Derretimento das Calotas Polares



O que é


O derretimento das calotas polares é a perda de grandes massas de gelo existentes nas regiões polares da Terra, especialmente na Groenlândia e na Antártida. Esse processo ocorre naturalmente em determinadas épocas do ano, sobretudo durante os meses mais quentes, mas vem sendo intensificado pelo aumento da temperatura média do planeta associado às mudanças climáticas.

É importante diferenciar o gelo continental do gelo marinho. As grandes camadas de gelo da Groenlândia e da Antártida estão sobre áreas continentais e armazenam enormes quantidades de água doce. Quando esse gelo derrete e a água chega aos oceanos, ocorre aumento do nível médio do mar. Já o gelo marinho, formado pelo congelamento da água do oceano, como grande parte do gelo existente no Ártico, não provoca diretamente uma elevação significativa do nível do mar ao derreter.

As transformações nas regiões polares podem ser acompanhadas por satélites, estações de pesquisa, medições realizadas em campo e outros instrumentos científicos. Essas observações mostram perda de massa das grandes camadas de gelo. Dados da NASA indicam que, desde 2002, a Groenlândia e a Antártida apresentam perda líquida de centenas de bilhões de toneladas de gelo por ano.

O desprendimento de grandes blocos de gelo também ocorre nas bordas das geleiras e das plataformas de gelo, formando icebergs. Esse processo, chamado de desprendimento ou calving, é natural, mas alterações na temperatura atmosférica e oceânica podem aumentar a instabilidade de determinadas geleiras e plataformas.



Causa principal


A principal causa da intensificação do derretimento das massas de gelo polar é o aquecimento global provocado pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Entre esses gases estão o dióxido de carbono (CO₂), o metano (CH₄) e o óxido nitroso (N₂O), cujas concentrações aumentaram principalmente em decorrência das atividades humanas.

A queima de carvão mineral, petróleo e gás natural para geração de energia, transportes e atividades industriais constitui uma das principais fontes dessas emissões. O desmatamento também contribui para o problema, pois reduz a capacidade dos ecossistemas de retirar dióxido de carbono da atmosfera e, em muitos casos, libera carbono armazenado na vegetação e nos solos.

O aumento da temperatura do ar favorece o derretimento superficial das geleiras, principalmente durante o verão. Ao mesmo tempo, o aquecimento dos oceanos pode derreter a parte inferior das plataformas de gelo que entram em contato com águas relativamente mais quentes. Esse processo é particularmente importante em determinadas áreas da Antártida.

Outro fator relevante é a diminuição do albedo, isto é, da capacidade das superfícies claras de gelo e neve de refletir a radiação solar. Quando o gelo desaparece, áreas mais escuras de oceano ou solo ficam expostas e absorvem maior quantidade de energia solar. O aquecimento resultante favorece novos derretimentos, formando um mecanismo de retroalimentação climática.



Diferenças entre Ártico e Antártida


No Ártico, uma das transformações mais evidentes é a redução da extensão e da espessura do gelo marinho, sobretudo durante os meses de verão. Como esse gelo já flutua sobre o oceano, seu derretimento não é responsável diretamente pela elevação do nível do mar, embora tenha grande importância climática por alterar o albedo e os ecossistemas da região.

Na Antártida, a situação é diferente porque a maior parte do gelo encontra-se sobre o continente. A perda de massa da camada de gelo antártica contribui diretamente para a elevação do nível dos oceanos. As plataformas de gelo flutuantes funcionam como uma espécie de barreira que ajuda a conter o deslocamento das geleiras continentais em direção ao mar. Quando essas plataformas se afinam ou se fragmentam, o escoamento das geleiras pode acelerar.


Quais problemas podem ocorrer com o derretimento das calotas polares?

 

Elevação do nível do mar: à medida que as calotas polares derretem, a água eventualmente chega aos oceanos, elevando o nível do mar em todo o mundo. Isso pode levar a inundações costeiras, erosão e deslocamento de populações humanas em áreas baixas. Este fenômeno pode, muito em breve, causar também o avanço do mar sobre cidades litorâneas.


Perda de Habitats: as regiões do Ártico e da Antártica abrigam várias espécies que dependem do gelo para sobreviver, incluindo ursos polares e focas no Ártico e pinguins na Antártida. O derretimento do gelo ameaça esses habitats e a sobrevivência dessas espécies.


Alteração das correntes oceânicas: o influxo de água doce do gelo derretido pode alterar a salinidade e a temperatura da água do mar, o que, por sua vez, pode interromper as correntes oceânicas. Isso pode afetar os padrões climáticos globais e os ecossistemas da vida marinha.


Derretimento do permafrost: nas regiões árticas, o permafrost (solo permanentemente congelado) contém grandes quantidades de carbono armazenado. À medida que o permafrost derrete, esse carbono pode ser liberado como dióxido de carbono e metano, potentes gases de efeito estufa que podem acelerar ainda mais o aquecimento global.


Absorção solar aumentada: o gelo e a neve refletem a luz solar de volta ao espaço, um fenômeno conhecido como efeito albedo. À medida que o gelo derrete, revela água ou terra mais escura abaixo, que absorve mais luz solar e calor, exacerbando ainda mais o aquecimento.


Perda de gelo marinho e clima extremo: a perda de gelo marinho pode influenciar os padrões de circulação atmosférica, levando potencialmente a eventos climáticos extremos. Algumas pesquisas sugerem que isso pode afetar a corrente de jato, o que, por sua vez, pode causar tempestades, secas ou ondas de frio mais intensas em certas regiões.



Como reduzir o problema


A redução da velocidade do aquecimento global depende principalmente da diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Entre as principais medidas estão a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes de energia de menor emissão de carbono, o aumento da eficiência energética, a redução do desmatamento, a conservação de florestas e a adoção de tecnologias e práticas produtivas menos intensivas em carbono.

Mesmo com a redução das emissões, parte das mudanças nas regiões polares continuará ocorrendo durante algum tempo devido à resposta lenta das grandes massas de gelo e dos oceanos às alterações climáticas. Por esse motivo, políticas de mitigação das mudanças climáticas devem ser acompanhadas de medidas de adaptação, principalmente nas regiões costeiras mais vulneráveis.



Você sabia?

 

O Glaciar da ilha de Pine, é a geleira que está derretendo mais rapidamente na Antártida. De acordo com pesquisadores da região, o cume desta geleira está perdendo cerca de 15 cm de altura por ano. Pode ser mais um efeito do aquecimento global do planeta.

 

Glaciar da Ilha de Pine

Glaciar da Ilha de Pine: geleira de grandes proporções está em constante derretimento.

 

 

Saiba mais:

 

Obtenha mais dados e informações sobre este tema no website da EBC - Agência Brasil (Empresa Brasileira de Comunicação).

 

 



Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do artigo:

 

Degelo acelerado nas regiões polares revela impacto crescente nas mudanças climáticas - Jornal da USP

 

VEYRET, Yvette. Dicionário do Meio Ambiente. São Paulo: Senac, 2012. 

 

TOWNSEND, Colin R. Fundamentos em Ecologia. Porto Alegre: Artmed, 2009. 

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

- O derretimento das calotas polares - AFP Português

 

 


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