrifícios sem garantir o abastecimento, os dirigentes ampliaram a distância entre suas decisões e as necessidades da população. Parte dos próprios generais e políticos ligados à monarquia passou a considerar a saída do czar uma condição para preservar o Estado.
A Revolução de 1905 e os limites das reformas
Em 1905, a Rússia enfrentou uma onda de protestos enquanto seus militares sofriam derrotas na guerra contra o Japão. Em janeiro, tropas dispararam contra manifestantes que marchavam em São Petersburgo para apresentar uma petição ao czar. Os participantes pediam melhorias nas condições de vida e mudanças políticas. O episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento.
Operários organizaram greves, e camponeses atacaram propriedades rurais. Também ocorreram motins nas forças armadas, como o dos marinheiros do encouraçado Potemkin. Trabalhadores criaram conselhos de delegados, chamados sovietes, para coordenar a mobilização.
Nicolau II publicou o Manifesto de Outubro, no qual prometeu liberdades civis e uma assembleia legislativa, a Duma. O monarca preservou amplos poderes, dissolveu assembleias e alterou as regras eleitorais para favorecer grupos proprietários. As autoridades reprimiram os revolucionários, e os conflitos agrários continuaram.
Os partidos e os projetos políticos
Entre os opositores do czar, os liberais do Partido Constitucional Democrata, conhecidos como cadetes, defendiam garantias constitucionais e a propriedade privada. Os socialistas revolucionários tinham apoio no campo e propunham transferir a terra aos trabalhadores rurais. Anarquistas combatiam o Estado e defendiam formas de organização autônoma.
Os marxistas do Partido Operário Social-Democrata Russo se dividiram em bolcheviques e mencheviques em 1903. Lenin defendia uma organização disciplinada de militantes, capaz de conduzir a luta revolucionária. Os mencheviques favoreciam uma organização partidária mais ampla e, em geral, consideravam necessária uma etapa de desenvolvimento capitalista com instituições democráticas antes da passagem ao socialismo.
Os nomes bolchevique e menchevique derivam das palavras russas para maioria e minoria, ligadas a votações daquele congresso partidário. As duas correntes mudaram de posição ao longo dos conflitos. Os bolcheviques também divergiam entre si, e Lenin precisou disputar apoio dentro do próprio partido para suas propostas de tomada do poder.
A Primeira Guerra Mundial e a crise do governo
A Rússia entrou na Primeira Guerra Mundial em 1914, ao lado da França e do Reino Unido. O governo mobilizou milhões de homens, retirando trabalhadores do campo. Nos combates contra os Impérios Centrais, os soldados sofreram derrotas e enfrentaram falhas no fornecimento de equipamentos.
Nas cidades, os moradores pagavam mais pelos alimentos e aguardavam em filas para comprar pão. As autoridades destinavam parte dos transportes ao esforço militar, enquanto comerciantes e produtores enfrentavam dificuldades para abastecer os centros urbanos. Famílias de soldados dependiam de rendimentos que perdiam valor com a inflação.
O czar assumiu o comando supremo do Exército no ano seguinte e passou a responder de forma mais exposta pelos fracassos militares. Na capital, adversários da corte criticavam a influência do religioso Grigori Rasputin sobre a família imperial. Quando operários ampliaram as greves, o governo já enfrentava deserções e desconfiança entre seus aliados.
Os calendários e os nomes das revoluções
Os russos utilizavam o calendário juliano, que apresentava uma diferença de treze dias em relação ao gregoriano durante os acontecimentos revolucionários. Por isso, as jornadas chamadas de Fevereiro ocorreram em março pelo calendário hoje usado no Brasil. A insurreição chamada de Outubro ocorreu em novembro. Os historiadores conservaram os nomes baseados na contagem russa da época.
São Petersburgo recebeu o nome de Petrogrado durante a guerra, pois as autoridades consideravam o nome anterior associado à língua alemã. Foi nessa cidade, então capital do país, que os revolucionários derrubaram os dois governos.
A Revolução de Fevereiro e a queda da monarquia
Em 23 de fevereiro pelo calendário juliano, equivalente a 8 de março pelo gregoriano, trabalhadoras de Petrogrado participaram de manifestações no Dia Internacional da Mulher. Operárias do setor têxtil protestaram contra a falta de pão e convocaram outros trabalhadores a aderir às greves.
Nos dias seguintes, os manifestantes ocuparam as ruas e passaram a exigir o fim da autocracia. As autoridades ordenaram a repressão, mas parte dos soldados se amotinou e se juntou aos protestos. Sem poder contar com a obediência de unidades da guarnição da capital, o governo perdeu condições de conter a revolta.
Nicolau II abdicou em 2 de março no calendário russo, correspondente a 15 de março no gregoriano. Seu irmão, Miguel, condicionou a aceitação da coroa à decisão de uma assembleia constituinte. Os Romanov deixaram de governar, e políticos da Duma organizaram um Governo Provisório, chefiado pelo príncipe Georgy Lvov.
O Governo Provisório e os sovietes
O Governo Provisório reconheceu liberdades políticas e concedeu anistia a presos políticos. Seus dirigentes prometeram convocar uma Assembleia Constituinte, que definiria a organização do país. Mantiveram, porém, a participação na guerra e adiaram a solução da questão agrária.
Ao mesmo tempo, trabalhadores e soldados elegeram delegados para o Soviete de Petrogrado. Os conselhos se multiplicaram pelo território, e camponeses também organizaram os seus. Seus integrantes discutiam as condições de trabalho e as ordens militares. Nos primeiros meses, mencheviques e socialistas revolucionários tinham maior influência nesses organismos.
Os historiadores chamam de dualidade de poderes a convivência entre o Governo Provisório e os sovietes. Os ministros ocupavam os órgãos de Estado, mas dependiam da colaboração de conselhos que tinham influência sobre os trabalhadores e sobre as tropas. Os dirigentes soviéticos moderados apoiaram o governo sob condições e depois participaram dele.
Camponeses começaram a ocupar terras por conta própria, enquanto operários formaram comitês de fábrica. Soldados discutiam ordens e desertavam. Os ministros tinham dificuldade para impor decisões a grupos que haviam participado da derrubada do czar e esperavam mudanças em suas condições de vida.
Lenin e o crescimento dos bolcheviques
Lenin voltou do exílio em abril e apresentou as propostas conhecidas como Teses de Abril. Defendeu o fim do apoio ao Governo Provisório e a transferência do poder aos sovietes. Também propôs a saída da guerra e a nacionalização das terras.
Com a palavra de ordem “Paz, terra e pão”, os bolcheviques associaram suas propostas às reivindicações de soldados e camponeses. Nas cidades, militantes defendiam o controle operário sobre a produção. O partido ampliou sua influência em locais de trabalho e em unidades militares, embora continuasse a enfrentar adversários dentro do movimento socialista.
Nas Jornadas de Julho, manifestantes armados pressionaram pela transferência do poder aos sovietes. O governo reprimiu o movimento e perseguiu os bolcheviques; Lenin se refugiou na Finlândia. Alexander Kerensky assumiu a chefia do Governo Provisório, após ter ocupado cargos ministeriais.
Em agosto, durante a crise envolvendo o general Lavr Kornilov, Kerensky recorreu à mobilização de trabalhadores para enfrentar o avanço militar contra a capital. Bolcheviques participaram da resistência e recuperaram apoio. Nas semanas seguintes, conquistaram a maioria nos sovietes de Petrogrado e Moscou.
A Revolução de Outubro e a tomada do poder
Lenin pressionou o partido a preparar uma insurreição. Leon Trotsky, presidente do Soviete de Petrogrado, atuou na organização do Comitê Militar Revolucionário, que coordenou soldados e guardas vermelhos. Os revolucionários ocuparam pontos de comunicação e posições militares da capital.
Entre 24 e 25 de outubro no calendário juliano, correspondentes a 6 e 7 de novembro no gregoriano, os bolcheviques derrubaram o Governo Provisório. Os ministros que permaneceram no Palácio de Inverno foram presos, enquanto Kerensky deixou a cidade. Os confrontos na capital foram menores do que os combates posteriores em Moscou.
O Segundo Congresso dos Sovietes aprovou a formação de um novo governo, o Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenin. Mencheviques e parte dos socialistas revolucionários abandonaram o congresso em protesto contra a insurreição. Os socialistas revolucionários de esquerda passaram a colaborar com os bolcheviques e, depois, ingressaram no governo por alguns meses.
Os primeiros decretos e a saída da guerra
Os novos governantes aprovaram o Decreto sobre a Paz, que propunha negociações para encerrar o conflito, e o Decreto sobre a Terra, que aboliu a propriedade privada dos grandes domínios rurais. Com este último, reconheceram ocupações que os camponeses já realizavam. Comitês locais passaram a distribuir terras para uso das famílias rurais.
O governo também reconheceu o controle operário nas empresas e nacionalizou os bancos. Ao longo dos meses seguintes, ampliou as nacionalizações industriais. A administração estatal passou a restringir a autonomia dos comitês de fábrica, e os trabalhadores perderam espaço nas decisões sobre a produção.
Em março de 1918, os bolcheviques assinaram o Tratado de Brest-Litovsk com os Impérios Centrais. Para retirar o país da guerra, aceitaram condições que afastavam do controle russo extensos territórios do antigo império. Os socialistas revolucionários de esquerda romperam a participação no governo por discordarem do acordo.
A Assembleia Constituinte e a repressão política
Nas eleições para a Assembleia Constituinte, realizadas em novembro de 1917, os socialistas revolucionários obtiveram mais votos que os bolcheviques. Seus candidatos tinham apoio entre camponeses. As listas eleitorais, elaboradas antes da divisão do partido, reuniam correntes que já divergiam sobre o governo soviético.
A Assembleia reuniu-se em janeiro de 1918. Após uma sessão, os bolcheviques a dissolveram, afirmando que os sovietes expressavam uma forma superior de poder popular. Com a medida, impediram que os deputados eleitos organizassem um governo parlamentar.
Lenin e seus aliados criaram a Cheka, polícia política encarregada de combater os adversários do regime. Durante a guerra civil, agentes prenderam e executaram opositores no chamado Terror Vermelho. As autoridades fecharam jornais e restringiram a atuação de outros partidos, incluindo organizações socialistas que também haviam combatido o czarismo.
A Guerra Civil Russa
Os conflitos armados começaram após a insurreição bolchevique e se ampliaram no ano seguinte. O Exército Vermelho, organizado sob a direção de Trotsky, combateu os exércitos brancos. Entre os adversários dos bolcheviques estavam oficiais monarquistas e republicanos conservadores, que divergiam sobre o futuro governo, mas compartilhavam a oposição ao novo regime.
Britânicos e franceses enviaram forças para áreas do antigo império; japoneses e norte-americanos também intervieram. Os governos estrangeiros agiram conforme seus interesses militares e sua oposição aos bolcheviques. No campo, grupos armados conhecidos como verdes combateram requisições e recrutamentos, enfrentando forças de ambos os lados.
Os comandantes brancos tiveram dificuldade para coordenar suas ofensivas e para oferecer uma solução agrária aceita pelos camponeses. Os vermelhos controlavam a região central, com centros industriais e entroncamentos ferroviários, e podiam deslocar tropas entre frentes. Os combatentes brancos também praticaram execuções; forças antibolcheviques cometeram pogroms, ataques dirigidos contra comunidades judaicas.
Os bolcheviques derrotaram os maiores exércitos brancos até 1920, embora os combates continuassem em áreas periféricas até 1922. Durante a guerra, autoridades bolcheviques executaram o antigo czar e sua família em Ecaterimburgo. Civis morreram em combates ou de fome, e epidemias atingiram populações já submetidas à falta de alimentos.
O comunismo de guerra e as revoltas populares
Para abastecer as tropas e as cidades, os governantes adotaram medidas conhecidas como comunismo de guerra. Nacionalizaram empresas e impuseram requisições de cereais. Funcionários recolhiam alimentos nas aldeias, enquanto as autoridades restringiam o comércio privado.
Camponeses resistiram às requisições, e parte deles reduziu a produção destinada à troca. Operários deixaram cidades em busca de alimento no campo. O governo enfrentou rebeliões rurais, como a de Tambov, e greves em centros industriais. A escassez se agravou com a destruição provocada pelos combates e com a desorganização dos transportes.
Em 1921, marinheiros da base de Kronstadt se rebelaram e reivindicaram eleições livres para os sovietes e liberdades políticas. O governo enviou tropas e esmagou o movimento. No mesmo ano, os dirigentes do Partido Comunista proibiram a formação de facções internas, restringindo também a organização de correntes entre seus próprios membros.
A Nova Política Econômica
Lenin adotou a Nova Política Econômica, conhecida pela sigla NEP, para recuperar a produção após a guerra civil. O governo substituiu as requisições por um imposto e permitiu que camponeses vendessem o excedente. Comerciantes puderam reabrir negócios, e pequenos produtores retomaram atividades privadas.
O Estado conservou o controle dos bancos e da grande indústria, além do comércio exterior. Com a retomada das trocas, agricultores ampliaram a oferta de alimentos e empresários reabriram oficinas. Os dirigentes discutiam quanto tempo manteriam essas concessões e como financiariam a expansão industrial.
Os governantes mantiveram as restrições à oposição política. A recuperação econômica ocorreu sob um regime no qual o Partido Comunista controlava os órgãos de Estado e limitava a autonomia dos sovietes.
A criação da União Soviética e a ascensão de Stalin
Em 30 de dezembro de 1922, os dirigentes soviéticos fundaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS. A nova federação reuniu a Rússia e a Ucrânia, além da Bielorrússia e da Federação Transcaucasiana. Seus organizadores reconheceram repúblicas nacionais na estrutura do Estado, enquanto a direção do Partido Comunista concentrava as decisões políticas.
Lenin morreu em 1924, após um período de doença. Josef Stalin, que ocupava a secretaria-geral do partido, ampliou sua influência por meio de nomeações e alianças. Derrotou adversários nas disputas internas, entre eles Trotsky, expulso do partido e depois enviado ao exílio.
No final da década, Stalin abandonou a NEP e impôs a coletivização da agricultura e planos de industrialização acelerada. Durante seu governo, as autoridades ampliaram os campos de trabalho forçado e realizaram expurgos. As campanhas de repressão atingiram antigos bolcheviques e cidadãos acusados de hostilidade ao regime.
Mudanças na sociedade e repercussões internacionais
Os revolucionários aboliram os privilégios jurídicos da nobreza e retiraram dos antigos proprietários o controle sobre terras e empresas nacionalizadas. Educadores organizaram campanhas de alfabetização e ampliaram o acesso à escola. O governo vinculou o ensino às propostas políticas do partido, ao mesmo tempo que restringiu instituições religiosas.
As mulheres haviam conquistado o direito de voto durante o Governo Provisório. Após Outubro, os novos dirigentes ampliaram direitos relativos ao casamento e ao divórcio. Militantes como Alexandra Kollontai defenderam serviços coletivos que reduzissem o trabalho doméstico. Muitas mulheres continuaram responsáveis pelos cuidados familiares, mesmo quando ingressaram no trabalho assalariado.
Fora do antigo império, militantes socialistas discutiram a experiência bolchevique e fundaram partidos comunistas. Em 1919, os dirigentes soviéticos criaram a Internacional Comunista para coordenar organizações revolucionárias. No Brasil, militantes fundaram o Partido Comunista em 1922, influenciados pela experiência russa e pelas lutas operárias locais.
Governos e empresários passaram a combater organizações que associavam à revolução. Ao longo do século XX, comunistas e seus adversários disputaram a interpretação dos acontecimentos russos. Após a Segunda Guerra Mundial, os dirigentes da URSS e dos Estados Unidos comandaram blocos rivais durante a Guerra Fria. O Estado soviético existiu até dezembro de 1991.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP).
Publicado em 29/10/2026