Quem são os iorubás e onde vivem
Os iorubás são um grupo étnico da África Ocidental que habita principalmente partes da Nigéria, Benin e Togo. Esta região, muitas vezes referida coletivamente como Iorubalândia, é o lar de mais de 20 milhões de integrantes do povo iorubá. São um dos três maiores grupos étnicos da Nigéria, concentrados na parte sudoeste do país. Grupos mais pequenos e dispersos de iorubás também vivem no Benim e no norte do Togo.
Características sociais, econômicas e políticas dos iorubás
A sociedade iorubá é diversa em sua organização social e política, mas compartilha muitas características básicas. A herança e a sucessão baseiam-se na descendência patrilinear; os membros da patrilinhagem vivem juntos sob a autoridade de um chefe, partilham certos nomes e tabus, adoram a sua própria divindade e têm direitos sobre as terras da linhagem.
Economicamente, a maioria dos homens iorubás são agricultores, cultivando inhame, milho (milho) e milho-miúdo como alimentos básicos e banana-da-terra, amendoim (amendoim), feijão e ervilha como culturas subsidiárias; o cacau é uma importante cultura comercial. As mulheres realizam pouco trabalho agrícola, mas controlam grande parte do complexo sistema de mercado – o seu estatuto depende mais da sua própria posição no mercado do que do estatuto dos seus maridos. Os iorubás têm estado tradicionalmente entre os artesãos mais qualificados e produtivos de África, trabalhando em ofícios como a ferraria, a tecelagem, o trabalho em couro, o fabrico de vidro e a escultura em marfim e madeira.
Língua Iorubá
O iorubá, também conhecido como Èdè Yorùbá, é uma língua falada na África Ocidental, principalmente no sudoeste e centro da Nigéria. É falado pelo povo da etnia iorubá. O número de falantes de iorubá é de aproximadamente 47 milhões, incluindo cerca de 2 milhões de falantes de uma segunda língua. Sendo uma língua pluricêntrica, é falada principalmente numa área dialetal que abrange a Nigéria, o Benim e o Togo.
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| Grupo cultural de jovens e crianças iorubás (foto da década de 1990). |
Características da religião iorubá
A religião tradicional iorubá tem uma hierarquia elaborada de divindades, incluindo um criador supremo e cerca de 400 deuses e espíritos menores, a maioria dos quais estão associados aos seus próprios cultos e sacerdotes. A religião iorubá inclui o conceito de Ashe (Axé), uma poderosa força vital possuída tanto por humanos quanto por seres divinos. Portanto, o Axé é a energia encontrada em todas as coisas naturais. Assim como os santos católicos, os orixás iorubás funcionam como intermediários entre o homem e o criador supremo, e o resto do mundo divino.
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| Estátua da divindade iorubá Oduduwa. |
Mitologia Iorubá
A mitologia iorubá afirma que antes da criação da terra, o universo consistia em nada além da vasta extensão dos céus acima e de um deserto aquático abaixo. Neste estado primordial, os céus e as águas pantanosas estavam muito mais próximos do que estão agora. Olorun (também conhecido como Olodumare) – a divindade suprema da religião Iorubá residia no céu com os outros orixás e governava ambas as regiões. Eventualmente, a deusa primordial Olokun foi colocada no comando das águas pantanosas.
Os deuses iorubás são divididos em três categorias: divindades primordiais, divindades naturais e ancestrais divinizados. As divindades primordiais são os deuses mais antigos, anteriores à criação do mundo. Divindades naturais são deuses de forças naturais, como o clima e a vida vegetal. Por fim, os ancestrais divinizados são ex-humanos que se tornaram orixás ao morrer.
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| Arte iorubá: cabeça de bronze feita entre os séculos XIII e XIV. |
12 exemplos de divindades iorubás:
Na religião iorubá, também conhecida como Candomblé ou Umbanda em contextos brasileiros, existe uma rica mitologia e um panteão de divindades conhecidas como orixás. Os orixás são espíritos de natureza intermediária entre deidades e ancestrais, cada um com seu próprio domínio sobre aspectos da natureza e da vida humana.
1. Olorum (Olóòrun): divindade suprema, criador do céu e da terra e de todos os seres.
2. Iemanjá (Yemọja): representa as águas salgadas, protetora dos pescadores e da maternidade.
3. Ogum (Ọgún): orixá da guerra, do ferro e dos caminhos. É conhecido por sua força e coragem.
4. Oxóssi (Ọṣóòsi): representa a caça e da vida selvagem, protetor dos caçadores e das florestas.
5. Xangô (Ṣàngó): orixá da justiça e do fogo, associado ao trovão e ao sol.
6. Iansã (Yánsàn): orixá dos ventos e tempestades, conhecida por sua energia e vitalidade.
7. Obá (Obà): orixá do rio Obá, protetora das mulheres e da justiça.
8. Oxum (Ọsun): orixá das águas doces, associada à beleza, à riqueza e à maternidade.
9. Eshu ou Exu (Èṣù): orixá mensageiro e guardião dos templos e da comunicação entre os homens e os orixás.
10. Oko (Ọrìṣà Oko): orixá da agricultura e da colheita, protetor dos campos e das plantações.
11. Ayrà (Ayérà): orixá da terra e do cultivo, associado à riqueza e à prosperidade.
12. Logunedé (Logun Ede): Orixá jovem e impetuoso, filho de Oxóssi e de Iemanjá, conhecido por sua beleza e habilidade com arco e flecha.
* Esses orixás são cultuados em diversas formas de Candomblé e Umbanda, e cada um possui um complexo sistema de rituais, cantos e oferendas que visam manter a harmonia entre os seres humanos e os aspectos da natureza que eles representam.
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| Infográfico didático e resumido sobre os Iorubás. |
RESUMO
Origem e localização
• Os Iorubás formam um importante grupo étnico da África Ocidental, com presença histórica principalmente no território que corresponde atualmente ao sudoeste da Nigéria, além de regiões do Benim e do Togo.
• A formação da cultura iorubá ocorreu ao longo de vários séculos, especialmente entre os séculos XI e XIX, período em que se consolidaram cidades-estado organizadas politicamente.
• Atualmente, os iorubás constituem um dos maiores grupos étnicos da África, com milhões de descendentes também nas Américas devido à diáspora africana ocorrida entre os séculos XVI e XIX.
Formação histórica da civilização iorubá
• A sociedade iorubá desenvolveu-se a partir de antigos centros urbanos, com destaque para a cidade de Ilê-Ifé, considerada o principal centro religioso e cultural.
• A partir do século XII, Ilê-Ifé tornou-se um importante polo político e espiritual, sendo associada, nas tradições iorubás, ao local de origem da humanidade.
• Entre os séculos XV e XIX, várias cidades-estado iorubás foram formadas, como Oyo, Ifé, Ijebu e Ketu, cada uma com autonomia política, mas compartilhando língua, religião e tradições culturais semelhantes.
Organização política
• A organização política iorubá baseava-se em cidades-estado independentes governadas por reis chamados obás.
• O poder do obá não era absoluto, pois ele governava com o auxílio de conselhos de chefes e anciãos que participavam das decisões políticas e administrativas.
• O Império de Oyo destacou-se entre os séculos XVII e XVIII como uma das maiores potências políticas e militares da região da África Ocidental.
• Esse império possuía um sistema político estruturado com instituições que limitavam o poder do governante, demonstrando um modelo de equilíbrio entre autoridade real e participação da elite política.
Organização social
• A sociedade iorubá era organizada em clãs familiares extensos, nos quais os laços de parentesco tinham grande importância para a vida social e econômica.
• Os anciãos ocupavam posição de prestígio, pois eram considerados guardiões da tradição, da memória coletiva e das normas sociais.
• Existiam também divisões sociais relacionadas a atividades econômicas, funções religiosas e posições políticas dentro da comunidade.
Economia
• A economia iorubá era baseada principalmente na agricultura, com o cultivo de produtos como inhame, milho, mandioca e óleo de palma.
• O comércio também desempenhava papel importante, com mercados ativos nas cidades, onde eram trocados alimentos, tecidos, utensílios e objetos artesanais.
• As rotas comerciais ligavam os iorubás a outras regiões da África Ocidental, favorecendo trocas culturais e econômicas.
Religião
• A religião iorubá é caracterizada pelo culto a diversas divindades chamadas orixás, associadas a forças da natureza e aspectos da vida humana.
• Entre os principais orixás estão Xangô, ligado ao trovão e à justiça, Oxum, associada às águas doces e à fertilidade, e Ogum, relacionado ao ferro e à guerra.
• Existe também a crença em um ser supremo criador chamado Olodumarê ou Olorum, considerado a divindade máxima.
• Os sacerdotes e sacerdotisas desempenhavam papel central nos rituais religiosos, conduzindo cerimônias, oferendas e práticas divinatórias.
Cultura e arte
• A cultura iorubá destacou-se pelo desenvolvimento de esculturas em madeira, bronze e terracota, muitas delas associadas a rituais religiosos.
• As esculturas produzidas em Ilê-Ifé, datadas entre os séculos XII e XV, são consideradas algumas das mais refinadas obras da arte africana.
• A tradição oral também teve grande importância, transmitindo histórias, mitos e conhecimentos entre gerações.
• A música, a dança e os rituais religiosos formavam parte essencial das manifestações culturais iorubás.
Diáspora africana e presença nas Américas
• Entre os séculos XVI e XIX, muitos iorubás foram capturados e levados para as Américas durante o tráfico atlântico de africanos escravizados.
• No Brasil, especialmente na Bahia, esses grupos contribuíram significativamente para a formação cultural e religiosa da sociedade.
• Elementos da religião iorubá deram origem ou influenciaram religiões afro-brasileiras, como o Candomblé.
• A língua, os rituais, os mitos e os orixás foram preservados e adaptados nas comunidades afrodescendentes, tornando-se parte importante do patrimônio cultural brasileiro.
Importância histórica dos iorubás
• A civilização iorubá representa um dos mais importantes exemplos de organização urbana e cultural da África pré-colonial.
• Suas tradições religiosas, artísticas e políticas demonstram a diversidade e a complexidade das sociedades africanas antes da colonização europeia do século XIX.
• A influência iorubá permanece presente em diversas regiões do mundo, especialmente nas Américas, por meio da religião, da música, da culinária e das tradições culturais afrodescendentes.
Publicado em 09/05/2024. Atualizado em 08/03/2026
Por Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História pela USP)
Fonte de referência do artigo:
CAVALLARI, Alessandro. Mitologia Iorubá: Tradições, Orixás e Sincretismo nas Religiões Afro-Brasileiras: Dos Contos Sagrados à Resistência Cultural na Diáspora. Entre Mitos, História e Identidade.
Vídeo indicado no YouTube:
A História do Povo Iorubá na África e no Brasil - Canal Vieira Tiago