Planaltos Brasileiros





Os planaltos brasileiros são formas de relevo marcadas por altitudes variadas, superfícies irregulares e forte atuação dos processos de erosão. De modo geral, apresentam terrenos antigos, desgastados pela ação das chuvas, dos ventos, dos rios e das variações de temperatura ao longo de milhões de anos. No Brasil, eles ocupam grande parte do território e aparecem em diferentes regiões, associados a estruturas cristalinas, bacias sedimentares, chapadas, serras e escarpas.




Planaltos Residuais Norte-Amazônicos



Os Planaltos Residuais Norte-Amazônicos localizam-se principalmente no norte de Roraima e no nordeste do Amazonas, próximos às fronteiras do Brasil com a Venezuela e a Guiana. São áreas de formação geológica muito antiga, com predominância de terrenos cristalinos bastante desgastados pelos processos erosivos.

Nessa unidade do relevo aparecem serras importantes, como a Serra do Imeri, a Serra Parima e a Serra Pacaraima. A região apresenta altitudes elevadas em relação ao restante da Amazônia, que é marcada principalmente por terras baixas e planícies fluviais. Nesse conjunto localiza-se o Pico da Neblina, na Serra do Imeri, considerado o ponto mais alto do Brasil, com cerca de 2.995 metros de altitude.

Esses planaltos também se destacam pela presença de áreas de difícil acesso, grande cobertura vegetal e elevada importância ambiental. Parte da região está associada a terras indígenas e unidades de conservação, o que reforça sua relevância ecológica e cultural.




Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba



Os Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba localizam-se na porção centro-leste do Brasil, abrangendo áreas do Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Ceará. São formados principalmente por terrenos sedimentares, isto é, rochas originadas do acúmulo de sedimentos ao longo do tempo.

Essa unidade apresenta chapadas, cuestas, escarpas e superfícies elevadas que se destacam na paisagem. Entre as principais formações estão a Serra das Mangabeiras e o Espigão Mestre. A região também é importante por funcionar como área de divisor de águas, contribuindo para a formação de rios que alimentam diferentes bacias hidrográficas.

As chapadas dessa área costumam apresentar topos relativamente planos e bordas íngremes, resultado da erosão diferencial. Esse processo ocorre quando rochas mais resistentes permanecem elevadas enquanto camadas menos resistentes são desgastadas com maior facilidade.




Planaltos e Chapadas dos Parecis



Os Planaltos e Chapadas dos Parecis localizam-se principalmente na região Centro-Oeste, abrangendo áreas de Mato Grosso e Rondônia. São formados por terrenos sedimentares e apresentam superfícies elevadas, chapadas e extensos interflúvios, que são áreas situadas entre cursos de rios.

Nessa unidade destacam-se formações como a Serra do Roncador e a Serra das Araras. A região possui grande importância hidrográfica, pois funciona como divisor de águas entre bacias relevantes, como a Bacia Amazônica, a Bacia do Paraguai e a Bacia do Tocantins-Araguaia.

Os Planaltos e Chapadas dos Parecis também se relacionam com áreas de cerrado, campos naturais e zonas de expansão agropecuária. Por isso, a região apresenta forte transformação da paisagem em muitas áreas, especialmente por causa da agricultura mecanizada, da pecuária e da abertura de vias de transporte.




Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste



Os Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste estendem-se por áreas do Sudeste, do Sul e de parte do Nordeste, acompanhando trechos próximos ao litoral atlântico. Essa unidade é formada, em grande parte, por terrenos cristalinos antigos, bastante dobrados, fraturados e desgastados pela erosão.

Entre suas principais formações estão a Serra do Mar, a Serra da Mantiqueira, a Serra do Espinhaço e a Serra da Canastra. Essas serras apresentam escarpas, vales profundos, morros arredondados e altitudes expressivas. A Serra da Mantiqueira, por exemplo, abriga alguns dos pontos mais elevados do Sudeste brasileiro.

Essa unidade do relevo tem grande importância histórica e econômica. Ao longo do período colonial, áreas serranas do Sudeste estiveram ligadas à mineração, especialmente em Minas Gerais. Em períodos posteriores, várias partes desses planaltos foram ocupadas por atividades agrícolas, cidades, ferrovias, rodovias e polos industriais.

Do ponto de vista ambiental, essa região apresenta áreas de Mata Atlântica, campos de altitude e nascentes de rios importantes. A ocupação intensa, porém, provocou desmatamento, erosão, deslizamentos em encostas e pressão sobre os recursos hídricos.




Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná



Os Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná localizam-se na região Centro-Sul do Brasil, abrangendo áreas de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa unidade é formada por terrenos sedimentares e basálticos, resultado de antigos processos de sedimentação e de derramamentos vulcânicos ocorridos na Era Mesozoica.

O relevo apresenta chapadas, cuestas, escarpas e superfícies planálticas. Entre as formações de destaque estão a Serra de Maracaju, a Serra do Caiapó e outras elevações associadas à borda da Bacia do Paraná. Em muitas áreas, a presença de rochas basálticas favoreceu a formação de solos férteis, como a terra roxa, muito importante para a agricultura.

Historicamente, essa unidade do relevo teve grande relevância para a expansão da cafeicultura, da agricultura comercial e da ocupação urbana e industrial do Centro-Sul brasileiro. Atualmente, abriga áreas agrícolas importantes, com produção de soja, milho, trigo, cana-de-açúcar e outros produtos.

A Bacia do Paraná também apresenta grande importância hidrográfica e energética. Muitos rios dessa região foram aproveitados para a geração de energia elétrica, como ocorre no rio Paraná e em seus afluentes.




Planaltos e Serras de Goiás-Minas



Os Planaltos e Serras de Goiás-Minas localizam-se em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste, especialmente em Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal. São formados por terrenos antigos, com presença de serras, chapadas, vales e superfícies bastante desgastadas pela erosão.

Essa unidade integra parte do chamado Planalto Central Brasileiro, região de grande importância geográfica por abrigar nascentes de rios que alimentam importantes bacias hidrográficas do país. Entre elas estão a Bacia do São Francisco, a Bacia do Tocantins-Araguaia e a Bacia do Paraná.

Nessa área localiza-se também o Distrito Federal, onde foi construída Brasília, inaugurada em 1960. A escolha da região para sediar a capital federal esteve relacionada, entre outros fatores, à posição central no território brasileiro e às características do relevo, com amplas superfícies planálticas.




Chapadas e Planaltos do Nordeste



No Nordeste brasileiro aparecem importantes formações planálticas, como a Chapada do Araripe, a Chapada do Apodi, a Chapada Diamantina e o Planalto da Borborema. Essas unidades possuem características variadas, mas, em geral, apresentam superfícies elevadas, escarpas, vales e terrenos sedimentares ou cristalinos.

A Chapada do Araripe localiza-se entre Ceará, Pernambuco e Piauí. É conhecida por sua importância geológica e paleontológica, especialmente pela presença de fósseis bem preservados. A Chapada do Apodi situa-se entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, apresentando terrenos sedimentares e áreas aproveitadas para atividades agrícolas.

A Chapada Diamantina, localizada na Bahia, destaca-se por suas serras, cânions, grutas, cachoeiras e formações rochosas. Historicamente, esteve associada à mineração de diamantes, principalmente no século XIX. Atualmente, possui forte importância turística e ambiental.

O Planalto da Borborema localiza-se principalmente em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Ele influencia o clima regional, pois funciona como barreira ao avanço de massas de ar úmidas vindas do oceano. Por isso, contribui para diferenças climáticas entre áreas litorâneas mais úmidas e áreas interiores mais secas.




Planaltos Residuais Sul-Amazônicos



Os Planaltos Residuais Sul-Amazônicos aparecem em áreas ao sul da Amazônia, especialmente em trechos de Mato Grosso, Pará e Rondônia. São formações elevadas e descontínuas, resultantes do desgaste de estruturas geológicas antigas.

Essa unidade apresenta serras, morros e superfícies rebaixadas pela erosão. Em muitos pontos, os planaltos surgem como elevações isoladas em meio a áreas mais baixas. Por isso, são chamados de residuais, pois representam partes remanescentes de antigas superfícies mais elevadas.

A região possui grande importância ambiental, pois está situada em área de transição entre a Floresta Amazônica e o Cerrado. Também sofre pressões relacionadas ao desmatamento, à mineração, à abertura de pastagens e à expansão agrícola.

 

 

 

foto do Planalto das Guianas

Monte Roraima no Planalto das Guianas (ou Escudo das Guianas), localizado no extremo norte do Brasil, na fronteira com Venezuela e Guianas.

 

 

Foto de uma área do Planalto da Borborema no nordeste brasileiro

Planalto da Borborema na região do agreste nordestino.

 

 

Você sabia?

 

O maior planalto brasileiro em extensão territorial é o Planalto Central com aproximadamente 1.000.000 de km². Ele ocupa uma grande área do território brasileiro, estendendo-se por vários estados, como Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso e parte do Distrito Federal. Este planalto é fundamental para a geografia do Brasil, não apenas pela sua vasta área, mas também por ser um divisor de águas importante entre as bacias hidrográficas do país.

 

 




Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

Atualizado em 07/07/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Planalto_Brasileiro

ALMEIDA, Mauricio de. Geografia Global - Geral e do Brasil - Volume Único - Ensino Médio. São Paulo: Escala Educacional, 2010.

SENE, Eustáquio de, MOREIRA, João Carlos. Geografia – Projeto Múltiplo. São Paulo: Scipione, 2014. 

 

Vídeo indicado no YouTube:

Formas de Relevo: Planalto, Planície, Escarpa e outros (Geografia Física) - geo ilustrada


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