Introdução
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito armado de alcance global, ocorrido entre 1939 e 1945, no qual os Aliados combateram as potências do Eixo. Os governos envolvidos mobilizaram suas economias e empregaram milhões de militares em operações na Europa, na Ásia e em outras regiões. A população civil sofreu bombardeios e ocupações militares, além de perseguições que, no caso do regime nazista, incluíram o genocídio dos judeus europeus.
Na Europa, a guerra começou com a invasão alemã da Polônia. Na Ásia, os japoneses já haviam ocupado a Manchúria em 1931 e ampliado a guerra contra a China em 1937. Por isso, ao estudar o conflito, os historiadores relacionam a cronologia europeia às disputas imperiais que já atingiam as populações asiáticas.
1. As causas e os problemas do período entre guerras
Após a Primeira Guerra Mundial, os vencedores impuseram à Alemanha o Tratado de Versalhes, assinado em 1919. O governo alemão perdeu territórios e assumiu obrigações de reparação, enquanto os vencedores limitaram suas forças armadas. Adolf Hitler explorou o ressentimento contra esse acordo para conquistar apoio ao nazismo. As condições impostas pelos vencedores ajudam a explicar as tensões do período, mas os dirigentes nazistas tomaram decisões próprias ao preparar uma guerra de conquista.
A crise econômica iniciada em 1929 agravou o desemprego e reduziu a confiança de parte da população nas instituições parlamentares. Na Alemanha, os nazistas prometeram empregos e recuperação do poder nacional, ao mesmo tempo que perseguiam adversários políticos. Depois de assumir a chefia do governo em 1933, Hitler destruiu a democracia e subordinou o Estado ao partido.
O fascista Benito Mussolini, que governava a Itália desde 1922, também defendia a expansão territorial. No Japão, chefes militares e setores do governo pretendiam ampliar o domínio sobre a Ásia para obter matérias-primas e mercados. Esses projetos expansionistas colocaram seus dirigentes em confronto com outros países.
2. O expansionismo e a política de apaziguamento
Os governos que desejavam alterar as fronteiras recorreram à força durante a década de 1930. A Itália invadiu a Etiópia em 1935. Hitler restabeleceu o serviço militar obrigatório na Alemanha e enviou tropas à Renânia, região que deveria permanecer desmilitarizada. A Liga das Nações, criada depois do conflito anterior, não conseguiu conter essas agressões.
Em 1938, o governo nazista anexou a Áustria. Meses depois, britânicos e franceses aceitaram, no Acordo de Munique, que os alemães incorporassem os Sudetos, território da Tchecoslováquia. Os dirigentes dessas potências adotavam o apaziguamento: faziam concessões a Hitler na expectativa de evitar outra guerra europeia.
O cálculo fracassou. Em março de 1939, tropas alemãs ocuparam as terras tchecas, enquanto a Eslováquia se tornou um Estado subordinado a Berlim. O governo britânico passou a garantir apoio à Polônia contra uma agressão alemã.
3. Eixo e Aliados
As alianças mudaram ao longo dos combates. Alguns países entraram na guerra depois de sofrer ataques; outros trocaram de posição quando seus governos caíram. Os dois campos reuniam Estados com interesses próprios:
• Alemanha nazista e Itália fascista formaram o núcleo europeu do Eixo. O Japão integrou essa aliança, formalizada entre os três governos pelo Pacto Tripartite, em 1940.
• Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha após a invasão da Polônia. Mesmo depois da derrota francesa, Charles de Gaulle organizou a França Livre, que continuou a luta ao lado dos britânicos.
• A União Soviética passou a combater a Alemanha depois de sofrer a invasão nazista em 1941. Os Estados Unidos entraram no conflito no final daquele ano, após o ataque japonês a Pearl Harbor.
• A China, que já resistia à ocupação japonesa, integrou a coalizão aliada. Outros países, entre eles o Brasil, também participaram do esforço de guerra contra o Eixo.
4. O início da guerra na Europa
Em agosto de 1939, os governos de Hitler e Josef Stalin assinaram o Pacto Germano-Soviético de Não Agressão. Em um protocolo secreto, acertaram a divisão de áreas de influência no leste europeu. Os nazistas obtiveram condições para atacar a Polônia sem enfrentar de imediato uma guerra contra os soviéticos.
As tropas alemãs invadiram o território polonês em 1º de setembro. Dois dias depois, Reino Unido e França declararam guerra à Alemanha. O Exército Vermelho entrou pelo leste em 17 de setembro, e os dois invasores dividiram o país. Os ocupantes perseguiram a população e eliminaram instituições polonesas; as autoridades soviéticas também promoveram deportações e executaram prisioneiros, como no massacre de Katyn, em 1940.
5. As conquistas alemãs e a resistência britânica
Os comandantes alemães combinaram ataques aéreos com o avanço de unidades blindadas para romper as linhas inimigas e cercar tropas. Essa forma de conduzir operações ficou conhecida como blitzkrieg, ou guerra-relâmpago. Seu êxito dependia da coordenação por rádio e da concentração de forças em pontos escolhidos.
Na primavera de 1940, os alemães ocuparam a Dinamarca e a Noruega, antes de avançar pela Europa Ocidental. Ao atacar a França, atravessaram as Ardenas e desarticularam a defesa aliada. Os britânicos retiraram mais de 300 mil soldados aliados pelo porto de Dunquerque. O governo francês assinou um armistício em junho; os alemães ocuparam parte do país, enquanto o regime de Vichy, chefiado por Philippe Pétain, colaborou com os nazistas.
O primeiro-ministro britânico Winston Churchill manteve o combate. Na Batalha da Inglaterra, pilotos da Real Força Aérea impediram que os alemães conquistassem a superioridade aérea necessária aos planos de invasão. Durante o Blitz, a aviação nazista bombardeou Londres e outras cidades. Os britânicos conservaram sua capacidade de resistência, com apoio de recursos e combatentes do Império e da Comunidade Britânica.
6. A invasão da União Soviética
Em 22 de junho de 1941, Hitler rompeu o pacto com Stalin e lançou a Operação Barbarossa. Os nazistas pretendiam conquistar terras agrícolas e recursos minerais, além de destruir o Estado soviético. Em sua ideologia racista, reservavam aos habitantes dos territórios conquistados a expulsão, a exploração pelo trabalho ou a morte.
Os invasores cercaram grandes contingentes soviéticos e avançaram até as proximidades de Moscou. O Exército Vermelho conteve o ataque à capital e realizou uma contraofensiva no inverno. As dificuldades alemãs envolveram o alongamento das linhas de abastecimento e a resistência soviética; o frio agravou problemas que os invasores já enfrentavam.
O governo de Stalin transferiu fábricas para o leste e ampliou a produção militar. Nos territórios ocupados, os alemães executaram civis e deixaram prisioneiros soviéticos morrer de fome. Os habitantes de Leningrado enfrentaram um cerco prolongado, durante o qual a fome matou centenas de milhares de pessoas.
7. A guerra na Ásia e a entrada dos Estados Unidos
Na China, os japoneses ocuparam cidades e cometeram massacres contra a população, como em Nanquim, em 1937. Nacionalistas, liderados por Chiang Kai-shek, e comunistas, sob Mao Tsé-Tung, combateram o invasor, embora mantivessem disputas entre si. A resistência chinesa obrigou o Japão a conservar grandes forças no continente.
O governo japonês também procurou dominar o Sudeste Asiático, onde poderia obter petróleo e borracha. Os Estados Unidos adotaram restrições comerciais e, em 1941, bloquearam o fornecimento de petróleo ao Japão. Os dirigentes japoneses decidiram atacar posições norte-americanas e territórios coloniais europeus para sustentar sua expansão.
Em 7 de dezembro, aviões japoneses atacaram a base naval de Pearl Harbor, no Havaí. O Congresso dos Estados Unidos declarou guerra ao Japão no dia seguinte. Pouco depois, Alemanha e Itália declararam guerra aos norte-americanos. Sob a presidência de Franklin D. Roosevelt, os Estados Unidos mobilizaram sua indústria e ampliaram o fornecimento de equipamentos aos aliados.
8. As mudanças militares entre 1942 e 1943
Os Aliados passaram a conter o avanço do Eixo em frentes distantes. Suas forças preservaram rotas de abastecimento e acumularam recursos para realizar ofensivas. Algumas batalhas alteraram as condições dos combates:
• Em Midway, em junho de 1942, a Marinha dos Estados Unidos afundou quatro porta-aviões japoneses. Os japoneses perderam navios e tripulações que tiveram dificuldade para substituir.
• Na segunda Batalha de El Alamein, no Egito, entre outubro e novembro daquele ano, forças comandadas pelos britânicos derrotaram tropas alemãs e italianas. Os Aliados afastaram a ameaça imediata ao canal de Suez.
• Em Stalingrado, os soviéticos cercaram o 6º Exército alemão e receberam sua rendição em fevereiro de 1943. Hitler perdeu uma força de combate inteira na tentativa de dominar a cidade e ampliar o avanço pelo sul soviético.
• Na região de Kursk, em julho de 1943, os soviéticos contiveram outra ofensiva alemã e passaram ao contra-ataque. A partir desse período, o Exército Vermelho manteve a iniciativa na frente oriental.
9. O norte da África e a campanha da Itália
No norte da África, os combatentes disputavam o acesso ao Mediterrâneo e às rotas do Oriente Médio. Além dos britânicos, tropas de territórios do Império participaram das operações. O desembarque anglo-americano no Marrocos e na Argélia, em novembro de 1942, acrescentou uma frente à campanha. Em maio do ano seguinte, as forças do Eixo na Tunísia se renderam.
Os Aliados desembarcaram na Sicília em julho de 1943. A monarquia italiana afastou Mussolini, e o novo governo negociou um armistício, anunciado em setembro. Os alemães ocuparam grande parte da Itália e sustentaram um regime fascista no norte. As tropas aliadas avançaram pela península, enfrentando posições defensivas nas montanhas, onde mais tarde combateriam os brasileiros.
10. A Batalha do Atlântico e o abastecimento
No Atlântico, submarinos alemães atacavam navios mercantes para cortar o transporte de alimentos e material militar ao Reino Unido. Os Aliados organizaram comboios protegidos por embarcações de escolta e ampliaram a cobertura aérea. Com radares e informações obtidas pela leitura de mensagens inimigas, passaram a localizar submarinos com maior eficiência. A construção norte-americana de cargueiros também permitiu repor perdas e transportar suprimentos para as frentes de combate.
11. A população civil e a economia de guerra
Os governos organizaram uma guerra total, mobilizando a produção e submetendo a vida cotidiana às necessidades militares. Indústrias passaram a fabricar armamentos, e autoridades distribuíram alimentos por sistemas de racionamento. Por meio da propaganda e da censura, os governantes divulgaram suas versões dos acontecimentos e limitaram informações disponíveis à população.
Mulheres trabalharam em fábricas e serviços de saúde. Algumas também combateram, sobretudo nas forças soviéticas e nos movimentos de resistência. Nos Estados Unidos, trabalhadores negros reivindicaram o fim da discriminação na indústria de defesa, enquanto as forças armadas do país mantinham unidades segregadas. O governo norte-americano também confinou pessoas de ascendência japonesa, muitas delas cidadãs dos Estados Unidos, em campos de encarceramento.
Bombardeiros britânicos e norte-americanos atacaram cidades alemãs, causando mortes civis em grande escala. No Japão, ataques incendiários destruíram áreas urbanas, como ocorreu em Tóquio. Em territórios ocupados, requisições de alimentos e políticas de exploração agravaram a fome. Na região indiana de Bengala, sob domínio britânico, milhões morreram durante a fome de 1943, em meio a decisões de guerra e falhas de abastecimento.
12. O Holocausto e os crimes nazistas
O Holocausto foi o genocídio de cerca de seis milhões de judeus, cometido pelo regime nazista e seus colaboradores. Antes da guerra, os governantes alemães já retiravam direitos e perseguiam essa população. Com a ocupação de outros países, ampliaram as deportações e concentraram judeus em guetos, onde impuseram fome e trabalho forçado.
Depois da invasão do território soviético, unidades móveis de extermínio realizaram fuzilamentos em massa. Os nazistas também instalaram centros de extermínio na Polônia ocupada, como Treblinka e Sobibor. Em Auschwitz-Birkenau, assassinaram vítimas em câmaras de gás e exploraram prisioneiros pelo trabalho. Na Conferência de Wannsee, em janeiro de 1942, autoridades coordenaram a execução do genocídio, que já estava em curso.
Os nazistas perseguiram outros grupos. Assassinaram pessoas com deficiência e cometeram genocídio contra os povos roma e sinti. Também prenderam opositores políticos e perseguiram homens homossexuais. Nos territórios do leste europeu, mataram civis e milhões de prisioneiros de guerra soviéticos.
Os campos de concentração serviam ao aprisionamento e à exploração dos detidos, em condições que provocaram mortes em massa. Os centros de extermínio tinham como função o assassinato em escala industrial. Alguns complexos, como Auschwitz, reuniam essas funções. Sobreviventes e documentos produzidos pelos próprios perpetradores permitiram reconstituir os crimes após a derrota nazista.
13. Resistência e colaboração nos territórios ocupados
Os ocupantes encontraram resistência armada e redes clandestinas. Na França, resistentes sabotavam transportes e transmitiam informações aos Aliados. Na União Soviética e na Iugoslávia, guerrilheiros atacavam forças de ocupação. Judeus também organizaram revoltas, entre elas o Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943.
Civis esconderam perseguidos e falsificaram documentos para permitir fugas. Outros colaboraram com os ocupantes, denunciaram vizinhos ou participaram de deportações. Na Polônia, integrantes da resistência promoveram a Insurreição de Varsóvia em 1944, uma ação distinta do levante judaico do ano anterior. Os alemães reprimiram a insurreição e destruíram grande parte da capital.
14. O Brasil na Segunda Guerra Mundial
O governo de Getúlio Vargas manteve relações comerciais com a Alemanha e os Estados Unidos antes de se aproximar dos Aliados. Os norte-americanos negociaram o uso de bases no Nordeste, por onde aviões atravessavam o Atlântico em direção à África. Depois de ataques de submarinos do Eixo contra embarcações brasileiras e de manifestações populares, o Brasil reconheceu o estado de beligerância contra Alemanha e Itália em agosto de 1942.
A Força Expedicionária Brasileira, conhecida como FEB, enviou cerca de 25 mil integrantes à Itália a partir de 1944. Sob o comando do general João Baptista Mascarenhas de Moraes, os pracinhas combateram integrados ao 5º Exército dos Estados Unidos. A campanha incluiu a conquista de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, e os combates em Montese.
A Força Aérea Brasileira atuou com o 1º Grupo de Aviação de Caça, enquanto a Marinha protegeu comboios no Atlântico Sul. No território brasileiro, trabalhadores extraíram borracha na Amazônia para abastecer os Aliados; muitos enfrentaram doenças e condições precárias, no recrutamento que ficou associado aos chamados soldados da borracha.
Ao participar do combate contra as ditaduras do Eixo, o governo Vargas enfrentou críticas por manter o Estado Novo, regime autoritário implantado no Brasil. A oposição ampliou a pressão por eleições. Chefes militares depuseram Vargas em outubro de 1945, e os brasileiros elegeram um novo presidente em dezembro.
15. O Dia D e o avanço sobre a Alemanha
Em 6 de junho de 1944, forças aliadas comandadas pelo general norte-americano Dwight Eisenhower desembarcaram na Normandia, no norte da França. No Dia D, soldados britânicos e norte-americanos atacaram praias, ao lado de canadenses. Para sustentar a operação, os comandantes empregaram paraquedistas e transportaram suprimentos através do canal da Mancha.
Depois de romper a defesa alemã, os Aliados avançaram pelo território francês. Paris foi libertada em agosto. Na frente oriental, os soviéticos destruíram grandes formações alemãs durante a Operação Bagration e marcharam em direção à Europa Central. Hitler ainda lançou uma ofensiva nas Ardenas, no final do ano, mas suas tropas não conseguiram deter o avanço aliado.
16. A derrota nazista
Na primavera de 1945, tropas ocidentais atravessaram o Reno, enquanto o Exército Vermelho cercava Berlim. Em 30 de abril, Hitler se suicidou na capital alemã. Os comandantes alemães assinaram a rendição em maio, e os Aliados celebraram a vitória na Europa no dia 8. Na União Soviética, em razão do horário da entrada em vigor da rendição, a comemoração ocorreu no dia 9. Ao alcançar os campos nazistas, soldados aliados encontraram sobreviventes e provas dos assassinatos.
17. A derrota japonesa e as bombas atômicas
No Pacífico, os norte-americanos conquistaram ilhas que permitiam estabelecer bases aéreas e avançar em direção ao Japão. Os japoneses ofereceram resistência em combates como os de Iwo Jima e Okinawa. Com suas rotas marítimas atacadas e suas cidades bombardeadas, o país enfrentava escassez de alimentos e combustível.
O presidente Harry Truman, que assumira após a morte de Roosevelt, autorizou o emprego de bombas atômicas desenvolvidas pelo Projeto Manhattan. Os Estados Unidos lançaram a primeira sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e a segunda sobre Nagasaki no dia 9. As explosões e a radiação mataram dezenas de milhares de pessoas de imediato; outras morreram nos meses seguintes ou sofreram doenças por muitos anos.
Entre os dois ataques, a União Soviética declarou guerra ao Japão e iniciou uma ofensiva na Manchúria ocupada. Os bombardeios atômicos e a entrada soviética pesaram sobre a decisão do governo japonês, embora os historiadores discutam o peso de cada fator. O imperador Hirohito anunciou a aceitação da rendição em 15 de agosto. Autoridades japonesas assinaram o documento formal em 2 de setembro, encerrando o conflito mundial.
18. As perdas humanas e a reconstrução
As estimativas de mortos variam conforme as fontes disponíveis e os critérios usados para contar vítimas de fome e doenças. Pesquisadores situam o total em dezenas de milhões; cálculos mais amplos ultrapassam 70 milhões. Civis formaram uma parcela enorme das vítimas. Na União Soviética e na China, morreram milhões de habitantes, enquanto a Polônia perdeu uma proporção elevada de sua população.
Sobreviventes enfrentaram a destruição de moradias e a separação de familiares. Refugiados tentaram voltar para casa ou procurar outros países, e milhões de pessoas sofreram deslocamentos forçados após as mudanças de fronteira. Governos e organizações de assistência tiveram de alimentar populações e recuperar serviços urbanos.
Os Estados Unidos financiaram parte da reconstrução da Europa Ocidental pelo Plano Marshall, anunciado em 1947. Na Europa Oriental, governos sob influência soviética reconstruíram suas economias por meio de políticas de planejamento estatal. A reconstrução ocorreu durante a formação dos blocos rivais da Guerra Fria.
19. Os julgamentos e a nova ordem internacional
Os vencedores julgaram dirigentes nazistas no Tribunal de Nuremberg, instalado em 1945. Os promotores apresentaram documentos e testemunhos sobre os crimes do regime. No Japão, os Aliados também organizaram um tribunal para julgar dirigentes militares e políticos. Esses processos estabeleceram precedentes para responsabilizar indivíduos por crimes cometidos em nome de um Estado.
Os governos aliados criaram a Organização das Nações Unidas, cuja carta entrou em vigor em outubro daquele ano. No Conselho de Segurança, cinco países receberam assentos permanentes e poder de veto. A Assembleia Geral aprovou a Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948, após debates sobre a proteção das pessoas diante da violência estatal.
Estados Unidos e União Soviética emergiram como as duas potências de maior força militar. Os vencedores dividiram a Alemanha em zonas de ocupação; em 1949, foram criados dois Estados alemães. As disputas entre Washington e Moscou envolveram alianças militares e projetos políticos rivais.
Os impérios coloniais europeus perderam recursos e enfrentaram movimentos de independência. Na Ásia, os nacionalistas aproveitaram o enfraquecimento das metrópoles e a experiência de mobilização durante a guerra. A Índia conquistou a independência em 1947, acompanhada pela formação do Paquistão e por deslocamentos populacionais em meio à violência da partilha.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP).
Publicado em 29/10/2026
