Introdução
A Primeira Guerra Mundial foi um conflito travado entre 1914 e 1918, no qual as potências europeias mobilizaram seus exércitos e envolveram territórios coloniais. Os combatentes lutaram em frentes na Europa e no Oriente Médio. Também ocorreram campanhas na África e operações navais em oceanos distantes do continente europeu. Conhecida pelos contemporâneos como Grande Guerra, a disputa terminou com a derrota dos Impérios Centrais diante dos Aliados.
Governos recrutaram milhões de soldados e passaram a dirigir parte da produção das fábricas para abastecer as tropas. Civis enfrentaram a escassez de alimentos e a destruição de suas cidades. Ao final dos combates, os vencedores negociaram tratados que alteraram fronteiras, enquanto os sobreviventes procuravam trabalho e famílias buscavam informações sobre parentes desaparecidos.
A Europa antes da guerra
Nas décadas anteriores ao conflito, empresários ampliaram a produção industrial e governos europeus disputaram territórios coloniais. Britânicos e franceses controlavam extensos impérios na África e na Ásia. Os dirigentes da Alemanha, unificada em 1871, exigiam maior participação na política internacional e expandiam suas forças navais.
Na França, políticos nacionalistas defendiam a recuperação da Alsácia-Lorena, anexada pelos alemães após a Guerra Franco-Prussiana. O governo britânico acompanhava a construção de navios de guerra alemães, que poderiam ameaçar sua superioridade no mar. Durante as crises do Marrocos, franceses e alemães confrontaram suas pretensões coloniais por meio de pressões diplomáticas.
Os governantes investiam em armamentos e mantinham planos para mobilizar reservistas. Historiadores usam a expressão Paz Armada para descrever essa convivência entre acordos diplomáticos e preparativos militares. Europeus já haviam combatido em guerras coloniais, e os Estados balcânicos também travaram conflitos antes da crise que envolveu as grandes potências.
As causas da Primeira Guerra Mundial
Os governos tomaram a decisão de entrar em guerra após anos de rivalidades. Entre as causas que os historiadores discutem estão:
• As disputas imperialistas, nas quais dirigentes europeus competiam pelo controle de colônias e por áreas de influência. Os conflitos no Marrocos aproximaram britânicos e franceses diante das pressões alemãs.
• Os nacionalismos, defendidos tanto por governos quanto por movimentos que combatiam o domínio imperial. Nos Bálcãs, nacionalistas sérvios reivindicavam a união de populações eslavas do sul, algumas delas submetidas à Áustria-Hungria.
• A corrida armamentista, com a ampliação dos exércitos e das esquadras. Comandantes elaboraram planos de ataque que exigiam a concentração de tropas em prazos curtos e pressionavam os governantes durante as crises.
• Os compromissos diplomáticos entre potências, pelos quais governantes prometiam apoio aos seus parceiros. Durante a crise que antecedeu os combates, dirigentes aceitaram o risco de uma guerra europeia para preservar aliados ou impedir o fortalecimento de adversários.
As alianças e os países envolvidos
Antes dos combates, as potências haviam estabelecido dois agrupamentos diplomáticos. A Tríplice Aliança reunia Alemanha e Áustria-Hungria, acompanhadas pela Itália. A Tríplice Entente aproximava França e Rússia, com a participação do Reino Unido. Os acordos tinham obrigações distintas, e os governos conservaram a possibilidade de negociar sua posição.
Durante a guerra, os países se organizaram em dois campos:
• Os Impérios Centrais tinham como núcleo a Alemanha e a Áustria-Hungria. O Império Otomano aderiu ao conflito ao lado desses países; a Bulgária também ingressou nessa coalizão.
• Os Aliados reuniram a França e o Império Britânico, com a Rússia entre seus integrantes até a retirada russa. A Sérvia e a Bélgica combateram nesse campo, ao qual se juntaram outros países ao longo da guerra.
Os italianos permaneceram neutros no início e entraram no conflito contra a Áustria-Hungria em 1915, após negociarem promessas territoriais com os Aliados. O Japão combateu nesse mesmo campo e ocupou possessões alemãs na Ásia e no Pacífico. Os Estados Unidos participaram como potência associada aos Aliados, preservando autonomia diplomática em relação a eles.
O atentado de Sarajevo e a crise de julho
Em 28 de junho de 1914, Gavrilo Princip assassinou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, e sua esposa, Sofia, em Sarajevo. Princip era um nacionalista sérvio da Bósnia, ligado ao movimento Jovem Bósnia. Ele combatia o domínio dos Habsburgo sobre a região, que a Áustria-Hungria havia anexado em 1908.
As autoridades austro-húngaras responsabilizaram a Sérvia pelo apoio a redes nacionalistas e receberam dos alemães uma promessa de sustentação. Em julho, enviaram um ultimato ao governo sérvio, exigindo medidas contra organizações nacionalistas. Também cobraram a participação de agentes austro-húngaros em investigações dentro do território sérvio.
O governo da Sérvia aceitou grande parte das exigências, mas apresentou restrições às que atingiam sua soberania. Em 28 de julho, os austro-húngaros declararam guerra. A Rússia mobilizou forças em apoio aos sérvios; os alemães declararam guerra aos russos e depois aos franceses. Após a invasão alemã da Bélgica, país neutro, o Reino Unido entrou no conflito em 4 de agosto.
O assassinato forneceu o estopim da crise. Nas semanas seguintes, governantes e comandantes rejeitaram possibilidades de recuo, emitiram ultimatos e ordenaram mobilizações. Os historiadores debatem o peso das decisões de cada potência e o grau de responsabilidade dos dirigentes na ampliação dos combates.
A guerra de movimento
Na frente ocidental, os comandantes alemães pretendiam derrotar a França antes de concentrar forças contra a Rússia. Para executar sua ofensiva, atravessaram Luxemburgo e Bélgica, contornando parte das defesas francesas. Os belgas resistiram à invasão, enquanto tropas britânicas se juntavam aos franceses.
Em setembro, os Aliados detiveram o avanço alemão na Primeira Batalha do Marne. Os adversários tentaram contornar as posições uns dos outros em direção ao litoral. Ao final dessa sequência de operações, os soldados passaram a defender uma linha de posições fortificadas que se estendia do mar do Norte até a fronteira suíça.
Os historiadores chamam de guerra de movimento essa fase inicial de ofensivas e deslocamentos. Na frente oriental, russos e alemães continuaram a realizar operações em espaços mais amplos. Em Tannenberg, os alemães derrotaram um exército russo, enquanto os austro-húngaros sofreram reveses diante dos russos na Galícia.
A guerra de trincheiras e o cotidiano dos soldados
Na frente ocidental, os combatentes cavaram trincheiras e construíram abrigos para resistir aos ataques. Organizaram posições de apoio atrás das linhas avançadas e instalaram obstáculos de arame farpado. Entre os adversários ficava a chamada terra de ninguém, uma faixa exposta ao fogo inimigo.
Os soldados enfrentavam lama e frio. Ratos circulavam pelos abrigos, e piolhos infestavam os uniformes. Quando permaneciam com os pés molhados por períodos prolongados, os combatentes podiam desenvolver lesões conhecidas como pé de trincheira. Os comandos alternavam unidades entre posições avançadas e áreas de descanso, conforme as condições de cada setor.
Antes de uma ofensiva, artilheiros bombardeavam as defesas inimigas. A infantaria avançava em seguida, mas os defensores que sobreviviam nos abrigos podiam retomar suas posições e disparar contra os atacantes. Durante a guerra, os exércitos aperfeiçoaram a coordenação entre artilharia e infantaria e desenvolveram formas de infiltração nas linhas adversárias.
Parte dos combatentes sofria tremores ou perdia a capacidade de falar após experiências traumáticas. Médicos usaram a expressão inglesa “shell shock” para descrever quadros associados ao serviço de guerra. Alguns militares trataram esses homens como doentes; outros os acusaram de covardia e aplicaram punições.
As batalhas de desgaste
Em 1916, os alemães atacaram a região fortificada de Verdun, defendida pelos franceses. Os dois lados enviaram reforços durante meses e sofreram centenas de milhares de baixas. Nos registros militares, o termo baixa pode incluir mortos e feridos, além de desaparecidos ou prisioneiros, conforme o levantamento consultado.
Na Batalha do Somme, britânicos e franceses atacaram posições alemãs para romper a frente e aliviar a pressão sobre Verdun. Após meses de combates, os Aliados haviam avançado poucos quilômetros em parte do setor. Os comandantes passaram a depender da capacidade de seus países de repor tropas e munições para sustentar ofensivas prolongadas.
As derrotas também provocaram conflitos dentro dos exércitos. Soldados franceses se amotinaram após o fracasso de uma ofensiva no ano seguinte. Muitos recusavam novos ataques, mas aceitavam defender as posições. O comando reprimiu os motins e concedeu melhorias nas condições de serviço.
As armas e as mudanças no combate
Os exércitos combinaram armamentos já existentes com equipamentos desenvolvidos durante a guerra. Entre os meios empregados estavam:
• A artilharia pesada, usada para bombardear fortificações e atingir tropas a distância. As explosões destruíam abrigos e deixavam crateras nos campos de batalha.
• As metralhadoras, que permitiam disparar repetidas vezes contra tropas em avanço. Os defensores as combinavam com obstáculos de arame para dificultar a aproximação dos atacantes.
• Os gases tóxicos, empregados para ferir ou incapacitar combatentes. Os soldados passaram a carregar máscaras, mas continuavam expostos ao risco de contaminação quando não conseguiam colocá-las a tempo.
• Os aviões, usados para observar posições inimigas e orientar o fogo da artilharia. Os pilotos também passaram a disputar combates aéreos e a lançar bombas.
• Os tanques, introduzidos pelos britânicos no Somme, com blindagem e esteiras para atravessar obstáculos. Os primeiros modelos sofriam panes e tinham emprego limitado, mas os exércitos ampliaram sua utilização nas ofensivas finais.
Os comandantes precisavam adaptar seus planos à capacidade desses equipamentos. Operadores de rádio e telefonistas transmitiam ordens, embora bombardeios cortassem cabos e dificultassem a comunicação. A infantaria muitas vezes avançava sem que seus oficiais soubessem o que ocorria em setores vizinhos.
As outras frentes e a dimensão mundial
No leste europeu, russos combateram alemães e austro-húngaros em campanhas com grandes deslocamentos de tropas. Na frente italiana, os soldados lutaram em montanhas e nas proximidades do rio Isonzo. Os comandos enfrentavam dificuldades para transportar suprimentos por terrenos elevados e expostos à neve.
Contra o Império Otomano, os Aliados organizaram a campanha de Galípoli, em 1915, para tentar controlar os estreitos e abrir uma rota marítima até a Rússia. Tropas otomanas impediram o avanço e forçaram a retirada dos invasores. Britânicos também combateram na Mesopotâmia e na Palestina, apoiados por forças recrutadas no império.
Na África, tropas aliadas atacaram colônias alemãs. Soldados recrutados na Índia e em territórios africanos serviram em campanhas distantes de suas regiões de origem. Trabalhadores coloniais carregaram suprimentos e construíram estradas, muitas vezes sob coerção. No Pacífico, japoneses ocuparam ilhas alemãs, enquanto australianos e neozelandeses tomaram outras possessões.
A guerra no mar
A Marinha britânica impôs um bloqueio para restringir o abastecimento da Alemanha. Ao fiscalizar o comércio marítimo, os britânicos dificultaram a entrada de matérias-primas e alimentos destinados aos adversários. Os alemães empregaram submarinos para atacar navios que abasteciam o Reino Unido.
Na guerra submarina irrestrita, os comandantes alemães autorizavam ataques sem os procedimentos de aviso e inspeção previstos nas regras tradicionais de captura de navios mercantes. Com isso, atingiam também embarcações de países neutros. Os britânicos ampliaram o uso de comboios, nos quais navios mercantes viajavam em grupo sob escolta militar.
As esquadras britânica e alemã se enfrentaram na Batalha da Jutlândia. Embora os britânicos tenham perdido mais navios e homens, conservaram a superioridade naval e mantiveram o bloqueio. Os alemães continuaram a apostar nos submarinos para pressionar o abastecimento inimigo.
A economia de guerra e o trabalho das mulheres
Os governantes passaram a contratar armamentos em grande escala e a controlar o fornecimento de produtos. Emitiram moeda e recorreram a empréstimos para pagar os gastos militares. Empresários adaptaram fábricas à produção de munições, enquanto autoridades distribuíam alimentos por sistemas de racionamento.
Historiadores empregam o conceito de guerra total para analisar a mobilização de recursos de toda a sociedade e o envolvimento crescente dos civis. A intensidade desse esforço variou entre os países. Os governos censuravam notícias sobre derrotas e usavam cartazes para recrutar soldados ou vender títulos de dívida.
Mulheres ampliaram sua presença em fábricas de armamentos e em serviços de transporte. Também atuaram na enfermagem e mantiveram atividades agrícolas durante a ausência dos homens mobilizados. Muitas já trabalhavam antes do conflito, mas passaram a exercer ocupações das quais haviam sido excluídas.
Após o retorno dos soldados, empregadores dispensaram parte dessas trabalhadoras. Movimentos sufragistas continuaram a pressionar pelo voto feminino, conquistado em alguns países no período final da guerra ou no pós-guerra. As regras variaram: no Reino Unido, a lei de 1918 concedeu o voto a mulheres a partir dos trinta anos que cumprissem determinadas condições, enquanto os homens obtiveram critérios mais amplos de participação.
Os civis sob ocupação e perseguição
Moradores de regiões ocupadas sofreram requisições e trabalho forçado. Tropas alemãs executaram civis na Bélgica durante a invasão, e refugiados abandonaram localidades próximas às frentes. Bombardeios aéreos e navais também atingiram cidades distantes das trincheiras.
No Império Otomano, dirigentes do governo organizaram deportações de armênios e massacres a partir de 1915. Agentes estatais e grupos armados conduziram populações para marchas em condições letais e atacaram comunidades. Os historiadores identificam essas ações como o genocídio armênio.
A população civil também enfrentou fome e doenças. Na Alemanha, famílias substituíam alimentos que faltavam por produtos de menor valor nutritivo. Na Europa oriental, autoridades militares deslocaram comunidades que consideravam suspeitas, deixando moradores sem suas casas e sem meios de sustento.
A entrada dos Estados Unidos
O governo norte-americano manteve a neutralidade nos primeiros anos, enquanto empresas e bancos vendiam produtos e concediam empréstimos aos Aliados. Em fevereiro de 1917, os alemães retomaram a guerra submarina irrestrita, colocando navios mercantes e cidadãos dos Estados Unidos sob risco de ataque.
Os britânicos também divulgaram o conteúdo do Telegrama Zimmermann, no qual o governo alemão propunha uma aliança ao México caso os norte-americanos entrassem na guerra. A proposta previa apoio à recuperação de territórios perdidos pelos mexicanos para os Estados Unidos.
Em 6 de abril, o Congresso norte-americano aprovou a declaração de guerra contra a Alemanha, solicitada pelo presidente Woodrow Wilson. O governo organizou o recrutamento e enviou tropas à Europa. No ano seguinte, os contingentes norte-americanos passaram a participar em maior escala das operações, enquanto os Aliados contavam com créditos e suprimentos provenientes dos Estados Unidos.
A Revolução Russa e a retirada da Rússia
Na Rússia, soldados enfrentavam perdas e dificuldades de abastecimento. Nas cidades, trabalhadores protestavam contra a falta de alimentos. Durante as revoluções de 1917, os russos derrubaram a monarquia e, meses depois, os bolcheviques depuseram o Governo Provisório.
Lenin e seus aliados assumiram o poder com a proposta de retirar o país da guerra. Em março de 1918, assinaram com os Impérios Centrais o Tratado de Brest-Litovsk, aceitando a perda do controle sobre extensos territórios do antigo império. Os alemães transferiram parte de suas tropas para a frente ocidental, mas mantiveram forças em áreas ocupadas no leste.
A participação do Brasil
O Brasil permaneceu neutro no início do conflito. Comerciantes enfrentaram dificuldades para transportar produtos e importar mercadorias da Europa. Empresários ampliaram a produção de alguns artigos antes comprados no exterior, embora também dependessem da importação de máquinas e combustíveis.
Após ataques de submarinos alemães contra navios mercantes brasileiros, o governo de Venceslau Brás reconheceu o estado de guerra com a Alemanha em 26 de outubro de 1917. No ano seguinte, enviou a Divisão Naval em Operações de Guerra, conhecida pela sigla DNOG, para colaborar no patrulhamento marítimo ao lado dos Aliados.
O governo também enviou uma missão médica à França e militares para treinamento e serviço junto às forças aliadas. Durante a passagem da divisão naval por portos africanos, marinheiros brasileiros adoeceram na pandemia de gripe, o que comprometeu as operações. O Brasil participou das negociações de paz e integrou a Liga das Nações após o conflito.
As ofensivas finais e o armistício
Na primavera de 1918, os alemães lançaram ofensivas na frente ocidental antes que os norte-americanos concentrassem contingentes maiores. Avançaram em alguns setores, mas não conseguiram obrigar os Aliados a negociar a paz. Perderam soldados experientes e enfrentaram dificuldades para abastecer as unidades que haviam avançado.
A partir de agosto, os Aliados realizaram contraofensivas conhecidas como Ofensiva dos Cem Dias. Sob pressão militar e com falta de recursos, os aliados da Alemanha aceitaram armistícios em sequência. Dentro do território alemão, greves e revoltas de marinheiros ampliaram a crise do governo.
O imperador Guilherme II deixou o poder, e dirigentes proclamaram a república. A delegação alemã assinou o armistício em 11 de novembro, e os combates na frente ocidental cessaram às onze horas. Os representantes alemães aceitaram a retirada de tropas e a entrega de armamentos. Os governos ainda teriam de negociar os tratados de paz.
O Tratado de Versalhes e a Liga das Nações
Na Conferência de Paz de Paris, os vencedores negociaram as condições impostas aos derrotados. Wilson defendeu propostas conhecidas como Quatorze Pontos, entre elas a criação de uma organização internacional. O francês Georges Clemenceau cobrava garantias de segurança contra a Alemanha. O britânico David Lloyd George negociava condições que atendessem aos interesses do Império Britânico.
Em 28 de junho de 1919, os representantes alemães assinaram o Tratado de Versalhes. A Alemanha devolveu a Alsácia-Lorena à França e perdeu outras áreas. Os vencedores retiraram suas colônias e as distribuíram sob mandatos internacionais. Também limitaram o Exército alemão a cem mil homens e proibiram determinados armamentos.
Os vencedores exigiram reparações pelos danos e incluíram uma cláusula que atribuía à Alemanha e a seus aliados a responsabilidade por perdas decorrentes da guerra. O tratado ofereceu a base jurídica para essas cobranças. Nacionalistas alemães exploraram o descontentamento com o acordo para atacar os dirigentes da nova república.
Os negociadores também criaram a Liga das Nações, encarregada de mediar disputas e defender a segurança coletiva. Apesar da atuação de Wilson nas negociações, o Senado dos Estados Unidos recusou a ratificação do tratado, e o país ficou fora da organização. Nas décadas seguintes, os integrantes da Liga enfrentaram dificuldades para agir em conjunto diante de novas agressões militares.
As consequências da Primeira Guerra Mundial
Os países perderam cerca de dez milhões de militares, além de milhões de civis. As estimativas variam conforme os pesquisadores incluem mortes por fome e doenças associadas ao conflito. Sobreviventes voltaram com amputações ou outras lesões, e as famílias dependiam de pensões e de redes de assistência para enfrentar a perda de renda.
Os governantes dos impérios Alemão e Austro-Húngaro perderam seus tronos. Na Rússia, os bolcheviques consolidavam seu governo durante a guerra civil. O Império Otomano se desfez no pós-guerra, e nacionalistas turcos criaram uma república. Na Europa, poloneses recuperaram um Estado independente, enquanto dirigentes organizaram países como a Tchecoslováquia e o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, depois chamado Iugoslávia.
No Oriente Médio, britânicos e franceses passaram a administrar antigos territórios otomanos sob o sistema de mandatos. Os vencedores preservaram o domínio colonial, embora lideranças anticoloniais reivindicassem autonomia. Na economia, governos europeus acumularam dívidas, e os Estados Unidos ampliaram sua posição como credor internacional.
Na Alemanha, grupos de extrema direita exploraram a derrota e difundiram a falsa acusação de que civis haviam traído um exército invicto. Os nazistas usaram esse discurso em sua propaganda. Para explicar a Segunda Guerra Mundial, os historiadores também examinam a crise econômica de 1929 e as decisões expansionistas das ditaduras durante a década de 1930.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP).
Publicado em 28/10/2026