Planeta Plutão


 

Descoberta e classificação inicial


Plutão foi descoberto em 18 de fevereiro de 1930 pelo astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh no Observatório Lowell, localizado no estado do Arizona, Estados Unidos. A busca por esse corpo celeste fazia parte de uma tentativa de encontrar o chamado “Planeta X”, cuja existência havia sido sugerida pelo astrônomo Percival Lowell no início do século XX, com base em supostas irregularidades observadas nas órbitas de Urano e Netuno.

Após a descoberta, Plutão foi oficialmente classificado como o nono planeta do Sistema Solar. Durante grande parte do século XX, entre 1930 e 2006, os livros de Astronomia apresentavam Plutão como o planeta mais distante do Sol. Contudo, desde o início de sua observação, já havia dúvidas entre cientistas sobre suas dimensões e sua natureza, pois ele se mostrava muito menor do que os demais planetas conhecidos.



Origem do nome


O nome Plutão foi sugerido por Venetia Burney, uma estudante britânica de 11 anos, poucos dias após o anúncio da descoberta do novo astro em 1930. A proposta fazia referência a Plutão, o deus romano do mundo subterrâneo, equivalente ao Hades da Mitologia Grega. A escolha também tinha relação simbólica com a grande distância do objeto em relação ao Sol, situando-se em uma região escura e fria do Sistema Solar.

Outro fator que contribuiu para a aceitação do nome foi a coincidência com as iniciais P e L, que homenageavam Percival Lowell, astrônomo responsável por iniciar as pesquisas que levaram à descoberta do corpo celeste.



Localização no Sistema Solar


Plutão localiza-se na região externa do Sistema Solar, além da órbita de Netuno. Ele faz parte de uma grande área chamada Cinturão de Kuiper, uma região repleta de corpos gelados composta por milhares de objetos astronômicos formados principalmente por gelo, rochas e compostos voláteis.

O Cinturão de Kuiper começou a ser identificado teoricamente em meados do século XX, especialmente a partir das propostas do astrônomo Gerard Kuiper em 1951. A descoberta de diversos objetos semelhantes a Plutão, especialmente a partir da década de 1990, levou os cientistas a perceber que ele não era um corpo isolado, mas apenas um dos maiores integrantes dessa vasta região.



Características físicas de Plutão


Plutão possui características bastante diferentes dos planetas clássicos do Sistema Solar. Trata-se de um corpo celeste relativamente pequeno, composto principalmente por gelo e rochas.


Entre suas principais características físicas destacam-se:


- Diâmetro: aproximadamente 2.376 quilômetros.

- Massa: cerca de 0,2 por cento da massa da Terra.

- Temperatura média: aproximadamente −229 °C.

- Distância média do Sol: cerca de 5,9 bilhões de quilômetros.

- Duração do dia: aproximadamente 6 dias e 9 horas terrestres.

- Duração do ano: cerca de 248 anos terrestres para completar uma órbita ao redor do Sol.


A superfície de Plutão apresenta grandes planícies congeladas, montanhas de gelo e regiões formadas por nitrogênio, metano e monóxido de carbono congelados. Observações modernas revelaram uma geografia surpreendentemente variada para um corpo de pequeno tamanho.



A órbita de Plutão


A órbita de Plutão é bastante incomum quando comparada à dos outros planetas. Enquanto a maioria dos planetas possui órbitas quase circulares e alinhadas ao plano principal do Sistema Solar, Plutão apresenta duas características peculiares:

Inclinação orbital: sua órbita possui uma inclinação de cerca de 17 graus em relação ao plano orbital dos demais planetas.

Excentricidade elevada: sua órbita é bastante alongada, o que faz com que sua distância ao Sol varie consideravelmente ao longo de sua trajetória.

Entre 1979 e 1999, por exemplo, Plutão chegou a ficar temporariamente mais próximo do Sol do que Netuno, algo que não representa risco de colisão, pois suas órbitas estão sincronizadas gravitacionalmente.



Satélites naturais (luas) de Plutão


Plutão possui cinco satélites naturais conhecidos. O maior deles é Caronte, descoberto em 1978 pelo astrônomo James Christy. Caronte possui cerca de metade do diâmetro de Plutão, o que faz com que o sistema seja considerado por alguns cientistas como um sistema binário.

Os cinco satélites de Plutão são:


- Caronte (descoberto em 1978).

- Nix (descoberto em 2005).

- Hidra (descoberto em 2005).

- Kerberos (descoberto em 2011).

- Styx (descoberto em 2012).


Caronte exerce forte influência gravitacional sobre Plutão. Ambos orbitam um ponto comum localizado fora da superfície de Plutão, o que é incomum entre planetas e suas luas.



A redefinição de planeta em 2006


No início do século XXI, novas descobertas no Cinturão de Kuiper trouxeram um grande debate científico sobre a classificação de Plutão. Em 2005, foi descoberto o objeto Eris, um corpo celeste com dimensões semelhantes ou até ligeiramente maiores que Plutão.

Diante dessa situação, a União Astronômica Internacional (IAU), durante uma assembleia realizada em 24 de agosto de 2006 em Praga, estabeleceu uma nova definição para o termo “planeta”.


Segundo essa definição, um planeta deve cumprir três critérios:

- Orbitar o Sol.

- Possuir massa suficiente para ter forma aproximadamente esférica.

- Ter limpado a região de sua órbita, dominando gravitacionalmente o espaço ao seu redor.


Plutão atende aos dois primeiros critérios, mas não ao terceiro, pois compartilha sua região orbital com numerosos objetos do Cinturão de Kuiper. Por esse motivo, em 2006 ele foi reclassificado como planeta anão.



Planetas anões do Sistema Solar


A partir da nova classificação estabelecida em 2006, Plutão passou a integrar uma categoria chamada planetas anões. Atualmente, cinco corpos do Sistema Solar são oficialmente classificados nessa categoria:

- Ceres (localizado no Cinturão de Asteroides).

- Plutão

- Haumea

- Makemake

- Eris

Esses objetos possuem forma aproximadamente esférica, mas não dominam gravitacionalmente suas órbitas, o que os diferencia dos oito planetas principais do Sistema Solar.



Exploração espacial de Plutão


Durante muitas décadas, Plutão permaneceu um dos corpos celestes menos conhecidos do Sistema Solar, pois sua enorme distância dificultava observações detalhadas. A situação mudou em 2015 com a missão espacial New Horizons.

A sonda New Horizons, lançada pela NASA em 19 de janeiro de 2006, realizou o primeiro sobrevoo de Plutão em 14 de julho de 2015. Esse encontro histórico permitiu a obtenção de imagens detalhadas da superfície do planeta anão.


Entre as descobertas mais importantes feitas pela missão destacam-se:

- A presença da planície Sputnik Planitia, uma vasta região composta principalmente por gelo de nitrogênio.

- A existência de montanhas de gelo com vários quilômetros de altura.

- Indícios de atividade geológica relativamente recente.

- Possíveis camadas internas de gelo e rocha.


Essas observações mostraram que Plutão é um corpo celeste muito mais dinâmico e complexo do que se imaginava anteriormente.



Importância científica de Plutão


Apesar de sua reclassificação em 2006, Plutão continua sendo um objeto de grande importância para a Astronomia. O estudo desse planeta anão permite compreender melhor a formação e a evolução das regiões externas do Sistema Solar.

Os corpos do Cinturão de Kuiper são considerados remanescentes primitivos da formação do Sistema Solar, ocorrida há cerca de 4,6 bilhões de anos. Dessa forma, o estudo de Plutão oferece pistas valiosas sobre as condições existentes no período inicial da formação dos planetas.

Além disso, as descobertas realizadas pela missão New Horizons ampliaram significativamente o conhecimento sobre objetos gelados do Sistema Solar exterior, contribuindo para novas pesquisas em Astronomia Planetária.

 

Imagem do planeta anão Plutão

Imagem de Plutão

 

 


 

RESUMO

 


Descoberta de Plutão

• 1930: descoberto pelo astrônomo Clyde Tombaugh no Observatório Lowell, nos Estados Unidos.
• Inicialmente classificado como o nono planeta do Sistema Solar.
• Nome inspirado no deus romano do mundo subterrâneo, sugerido pela estudante Venetia Burney.


Localização no Sistema Solar

• Situado além da órbita de Netuno, na região externa do Sistema Solar.
• Faz parte do Cinturão de Kuiper, área composta por milhares de corpos gelados.
• Região considerada remanescente da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos.


Principais características físicas:

• Diâmetro: cerca de 2.376 km.
• Composição: mistura de gelo e rochas.
• Temperatura média: aproximadamente −229 °C.
• Ano plutoniano: cerca de 248 anos terrestres.
• Superfície com planícies congeladas, montanhas de gelo e depósitos de nitrogênio e metano.


Órbita de Plutão

• Órbita inclinada cerca de 17 graus em relação ao plano dos planetas.
• Trajetória bastante alongada (órbita excêntrica).
• Entre 1979 e 1999 ficou temporariamente mais próximo do Sol do que Netuno.


Satélites naturais:

• Possui cinco luas conhecidas.
• Caronte: maior satélite, descoberto em 1978, com forte interação gravitacional com Plutão.
• Outros satélites: Nix, Hidra, Kerberos e Styx.


Reclassificação como planeta anão

• 2006: União Astronômica Internacional redefiniu o conceito de planeta.
• Plutão não cumpre o critério de limpar a região de sua órbita.
• Passou a ser classificado como planeta anão.


Exploração espacial

• 2006: lançamento da sonda New Horizons pela NASA.
• 2015: primeiro sobrevoo de Plutão realizado pela sonda.
• Descobertas importantes: planície Sputnik Planitia, montanhas de gelo e sinais de atividade geológica.


Importância científica

• Permite compreender melhor a formação do Sistema Solar.
• Estudo dos objetos do Cinturão de Kuiper ajuda a entender os primeiros estágios da formação planetária.
• Observações recentes revelam que Plutão possui geologia mais ativa do que se imaginava.

 

Infográfico sobre o planeta anão Plutão com informações importantes
Infográfico sobre o planeta anão Plutão com informações importantes

 

 


 

Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)

12/03/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

STUART, Colin. A História do Universo para quem tem pressa: Do Big Bang às mais recentes descobertas da astronomia!. Rio de Janeiro: Valentina, 2018.

 

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Por Que Plutão Não É Mais Um Planeta? - CANAL INCRÍVEL


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