Quem foi
Jean le Rond d’Alembert foi um matemático, físico, escritor e filósofo iluminista francês do século XVIII. Foi um dos enciclopedistas que trabalhou na primeira Enciclopédia da Europa. É considerado também um dos principais representantes do Iluminismo.
Biografia
Jean le Rond d’Alembert nasceu em 16 de novembro de 1717, em Paris, na França. Era filho do oficial de artilharia Louis-Camus Destouches e da escritora Claudine Guérin de Tencin, que não eram casados. Pouco depois do nascimento, foi abandonado próximo à igreja de Saint-Jean-le-Rond, local que inspirou parte de seu nome. A criança foi entregue aos cuidados de Madame Rousseau, esposa de um vidraceiro, com quem manteve uma relação afetuosa durante grande parte da vida. Embora não o tenha reconhecido publicamente, seu pai financiou sua educação.
Durante a juventude, D’Alembert estudou no Colégio das Quatro Nações, instituição ligada à Universidade de Paris, onde recebeu uma formação baseada em Filosofia, Teologia, Matemática e estudos clássicos. Inicialmente, tentou seguir as áreas do Direito e da Medicina, mas não demonstrou interesse duradouro por essas profissões. Sua verdadeira vocação estava nas Ciências Exatas, especialmente na Matemática e na Física, campos aos quais passou a dedicar-se de maneira independente.
O reconhecimento profissional começou a se consolidar na década de 1730, quando apresentou estudos sobre cálculo, mecânica e dinâmica. Em 1741, foi admitido na Academia de Ciências de Paris, uma das instituições científicas mais prestigiadas da Europa. Dois anos depois, publicou o “Tratado de Dinâmica”, obra que ampliou sua reputação entre os estudiosos. Suas pesquisas abordaram temas como o movimento dos corpos, a mecânica dos fluidos, as vibrações das cordas e as equações diferenciais.
A partir de 1747, D’Alembert passou a trabalhar com Denis Diderot na organização da “Enciclopédia”, um dos principais projetos intelectuais do Iluminismo. Coube a ele supervisionar os conteúdos relacionados à Matemática e às Ciências, além de escrever o “Discurso preliminar da Enciclopédia”, publicado em 1751. Diante das críticas religiosas e políticas dirigidas ao projeto, afastou-se da direção editorial em 1758, embora continuasse ligado aos círculos filosóficos e científicos franceses.
D’Alembert ingressou na Academia Francesa em 1754 e, em 1772, tornou-se secretário permanente da instituição, ocupação que lhe garantiu grande influência na vida intelectual parisiense. Manteve relações com importantes pensadores, escritores e governantes europeus, incluindo Voltaire, Frederico II da Prússia e Catarina II da Rússia. Nunca se casou e passou seus últimos anos enfrentando problemas de saúde. Faleceu em Paris, em 29 de outubro de 1783, aos 65 anos, reconhecido como um dos principais matemáticos, físicos e intelectuais do século XVIII.
Principais ideias filosóficas de d’Alembert:
• Como muitos pensadores do Iluminismo, d'Alembert era um empirista, enfatizando o papel da experiência sensorial na formação do conhecimento. Ele argumentava contra o raciocínio puramente especulativo, favorecendo uma abordagem mais baseada em evidências.
• D'Alembert era um forte defensor da liberdade na investigação científica e no pensamento intelectual, opondo-se ao dogmatismo e defendendo uma abordagem racional e baseada na investigação para entender o mundo.
• Ele era crítico das especulações metafísicas e enfatizava a importância da ciência prática e observável em detrimento de sistemas filosóficos abstratos.
• D’Alembert defendia a organização sistemática do conhecimento humano. No “Discurso Preliminar da Enciclopédia”, procurou classificar as diferentes áreas do saber e mostrar as relações existentes entre as Ciências, as Artes e os ofícios.
• Inspirado pelo racionalismo científico, valorizava a Matemática como instrumento fundamental para compreender os fenômenos naturais. Para ele, o conhecimento matemático permitia formular princípios gerais e analisar a realidade com maior precisão.
• D’Alembert defendia a difusão do conhecimento como meio de combater a ignorância, a superstição e a intolerância. Sua participação na organização da “Enciclopédia” expressava a ideia iluminista de que a educação e o acesso ao saber poderiam contribuir para o progresso da sociedade.
Principais obras:
“Tratado de Dinâmica” (1743)
Considerada uma de suas obras científicas mais importantes, apresenta estudos sobre o movimento dos corpos e os princípios fundamentais da mecânica. Nesse trabalho, D’Alembert formulou o chamado princípio de D’Alembert, que permitiu analisar sistemas em movimento por meio da relação entre forças aplicadas, forças de inércia e equilíbrio. A obra contribuiu para o desenvolvimento da mecânica analítica.
“Tratado do Equilíbrio e do Movimento dos Fluidos” (1744)
Nesse estudo, o autor examinou o comportamento dos líquidos e dos gases, abordando questões relacionadas à pressão, ao equilíbrio e ao deslocamento dos fluidos. O livro teve importância para a formação da hidrodinâmica moderna e para o aperfeiçoamento dos conhecimentos sobre a circulação de líquidos e o movimento do ar.
“Reflexões sobre a Causa Geral dos Ventos” (1747)
D’Alembert procurou explicar a formação e a circulação dos ventos com base em princípios físicos e matemáticos. Embora algumas de suas conclusões tenham sido posteriormente revistas, o trabalho representou uma tentativa relevante de aplicar a Matemática ao estudo dos fenômenos atmosféricos e da dinâmica da atmosfera terrestre.
“Pesquisas sobre as Cordas Vibrantes” (1747)
A vibração das cordas musicais foi analisada por meio de equações matemáticas, contribuindo para o desenvolvimento da teoria das ondas. O estudo ajudou a estabelecer relações entre Matemática, Física e Música, principalmente na compreensão da propagação das vibrações e da produção dos sons.
“Discurso Preliminar da Enciclopédia” (1751)
Publicado como introdução à “Enciclopédia”, esse texto apresenta uma classificação sistemática dos conhecimentos humanos. D’Alembert explicou as relações existentes entre as Ciências, as Artes e os ofícios, defendendo a razão, a observação e a experiência como fundamentos do saber. A obra tornou-se uma importante exposição dos princípios intelectuais do Iluminismo.
“Elementos de Música Teórica e Prática segundo os Princípios de Rameau” (1752)
Com base nas ideias do compositor e teórico musical Jean-Philippe Rameau, D’Alembert procurou explicar os fundamentos da harmonia musical. O livro tornou conceitos complexos mais acessíveis e reforçou a tentativa iluminista de organizar racionalmente os conhecimentos artísticos e científicos.
“Ensaio sobre os Elementos de Filosofia” (1759)
Nessa obra, D’Alembert refletiu sobre os métodos, os limites e a organização do conhecimento humano. Criticou explicações baseadas apenas na tradição ou na autoridade e valorizou o pensamento racional, a experiência e a investigação científica. O texto também apresenta suas opiniões sobre o desenvolvimento intelectual do século XVIII.
“Elogios Lidos nas Sessões Públicas da Academia Francesa” (1779)
A coletânea reúne discursos escritos por D’Alembert em homenagem a membros falecidos da Academia Francesa. Os textos apresentam informações biográficas, avaliações literárias e reflexões sobre a vida intelectual francesa. A obra também revela sua atuação como secretário permanente da instituição e sua influência nos círculos culturais de Paris.
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| Jean Le Rond d'Alembert (pintura de Maurice Quentin de La Tour) |
A participação de d'Alembert na Enciclopédia
Jean le Rond d’Alembert teve papel central na elaboração da “Enciclopédia”, projeto organizado em parceria com Denis Diderot a partir de 1747. Enquanto Diderot assumiu a coordenação geral da obra, d’Alembert ficou responsável principalmente pelos conteúdos relacionados à Matemática, à Física e às Ciências. Sua presença conferiu prestígio acadêmico ao empreendimento, pois ele já era reconhecido como um dos mais importantes cientistas franceses do século XVIII. Também colaborou na seleção de autores, na revisão de artigos e na definição dos princípios intelectuais que orientariam a publicação.
Uma de suas contribuições mais importantes foi o “Discurso Preliminar da Enciclopédia”, publicado em 1751 como introdução ao primeiro volume. Nesse texto, d’Alembert apresentou uma classificação dos conhecimentos humanos baseada nas faculdades da memória, da razão e da imaginação. Procurou demonstrar as relações entre História, Filosofia, Ciências, Artes e ofícios, defendendo que o conhecimento deveria ser organizado de maneira racional e acessível. O texto tornou-se uma das principais sínteses do pensamento iluminista, pois valorizava a observação, a experiência, a liberdade intelectual e o progresso científico.
As críticas das autoridades políticas e religiosas, somadas aos ataques dirigidos aos enciclopedistas, levaram d’Alembert a afastar-se da direção do projeto em 1758. Ele temia que a crescente perseguição prejudicasse sua posição nas instituições científicas e acadêmicas francesas. Mesmo após deixar a coordenação, sua contribuição permaneceu decisiva para a estrutura intelectual da “Enciclopédia”. O trabalho realizado ao lado de Diderot ajudou a transformar a obra em um instrumento de divulgação do conhecimento e de combate ao dogmatismo, à superstição e à intolerância.
Exemplos de Frases:
- “A morte é um bem para todos os homens. É como a noite de um dia inquieto de um dia que se chama vida.”
- “A simplicidade é a consequência natural da elevação dos sentimentos”.
- “A guerra é a arte de destruir homens, a política é a arte de enganá-los”.
Artigo publicado em 13/07/2020 e atualizado em 29/07/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes:
https://fr.wikipedia.org/wiki/Jean_Le_Rond_d%27Alembert