Planalto da Borborema


 

O que é



O Planalto da Borborema é uma importante unidade de relevo da Região Nordeste do Brasil. É formado por terrenos elevados, serras, maciços e superfícies aplainadas que se destacam em relação às áreas mais baixas situadas ao redor. Por sua extensão e altitude, constitui um dos elementos mais marcantes do relevo nordestino.

Essa formação exerce forte influência sobre as condições naturais da região. A altitude e a disposição do relevo interferem nas temperaturas, na distribuição das chuvas, na vegetação e na formação dos rios. Por esse motivo, o Planalto da Borborema possui importância não apenas geomorfológica, mas também climática, hidrográfica, econômica e ambiental.



Localização



O Planalto da Borborema está localizado na porção oriental da Região Nordeste. Estende-se principalmente pelos estados da Paraíba e de Pernambuco, alcançando também áreas do Rio Grande do Norte e de Alagoas.

Na Paraíba e em Pernambuco encontram-se algumas das áreas mais características do planalto. Cidades importantes, como Campina Grande, na Paraíba, situam-se sobre terrenos relacionados à Borborema. Em Pernambuco, o planalto também participa da configuração do relevo de várias áreas do Agreste.

Sua posição geográfica é particularmente importante porque o planalto se encontra entre a faixa litorânea úmida e grande parte das áreas mais secas do interior nordestino. Essa localização contribui para que ele funcione como uma barreira natural à passagem das massas de ar úmidas provenientes do Oceano Atlântico.



Formação geológica



A estrutura geológica do Planalto da Borborema é muito antiga. Predominam rochas cristalinas formadas principalmente durante o Pré-Cambriano, período que corresponde às etapas mais antigas da história geológica da Terra. Entre essas rochas aparecem granitos, gnaisses e outras rochas metamórficas e ígneas.

Essas estruturas fazem parte da chamada Província Borborema, uma grande região geológica do Nordeste brasileiro formada por terrenos antigos que passaram por intensos processos tectônicos ao longo de centenas de milhões de anos.

Durante períodos geológicos posteriores, movimentos da crosta terrestre contribuíram para o soerguimento de partes dessas estruturas. Ao mesmo tempo, a atuação prolongada do intemperismo e da erosão desgastou as rochas e ajudou a produzir as formas atuais do relevo.



Características do relevo



O Planalto da Borborema não apresenta uma superfície completamente plana. Seu relevo é bastante irregular, com presença de serras, escarpas, vales, colinas, superfícies elevadas e áreas relativamente aplainadas.

Grande parte do planalto apresenta altitudes situadas aproximadamente entre 400 e 800 metros, embora determinadas serras ultrapassem os 1.000 metros. Essas diferenças de altitude ajudam a formar paisagens bastante distintas dentro da própria unidade de relevo.

As bordas orientais do planalto apresentam, em muitos lugares, elevações relativamente acentuadas em relação às áreas próximas do litoral. No interior, aparecem setores mais rebaixados, depressões e serras isoladas.

Um dos pontos elevados associados ao conjunto da Borborema é o Pico do Jabre, localizado no município de Maturéia, na Paraíba. Com aproximadamente 1.197 metros de altitude, corresponde ao ponto mais elevado do estado paraibano.



Influência sobre o clima



Uma das características geográficas mais importantes do Planalto da Borborema é sua influência sobre a distribuição das chuvas no Nordeste oriental. Massas de ar úmidas provenientes do Oceano Atlântico deslocam-se em direção ao continente e encontram as elevações da Borborema.

Ao subir pelas encostas voltadas para o oceano, o ar úmido sofre resfriamento. O vapor de água se condensa, favorecendo a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas. Esse fenômeno é conhecido como chuva orográfica ou chuva de relevo.

Por essa razão, as encostas orientais e algumas áreas elevadas podem apresentar índices pluviométricos maiores do que regiões situadas mais para o interior. Nessas áreas também são encontradas temperaturas mais amenas devido à altitude.

Do outro lado do planalto, em direção ao interior, as massas de ar chegam com menor quantidade de umidade. Esse fenômeno contribui para a formação da chamada sombra de chuva, ajudando a explicar a redução das precipitações em várias áreas do Agreste e, sobretudo, do Sertão.

Entretanto, a existência do clima semiárido nordestino não pode ser atribuída exclusivamente ao Planalto da Borborema. A distribuição irregular das chuvas também está relacionada à circulação atmosférica, à atuação das massas de ar, à posição geográfica do Nordeste e às variações de sistemas meteorológicos que atuam sobre a região.



Climas presentes



Em função da extensão territorial e das diferenças de altitude, não existe apenas um tipo climático no Planalto da Borborema. Nas áreas mais secas predominam características do clima semiárido, marcado por chuvas relativamente escassas e irregulares.

Nas áreas mais elevadas e expostas aos ventos úmidos, podem ocorrer temperaturas mais baixas e volumes de chuva maiores. Algumas dessas áreas formam ambientes conhecidos como brejos de altitude.

Os brejos de altitude são áreas serranas relativamente úmidas cercadas por regiões mais secas. Apresentam condições climáticas e vegetais diferenciadas e possuem grande importância ecológica. São encontrados principalmente em setores elevados da Paraíba e de Pernambuco.



Vegetação



A Caatinga é uma das formações vegetais mais características de grande parte do Planalto da Borborema, principalmente nas áreas de clima semiárido. Sua vegetação apresenta adaptações à escassez de água, como folhas pequenas, espinhos, raízes desenvolvidas e capacidade de perder as folhas durante os períodos secos.

Nas áreas mais úmidas e elevadas, sobretudo nos brejos de altitude e em determinadas encostas orientais, podem aparecer formações florestais mais densas. Alguns desses ambientes apresentam espécies relacionadas à Mata Atlântica.

Essa combinação de altitude, relevo, clima e disponibilidade de água produz diferentes paisagens vegetais ao longo do planalto. Entretanto, boa parte da cobertura vegetal original foi modificada pelas atividades humanas ao longo dos séculos.



Hidrografia



O Planalto da Borborema possui grande importância para a hidrografia regional porque funciona como divisor de águas. Vários rios nordestinos possuem nascentes ou recebem afluentes originados em suas áreas elevadas.

Entre os rios relacionados ao planalto estão o Capibaribe, o Ipojuca e o Una, em Pernambuco, além do Paraíba e de vários outros cursos de água que atravessam o território paraibano. Alguns rios seguem em direção ao Oceano Atlântico, enquanto outros percorrem regiões interiores.

Nas áreas de clima semiárido são comuns os rios temporários ou intermitentes, que apresentam grande redução da vazão ou podem secar durante determinados períodos do ano. Já nas áreas de maior pluviosidade podem existir cursos de água com maior regularidade.

As áreas elevadas também favorecem a formação de pequenas nascentes e riachos. A conservação da cobertura vegetal nesses locais é fundamental para diminuir a erosão, proteger os solos e preservar os recursos hídricos.



Solos



Os solos encontrados no Planalto da Borborema apresentam características variadas em razão das diferenças de rochas, relevo, clima e cobertura vegetal. Em várias áreas existem solos relativamente rasos e pedregosos, especialmente onde predominam rochas cristalinas próximas da superfície.

Nos vales e em determinados setores de relevo mais suave podem aparecer solos mais profundos. Nas áreas úmidas e nos brejos de altitude, as condições de formação dos solos também são diferentes das encontradas nas áreas semiáridas.

O uso inadequado do solo, principalmente em encostas, pode aumentar os processos erosivos. A retirada da vegetação deixa o terreno mais exposto ao impacto das chuvas e ao escoamento superficial da água.



Brejos de altitude



Os brejos de altitude constituem uma das paisagens mais particulares da Borborema. São áreas elevadas que recebem maior quantidade de umidade do que as regiões vizinhas devido à altitude e à influência do relevo sobre a circulação atmosférica.

Nesses locais, as temperaturas costumam ser mais amenas e a vegetação pode ser mais densa. Historicamente, essas condições também favoreceram determinadas atividades agrícolas, sobretudo o cultivo de frutas, hortaliças e outras culturas que encontram dificuldades nas áreas mais secas.

Os brejos de altitude também funcionam como importantes refúgios para espécies vegetais e animais. Sua conservação é fundamental porque muitos desses ambientes encontram-se fragmentados pela expansão das atividades agropecuárias e urbanas.



Importância econômica



A ocupação econômica do Planalto da Borborema está relacionada principalmente à agricultura, à pecuária, ao comércio, aos serviços e às atividades urbanas. As condições de produção agrícola mudam significativamente conforme a disponibilidade de água, o tipo de solo e a altitude.

Nas áreas mais úmidas podem ser cultivadas frutas, hortaliças, mandioca, milho, feijão e outras culturas. Em setores mais secos, a agricultura depende fortemente das condições climáticas e da disponibilidade de água armazenada em açudes e reservatórios.

A pecuária também possui importância regional, com criação principalmente de bovinos, caprinos e ovinos. Cabras e ovelhas apresentam boa adaptação às condições do semiárido e desempenham papel econômico significativo em vários municípios.



Importância urbana



Diversas cidades desenvolveram-se nas áreas do Planalto da Borborema. Campina Grande é o principal exemplo. Localizada na Paraíba, tornou-se um dos maiores centros urbanos do interior nordestino, com importante atuação nos setores comercial, industrial, educacional, tecnológico e de serviços.

Outras cidades da Borborema exercem funções regionais relacionadas ao comércio, à agricultura, ao turismo e à prestação de serviços para os municípios vizinhos.

Historicamente, a localização de algumas dessas cidades em áreas de passagem entre o litoral e o Sertão favoreceu o comércio e a circulação de pessoas e mercadorias.



Turismo e paisagens naturais



As serras, vales, formações rochosas, cachoeiras, mirantes e áreas de clima mais ameno favorecem atividades turísticas em várias partes da Borborema. Algumas cidades serranas recebem visitantes principalmente por suas paisagens naturais e temperaturas relativamente mais baixas em determinados períodos do ano.

O turismo rural, o ecoturismo e as atividades de aventura também possuem potencial. Trilhas, observação da paisagem, escalada e visitação de formações rochosas estão entre as atividades realizadas em diferentes pontos do planalto.

Os elementos culturais das cidades do Agreste também se relacionam ao turismo. Festas populares, gastronomia, artesanato e manifestações culturais regionais complementam os atrativos naturais.



Importância ambiental

O Planalto da Borborema exerce funções ambientais importantes. Suas áreas elevadas abrigam nascentes, contribuem para a formação de cursos de água e apresentam diferentes tipos de ambientes naturais relacionados à Caatinga e à Mata Atlântica.

Os brejos de altitude são particularmente relevantes. Por apresentarem condições de umidade diferentes das áreas semiáridas vizinhas, funcionam como refúgios ecológicos para numerosas espécies de plantas e animais.

A manutenção da vegetação também contribui para a proteção dos solos, redução da erosão e conservação dos recursos hídricos. A destruição da cobertura vegetal das encostas pode provocar perda de solo, assoreamento de rios e diminuição da capacidade de infiltração da água.



Problemas ambientais



Entre os principais problemas ambientais encontrados na região estão o desmatamento, as queimadas, a retirada de madeira, a expansão agropecuária, a ocupação urbana desordenada e a degradação dos solos.

Nas regiões de Caatinga, a retirada excessiva da vegetação pode favorecer processos de erosão e degradação das terras. Quando associados a períodos prolongados de seca e ao uso inadequado do solo, esses processos podem contribuir para o avanço da desertificação em áreas mais vulneráveis.

Os brejos de altitude também sofrem pressão das atividades humanas. A fragmentação das áreas florestais reduz os habitats naturais e dificulta a conservação de espécies. A proteção das nascentes e da vegetação das encostas representa, portanto, uma medida importante para a manutenção do equilíbrio ambiental regional.



Importância geográfica do Planalto da Borborema



O Planalto da Borborema é fundamental para compreender a geografia do Nordeste brasileiro. Seu relevo interfere diretamente na distribuição das chuvas, nas temperaturas, na hidrografia, nos solos e na vegetação.

Sua presença ajuda a explicar por que áreas relativamente próximas podem apresentar condições naturais bastante diferentes. Enquanto determinados setores elevados recebem mais chuvas e possuem temperaturas amenas, outras áreas situadas a oeste apresentam condições mais secas.

 

Foto do Planalto da Borborema em Pernambuco

Serra do Ponto no Planalto da Borborema (em Pernambuco)

 

 

 




 

Resumo das principais características:



• Localização: leste da Região Nordeste, principalmente na Paraíba e em Pernambuco, estendendo-se também pelo Rio Grande do Norte e por Alagoas.



• Estrutura geológica: predominância de terrenos cristalinos muito antigos, relacionados ao Pré-Cambriano.



• Relevo: presença de planaltos, serras, escarpas, vales e superfícies elevadas.



• Altitudes: grande parte das áreas situa-se aproximadamente entre 400 e 800 metros, com serras que ultrapassam 1.000 metros.



• Clima: apresenta áreas semiáridas e setores mais úmidos e amenos associados às maiores altitudes.



• Chuvas: o relevo favorece chuvas orográficas nas vertentes expostas aos ventos úmidos provenientes do Atlântico.



• Vegetação: predomínio da Caatinga nas áreas secas e ocorrência de formações florestais em setores mais úmidos.



• Hidrografia: funciona como importante divisor de águas e abriga nascentes de diversos rios nordestinos.



• Economia: agricultura, pecuária, comércio, serviços, atividades urbanas e turismo.



• Importância ambiental: conservação de nascentes, solos, brejos de altitude e remanescentes de vegetação nativa.



• Principais problemas ambientais: desmatamento, erosão, queimadas, degradação dos solos, pressão agropecuária e fragmentação da vegetação.

 


 

Artigo revisado por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)

 

Atualizado em 15/06/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

 

https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Planalto_da_Borborema


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