O que é Makemake
Makemake é um planeta anão localizado no Cinturão de Kuiper, uma extensa região do Sistema Solar situada além da órbita de Netuno. Essa área reúne milhares de corpos formados principalmente por rochas e materiais congelados, considerados remanescentes do processo de formação dos planetas.
Reconhecido oficialmente como planeta anão em 2008, Makemake faz parte do grupo que inclui Ceres, Plutão, Haumea e Éris. Apesar de apresentar forma aproximadamente esférica e orbitar o Sol, ele não é classificado como planeta porque não possui domínio gravitacional sobre sua região orbital, compartilhando o espaço com numerosos objetos menores.
Descoberta
Makemake foi descoberto em 31 de março de 2005 por uma equipe de astrônomos formada por Michael Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz. As observações foram realizadas no Observatório Palomar, situado na Califórnia, nos Estados Unidos.
Durante o período inicial das pesquisas, o objeto recebeu a designação provisória 2005 FY9. A equipe também utilizou informalmente o apelido Easterbunny, expressão inglesa que significa “coelhinho da Páscoa”, pois sua descoberta ocorreu poucos dias depois dessa celebração.
A existência de Makemake e de outros grandes corpos situados além de Netuno contribuiu para os debates sobre a classificação dos objetos do Sistema Solar. Essas descobertas demonstraram que Plutão não era um caso isolado, mas um dos vários corpos de grandes dimensões existentes no Cinturão de Kuiper.
Origem do nome
O nome Makemake foi aprovado pela União Astronômica Internacional em 2008. Ele faz referência a Makemake, divindade criadora da humanidade e associada à fertilidade na cultura tradicional do povo Rapa Nui, habitante da Ilha de Páscoa, localizada no oceano Pacífico.
A escolha preservou uma relação com o apelido utilizado durante a fase inicial da descoberta. Como o objeto havia sido identificado próximo ao período da Páscoa, os astrônomos procuraram um nome mitológico relacionado à cultura da Ilha de Páscoa.
Localização e órbita
Makemake encontra-se no Cinturão de Kuiper, região que começa nas proximidades da órbita de Netuno e se estende por bilhões de quilômetros. O planeta anão permanece, em média, aproximadamente 45 vezes mais distante do Sol do que a Terra.
Sua órbita é elíptica e inclinada em relação ao plano no qual se desloca a maioria dos planetas. Essa trajetória faz com que sua distância em relação ao Sol varie consideravelmente ao longo do tempo.
Makemake leva cerca de 305 anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol. Isso significa que, desde sua descoberta em 2005, ele percorreu apenas uma pequena parte de sua longa órbita. Seu movimento de rotação é relativamente rápido, com um dia correspondente a aproximadamente 22 horas e meia.
Tamanho e formato
Makemake possui diâmetro aproximado de 1.430 quilômetros, correspondendo a pouco mais da metade do diâmetro de Plutão. É um dos maiores objetos conhecidos do Cinturão de Kuiper e apresenta tamanho significativamente menor do que o da Lua terrestre.
Sua massa é suficiente para que a própria gravidade tenha modelado o corpo em uma forma aproximadamente esférica. Essa característica constitui um dos critérios utilizados para classificar um objeto como planeta anão.
Superfície e composição
A superfície de Makemake apresenta coloração avermelhada ou marrom-avermelhada. Essa tonalidade pode estar relacionada à presença de compostos orgânicos complexos formados pela ação da radiação solar sobre substâncias congeladas.
Observações realizadas com telescópios indicam que sua superfície é coberta principalmente por gelo de metano. Também foram identificados compostos como etano e possíveis concentrações de metanol e outros hidrocarbonetos.
Devido à enorme distância em relação ao Sol, as temperaturas superficiais são extremamente baixas, geralmente próximas de −240 °C. Nessas condições, substâncias que se apresentam como gases na Terra permanecem congeladas sobre a superfície.
A presença de metano congelado faz de Makemake um objeto importante para o estudo dos materiais voláteis existentes nas regiões externas do Sistema Solar. Esses elementos podem fornecer informações sobre a composição química presente durante a formação dos planetas.
Atmosfera e presença de gás
Durante muito tempo, os astrônomos consideraram que Makemake não possuía uma atmosfera significativa. Observações de ocultações estelares, fenômeno ocorrido quando o planeta anão passa diante de uma estrela distante, não haviam identificado uma camada atmosférica comparável à existente em Plutão.
Entretanto, observações realizadas pelo Telescópio Espacial James Webb revelaram, em 2025, evidências da presença de metano em estado gasoso acima da superfície. Essa descoberta indicou que Makemake pode não ser um corpo completamente inativo.
Os pesquisadores ainda discutem a origem desse gás. Uma possibilidade é que o metano congelado passe diretamente do estado sólido para o gasoso, processo conhecido como sublimação. Outra hipótese considera a existência de emissões localizadas provenientes do interior do planeta anão.
Caso Makemake possua uma atmosfera, ela seria extremamente tênue e apresentaria pressão muito inferior à da atmosfera terrestre. Novas observações serão necessárias para determinar se o gás forma uma camada permanente ou se é liberado temporariamente por determinadas regiões da superfície.
Satélite natural
Makemake possui um satélite natural conhecido provisoriamente como MK 2. Sua designação oficial é S/2015 (136472) 1, embora ele ainda não tenha recebido um nome definitivo.
O satélite foi identificado em imagens obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble em abril de 2015, e sua descoberta foi anunciada em 2016. MK 2 possui aproximadamente 160 quilômetros de diâmetro e orbita Makemake a uma distância estimada em cerca de 21 mil quilômetros.
A superfície do satélite parece ser muito mais escura do que a de Makemake. Essa diferença pode ocorrer porque sua gravidade é insuficiente para manter materiais voláteis, como o metano, que poderiam refletir maior quantidade de luz solar.
O estudo da órbita de MK 2 permite aos cientistas calcular com maior precisão a massa e a densidade de Makemake. Esses dados ajudam a determinar a proporção de rochas e gelo existente em seu interior.
Formação
Makemake provavelmente se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos, no mesmo período em que surgiram o Sol e os planetas. Sua origem está relacionada ao disco de gás, poeira e gelo que envolvia o jovem Sol.
Nas regiões mais afastadas e frias desse disco, pequenos fragmentos congelados começaram a se unir por meio da ação da gravidade. Ao longo do tempo, essas colisões formaram corpos maiores, entre os quais os atuais objetos do Cinturão de Kuiper.
Makemake não conseguiu crescer o suficiente para se transformar em um planeta de grandes dimensões. Sua composição preserva materiais muito antigos, tornando-o uma espécie de registro das condições existentes nas áreas externas do Sistema Solar primitivo.
Possibilidade de vida
As condições conhecidas em Makemake são extremamente desfavoráveis ao desenvolvimento da vida semelhante à terrestre. A temperatura muito baixa, a reduzida energia recebida do Sol e a aparente ausência de água líquida na superfície tornam improvável a existência de organismos.
Contudo, ainda existem dúvidas sobre sua estrutura interna. Alguns modelos científicos consideram a possibilidade de que planetas anões do Cinturão de Kuiper tenham experimentado períodos de aquecimento interno causado pela decomposição de elementos radioativos.
Não existem evidências de vida em Makemake. As pesquisas sobre seu interior e sobre a possível liberação de metano procuram compreender processos geológicos e químicos, e não confirmar a existência de organismos.
Exploração espacial
Até o momento, nenhuma sonda espacial visitou Makemake. Quase todas as informações disponíveis foram obtidas por meio de telescópios terrestres e observatórios espaciais, como o Hubble e o James Webb.
Uma missão até esse planeta anão enfrentaria grandes dificuldades técnicas. Sua enorme distância exigiria uma viagem de muitos anos, além de sistemas capazes de funcionar com pouca energia solar e de transmitir informações através de bilhões de quilômetros.
O estudo direto de Makemake permitiria examinar sua superfície, medir sua composição, investigar a presença de uma atmosfera e observar seu satélite natural. Apesar do interesse científico, ainda não existe uma missão oficialmente programada para explorá-lo.
Importância científica
Makemake possui grande importância para a compreensão do Cinturão de Kuiper e da formação do Sistema Solar. Sua composição fornece indícios sobre os materiais presentes nas regiões mais frias do disco que deu origem aos planetas.
A descoberta desse planeta anão também contribuiu para a revisão das classificações astronômicas. Makemake, Éris, Haumea e outros grandes objetos transnetunianos demonstraram que existiam vários corpos semelhantes a Plutão, influenciando a criação da categoria dos planetas anões.
Pesquisas recentes sobre a presença de metano gasoso sugerem que Makemake pode apresentar processos mais dinâmicos do que se imaginava. O planeta anão deixou de ser visto apenas como um corpo congelado e inerte, passando a ser estudado como um mundo capaz de apresentar transformações químicas, atividade superficial e possível liberação de materiais voláteis.
Principais dados astronômicos de Makemake
Nome oficial: (136472) Makemake.
Classificação: planeta anão e objeto transnetuniano.
Localização: Cinturão de Kuiper, região do Sistema Solar situada além da órbita de Netuno.
Diâmetro aproximado: 1.430 quilômetros, dimensão equivalente a cerca de 11% do diâmetro da Terra.
Formato: aproximadamente esférico, resultado da ação de sua própria gravidade.
Distância média do Sol: cerca de 6,8 bilhões de quilômetros, correspondentes a aproximadamente 45,5 unidades astronômicas. Uma unidade astronômica equivale à distância média entre a Terra e o Sol.
Período de translação: aproximadamente 305 anos terrestres para completar uma órbita ao redor do Sol.
Período de rotação: cerca de 22 horas e 30 minutos. Algumas medições indicam que esse valor ainda apresenta incertezas, podendo corresponder a aproximadamente 11 horas e 24 minutos.
Velocidade orbital média: aproximadamente 4,4 quilômetros por segundo.
Inclinação da órbita: cerca de 29 graus em relação ao plano da órbita terrestre.
Excentricidade orbital: aproximadamente 0,16, indicando uma órbita moderadamente elíptica.
Distância mínima do Sol: cerca de 38,1 unidades astronômicas, ou aproximadamente 5,7 bilhões de quilômetros.
Distância máxima do Sol: aproximadamente 52,8 unidades astronômicas, equivalentes a cerca de 7,9 bilhões de quilômetros.
Temperatura média da superfície: aproximadamente −240 °C, podendo variar de acordo com a distância em relação ao Sol.
Composição da superfície: predominância de metano congelado, com presença de etano, compostos orgânicos e possíveis quantidades de nitrogênio, metanol e outros hidrocarbonetos.
Coloração: superfície avermelhada ou castanho-avermelhada, provavelmente em razão da presença de compostos orgânicos modificados pela radiação solar.
Albedo: aproximadamente 0,77, o que significa que Makemake reflete cerca de 77% da luz solar recebida. Por essa razão, é um dos objetos mais brilhantes do Cinturão de Kuiper.
Gravidade superficial estimada: cerca de 0,5 metro por segundo ao quadrado, equivalente a aproximadamente 5% da gravidade terrestre.
Velocidade de escape estimada: cerca de 0,8 quilômetro por segundo.
Massa estimada: aproximadamente 3,1 × 10²¹ quilogramas, correspondentes a cerca de 0,05% da massa da Terra.
Densidade estimada: aproximadamente 2,1 gramas por centímetro cúbico. Esse valor sugere uma composição formada pela combinação de materiais rochosos e gelos.
Satélites naturais conhecidos: um.
Nome provisório do satélite: S/2015 (136472) 1, conhecido como MK 2.
Diâmetro estimado de MK 2: aproximadamente 160 quilômetros.
Distância aproximada entre MK 2 e Makemake: cerca de 21 mil quilômetros.
Anéis: nenhum sistema de anéis foi identificado até o momento.
Atmosfera: não apresenta uma atmosfera densa. Pode possuir uma camada extremamente tênue e temporária de gases, formada principalmente pela sublimação do metano congelado.
Tempo de viagem da luz solar: a luz do Sol leva aproximadamente 6 horas e 20 minutos para alcançar Makemake quando ele se encontra próximo de sua distância média.
Data da descoberta: 31 de março de 2005.
Descobridores: Michael Brown, Chad Trujillo e David Rabinowitz.
Reconhecimento como planeta anão: julho de 2008.
Posição entre os planetas anões: é um dos cinco planetas anões oficialmente reconhecidos pela União Astronômica Internacional e o quarto maior em diâmetro.
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| Imagem (modelo em 3D) de Makemake feita pela NASA |
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| Makemake: imagem feita pelo telescópio Hubble. |
Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)
Atualizado em 13/07/2026
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Makemake
https://science.nasa.gov/dwarf-planets/makemake/
BRETONES, Paulo Sérgio. Os segredos do Sistema Solar (Projeto Ciência). São Paulo: Atual, 2017.