Introdução
Durante a Idade Média, os camponeses (servos) tinham várias obrigações. A maioria destas obrigações eram impostos e taxas que deviam ao senhor feudal, em função do uso das terras senhoriais. Porém, havia um imposto que o servo devia pagar para a igreja da cidade ou vila em que morava.
O que foi
O Tostão de Pedro, também conhecido como Óbolo de São Pedro ou Dinheiro de São Pedro, foi um imposto que os servos (camponeses) deviam pagar mensalmente para a igreja. Na maioria das cidades, esse imposto era de 10% da produção do servo. O servo pagava, na maioria das vezes, com produtos (batatas, trigo, pães, ovos, etc.) que produzia nas terras em que trabalhava.
Esse imposto era utilizado pela igreja ou capela local para fazer a manutenção de suas instalações.
Essa obrigação de caráter religioso é muito parecida com o dízimo que muitas igrejas cristãs (católicas e evangélicas) recolhem de seus fiéis, na atualidade.
E que não pagava?
Como a Igreja Católica exercia um grande poder cultural e espiritual na Europa Medieval, os padres, capelães, bispos e até o papa (que era considerado o representante de Deus na Terra) faziam uma espécie de “pressão psicológica” para que os servos não deixassem de pagar o Tostão de Pedro. O argumento de que os devedores desse imposto poderiam ir para o inferno, após a morte, era muito utilizado. Ou então os clérigos diziam que Deus ficava furioso com quem não pagava o imposto. Como a maioria das pessoas era muito fiel e ninguém queria ir para o inferno ou deixar Deus furioso, o pagamento era certo.
Havia também consequências mais práticas para quem, mesmo assim, não pagasse esse imposto. A mais comum era a não permissão do servo em participar de missas e receber os sacramentos. Ou seja, ele ficaria excluído da igreja e da comunidade religiosa.
Você sabia?
- A cobrança do Tostão de Pedro teve início com os saxões na Inglaterra e se espalhou pelo continente europeu.
- Até os dias atuais existe o "Tostão de Pedro", porém é em forma de oferta livre para os católicos. O Vaticano destina o valor arrecadado, integralmente, para ações filantrópicas.
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| Servos (camponeses) trabalhando na Idade Média: pagamento do "Tostão de Pedro" para à Igreja, além de muitos outros impostos para os senhores feudais. |
Como a igreja católica cobrava o Tostão de Pedro na Idade Média?
Na Idade Média, essa cobrança não ocorria da mesma forma em todos os lugares. Em alguns reinos, ela era tratada como uma contribuição religiosa regular; em outros, assumia a forma de um tributo obrigatório autorizado pelo poder político local. A cobrança costumava ser feita por meio das paróquias, dioceses ou agentes ligados à Igreja, que recolhiam pequenas quantias dos fiéis ou das famílias cristãs.
Em muitos casos, o valor era baixo e simbólico, mas sua importância estava no fato de representar a ligação dos cristãos com o papa. Na Inglaterra medieval, por exemplo, o Dinheiro de São Pedro tornou-se uma contribuição anual enviada a Roma. O pagamento podia ser feito em moeda ou, em regiões de economia menos monetária, por meio de equivalentes em produtos ou rendimentos.
A cobrança geralmente seguia esta lógica: os fiéis entregavam a contribuição à autoridade eclesiástica local, como o pároco ou outro representante da Igreja; depois, os valores eram reunidos em nível regional; por fim, parte ou a totalidade da quantia era enviada à Santa Sé. Em alguns lugares, reis e autoridades civis também ajudavam a organizar ou garantir a arrecadação.
O Tostão de Pedro não deve ser confundido com o dízimo. O dízimo era uma contribuição mais ampla, geralmente destinada ao sustento do clero local, das igrejas e das atividades religiosas da comunidade. O Tostão de Pedro, por sua vez, tinha uma finalidade mais específica: contribuir para o papa e para a Igreja de Roma.
Portanto, a Igreja Católica cobrava o Tostão de Pedro por meio de uma rede local de arrecadação, ligada às paróquias e dioceses, muitas vezes com apoio dos governos cristãos. A cobrança expressava tanto a religiosidade medieval quanto a autoridade do papado sobre a cristandade ocidental.
Publicado em: 07/04/2020 e atualizado em 15/06/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes:
https://www.medievalists.net/2023/08/medieval-taxes/
ARRUDA. José Jobson de Andrade. História Antiga e Medieval. São Paulo: Editora Ática, 1988.
SILVA, Marcelo Cândido da. História Medieval. São Paulo: Contexto, 2019.