Introdução
No século XVIII, durante o Iluminismo, vários pensadores passaram a refletir sobre o funcionamento da economia de maneira mais racional, crítica e sistemática. Em oposição a práticas típicas do mercantilismo e ao forte controle exercido pelos Estados absolutistas, esses autores buscaram compreender como a riqueza era produzida, distribuída e ampliada dentro das sociedades. Suas ideias estiveram ligadas à defesa da liberdade econômica, à valorização do trabalho produtivo, ao comércio mais livre e à crítica aos privilégios e monopólios que limitavam a atividade econômica.
Entre os principais nomes desse período, destacam-se autores como François Quesnay, Anne Robert Jacques Turgot, Vincent de Gournay, Adam Smith, Richard Cantillon, David Hume, Mercier de la Rivière, Nicolas Baudeau e Pierre Samuel du Pont de Nemours. Cada um, à sua maneira, contribuiu para a formação do pensamento econômico moderno, lançando bases importantes para correntes como a fisiocracia e o liberalismo econômico. Compreender quem foram esses pensadores e quais foram suas principais ideias ajuda a entender não apenas o contexto intelectual do Iluminismo, mas também a origem de muitos princípios que influenciam a economia até os dias atuais.
Principais economistas do Iluminismo e suas ideias principais:
• Anne Robert Jacques Turgot: economista, administrador e pensador francês ligado à fisiocracia. Defendia a liberdade econômica, o livre comércio de grãos, a redução de privilégios corporativos e a diminuição da intervenção estatal na economia. Também formulou reflexões importantes sobre a formação e distribuição das riquezas e sobre o desenvolvimento econômico.
• François Quesnay: principal nome da fisiocracia. Sustentava que a agricultura era a atividade verdadeiramente produtiva, pois gerava excedente econômico. Defendia a existência de uma “ordem natural” da economia, na qual o Estado deveria interferir o mínimo possível, permitindo a livre produção e circulação das riquezas.
• Vincent de Gournay: economista francês associado ao círculo reformista do século XVIII. Ficou conhecido pela defesa da liberdade econômica, sintetizada na ideia de “laissez faire, laissez passer”. Embora não rompesse totalmente com a valorização da agricultura, destacou a importância do comércio e das manufaturas para a prosperidade nacional.
• Adam Smith: filósofo e economista escocês, considerado um dos fundadores da Economia Política clássica e um dos principais nomes do liberalismo econômico. Em “A Riqueza das Nações” (1776), criticou o mercantilismo, os monopólios e o excesso de regulação estatal, defendendo a divisão do trabalho, a livre concorrência e a ampliação dos mercados.
• Mercier de la Rivière (1720–1793): importante autor fisiocrata francês. Defendia a ideia de que a sociedade e a economia deveriam obedecer a uma ordem natural, regida por leis racionais. Sua obra contribuiu para sistematizar o pensamento fisiocrático e fortalecer a defesa da liberdade econômica.
• Nicolas Baudeau (1730–1792): clérigo e economista francês vinculado à fisiocracia. Atuou na divulgação e defesa das ideias fisiocráticas, especialmente por meio de publicações e debates intelectuais, ajudando a difundir a noção de que a riqueza tinha base na produção agrária e na liberdade econômica.
• Richard Cantillon: pensador econômico do século XVIII, frequentemente visto como um precursor da Economia Política moderna. Analisou o funcionamento dos mercados, a circulação monetária, os preços e o papel do empresário na economia. Sua obra antecipou discussões que seriam aprofundadas depois por fisiocratas e por Adam Smith.
• David Hume: filósofo escocês iluminista que também produziu reflexões econômicas muito relevantes. Escreveu sobre comércio, moeda, balança comercial e circulação de metais preciosos, criticando certas ideias mercantilistas e defendendo que o comércio poderia beneficiar diferentes nações ao mesmo tempo.
• Pierre Samuel du Pont de Nemours: economista francês e importante divulgador da fisiocracia. Teve papel central na organização e difusão das ideias de Quesnay, defendendo a liberdade econômica, a centralidade da agricultura e a existência de leis naturais que deveriam orientar a vida econômica.
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Jacques Turgot: outro exemplo de economista iluminista. |
Influência das ideias iluministas na economia moderna
As ideias defendidas pelos economistas do Iluminismo tiveram papel decisivo na formação da economia moderna. Ao criticarem o mercantilismo, os monopólios e o excesso de intervenção do Estado, esses pensadores abriram espaço para uma nova forma de compreender a produção de riquezas, o comércio e o funcionamento dos mercados. Conceitos como liberdade econômica, livre circulação de mercadorias, valorização do trabalho produtivo e defesa da propriedade privada passaram a ocupar posição central no pensamento econômico ocidental, influenciando reformas políticas e econômicas em diversos países a partir do final do século XVIII.
Muitas dessas formulações serviram de base para o desenvolvimento do liberalismo econômico no século XIX e para a consolidação da Economia Política como campo de estudo. Mesmo que várias de suas propostas tenham sido revistas, criticadas ou reformuladas ao longo do tempo, sua importância histórica permanece evidente. Isso porque esses autores ajudaram a estabelecer uma visão mais analítica da vida econômica, tratando a economia não apenas como prática administrativa do Estado, mas como um fenômeno social regido por princípios, interesses, produção e circulação de riquezas.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 01/04/2026
Fontes:
https://www.britannica.com/money/physiocrat
https://plato.stanford.edu/entries/economics-early-modern