Quem foi
Milton Friedman foi um economista norte-americano, nascido em 31 de julho de 1912, no Brooklyn, em Nova York, e falecido em 16 de novembro de 2006, em São Francisco, na Califórnia. Ele foi um dos principais representantes do liberalismo econômico no século XX e se destacou por defender a liberdade de mercado, a redução da intervenção estatal na economia e o controle da inflação por meio da política monetária.
Friedman tornou-se conhecido como um dos líderes da chamada Escola de Chicago, corrente econômica associada à Universidade de Chicago. Suas ideias influenciaram profundamente debates sobre inflação, desemprego, política monetária, tributação, educação, previdência e papel do Estado. Em 1976, recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas por suas contribuições à análise do consumo, à teoria monetária e ao estudo da complexidade das políticas de estabilização econômica.
Biografia
Milton Friedman nasceu em uma família de imigrantes judeus originários da Europa Central. Seus pais, Sarah Ethel Landau e Jeno Saul Friedman, haviam migrado para os Estados Unidos antes de seu nascimento. A família tinha poucos recursos, mas valorizava a educação, o que favoreceu a formação intelectual de Friedman desde cedo.
Durante a juventude, Friedman estudou em escolas públicas e demonstrou grande habilidade em Matemática. Em 1932, formou-se pela Universidade Rutgers, onde teve contato com professores que o incentivaram a seguir carreira acadêmica em Economia. Depois disso, estudou na Universidade de Chicago, onde obteve o mestrado em 1933, e na Universidade Columbia, onde concluiu o doutorado em 1946.
Na década de 1930, período marcado pela Grande Depressão de 1929, Friedman iniciou sua trajetória profissional em órgãos públicos e instituições de pesquisa. Trabalhou em projetos ligados à estatística econômica e ao estudo da renda. Essas experiências influenciaram sua preocupação com dados empíricos, séries históricas e análise quantitativa dos fenômenos econômicos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945, Friedman atuou em pesquisas relacionadas à economia de guerra e à tributação. Nesse contexto, contribuiu para estudos sobre o imposto de renda retido na fonte, mecanismo que se tornou importante no sistema fiscal norte-americano. Após a guerra, consolidou sua carreira acadêmica e passou a ganhar destaque como pesquisador.
Em 1946, tornou-se professor da Universidade de Chicago, instituição em que permaneceu por cerca de três décadas. Nesse ambiente, Friedman ajudou a formar uma geração de economistas ligados à defesa dos mercados competitivos, da estabilidade monetária e da crítica ao intervencionismo estatal excessivo. A Universidade de Chicago tornou-se um centro de difusão de ideias econômicas liberais e monetaristas.
Friedman também teve intensa atuação pública. Escreveu livros, artigos, participou de programas de televisão e procurou divulgar ideias econômicas para além do meio universitário. Uma de suas obras mais conhecidas, "Capitalismo e Liberdade", publicada em 1962, apresentou sua defesa da relação entre liberdade econômica e liberdade política. Em 1980, publicou, com sua esposa Rose Friedman, "Livre para Escolher", obra que também foi adaptada para uma série televisiva.
Ao longo da vida, Friedman defendeu posições polêmicas em temas como educação, previdência, política antidrogas, serviço militar obrigatório e atuação dos bancos centrais. Embora fosse admirado por defensores do liberalismo econômico, também recebeu críticas de economistas e cientistas sociais que apontavam os limites sociais de políticas baseadas na redução do Estado e na ampliação da lógica de mercado.
Principais teorias e ideias econômicas:
Monetarismo: Friedman foi o principal formulador do monetarismo no século XX. Para ele, a quantidade de moeda em circulação tinha papel decisivo na determinação da inflação. Em sua interpretação, aumentos excessivos da oferta monetária tendiam a gerar elevação generalizada dos preços. Por isso, defendia que os bancos centrais deveriam controlar o crescimento da moeda de maneira estável e previsível.
Inflação como fenômeno monetário: uma de suas frases mais conhecidas afirma que a inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário. Com isso, Friedman queria dizer que aumentos persistentes de preços não poderiam ser explicados apenas por choques isolados ou por pressões específicas de custos, mas principalmente pela expansão contínua da quantidade de dinheiro acima do crescimento da produção.
Crítica ao keynesianismo: Friedman contestou a ideia de que o Estado poderia manter permanentemente altos níveis de emprego por meio de gastos públicos e estímulos à demanda. Ele argumentava que políticas expansionistas poderiam até produzir efeitos de curto prazo, mas, no longo prazo, tenderiam a gerar inflação sem reduzir de forma duradoura o desemprego. Essa crítica ganhou força especialmente durante a crise de estagflação dos anos 1970, marcada pela combinação de inflação elevada e baixo crescimento.
Taxa natural de desemprego: Friedman desenvolveu a ideia de que existe uma taxa natural de desemprego, determinada por fatores estruturais da economia, como qualificação da mão de obra, organização do mercado de trabalho, produtividade e instituições. Segundo ele, tentativas de reduzir o desemprego abaixo desse nível por meio de expansão monetária contínua resultariam em inflação crescente.
Expectativas adaptativas: Friedman destacou que trabalhadores, empresários e consumidores ajustam suas decisões com base na experiência passada. Se o governo tenta estimular a economia por meio de mais moeda e inflação, os agentes econômicos podem inicialmente reagir como se houvesse aumento real de renda. Porém, com o tempo, passam a incorporar a inflação esperada em salários, preços e contratos, reduzindo o efeito da política expansionista.
Teoria da renda permanente: Friedman formulou a teoria da renda permanente para explicar o comportamento do consumo. Segundo essa ideia, as pessoas não baseiam seus gastos apenas na renda recebida em determinado mês ou ano, mas em uma estimativa de sua renda média ao longo da vida. Assim, aumentos temporários de renda tendem a gerar menor impacto no consumo do que aumentos percebidos como permanentes.
Defesa do livre mercado: Friedman afirmava que mercados competitivos eram mais eficientes do que governos na alocação de recursos. Para ele, a liberdade de escolha dos consumidores e produtores permitiria maior inovação, produtividade e adaptação às necessidades sociais. Isso não significava ausência completa do Estado, mas sim um Estado limitado a funções consideradas essenciais, como garantia da lei, proteção da propriedade, defesa nacional e manutenção de regras gerais.
Crítica ao Estado intervencionista: Friedman via com desconfiança políticas de controle de preços, subsídios excessivos, empresas estatais e regulações amplas. Em sua interpretação, muitas intervenções produziam efeitos contrários aos pretendidos, como distorções nos preços, desperdício de recursos, redução da concorrência e ampliação do poder burocrático.
Educação por vouchers: Friedman defendeu a proposta de vouchers educacionais. Nesse modelo, o Estado financiaria diretamente os estudantes ou famílias, e não necessariamente as escolas públicas. As famílias poderiam escolher a instituição de ensino, pública ou privada, criando competição entre escolas. Seus críticos argumentam que esse modelo pode ampliar desigualdades, enquanto seus defensores afirmam que ele aumenta a liberdade de escolha e a eficiência.
Imposto de renda negativo: apesar de defender um Estado limitado, Friedman propôs o imposto de renda negativo como forma de combater a pobreza. A ideia consistia em garantir uma transferência de renda para pessoas abaixo de certo nível de rendimento, substituindo programas sociais fragmentados por um mecanismo mais simples. Essa proposta influenciou debates posteriores sobre renda mínima e políticas de transferência de renda.
Câmbio flexível: Friedman defendeu sistemas de câmbio flexível, nos quais o valor das moedas varia conforme a oferta e a demanda no mercado. Para ele, esse modelo seria mais eficiente do que taxas de câmbio fixas, pois permitiria ajustes automáticos diante de mudanças econômicas internacionais. Essa posição ganhou relevância após o enfraquecimento do sistema de Bretton Woods, criado em 1944 e encerrado na prática no início da década de 1970.
Crítica ao serviço militar obrigatório: Friedman também aplicou seus princípios liberais a temas não estritamente econômicos. Defendeu o fim do alistamento militar obrigatório nos Estados Unidos, argumentando que ele restringia a liberdade individual e funcionava como uma forma injusta de coerção estatal. Essa posição teve influência no debate que levou ao fim do serviço militar obrigatório norte-americano em 1973.
Crítica à redução do papel do Estado: muitos críticos afirmam que Friedman atribuiu confiança excessiva aos mercados e subestimou a importância do Estado na redução das desigualdades sociais. Para esses críticos, políticas públicas em áreas como saúde, educação, previdência, moradia e proteção ao trabalho são fundamentais para corrigir problemas que o mercado, sozinho, não resolve de maneira adequada.
Crítica ao monetarismo: economistas contrários ao monetarismo argumentam que controlar apenas a quantidade de moeda não é suficiente para garantir estabilidade econômica. Em muitos contextos, a inflação pode estar relacionada a fatores como choques de oferta, aumento de preços internacionais, crises energéticas, conflitos geopolíticos, desvalorização cambial e problemas produtivos. Assim, a explicação monetária seria importante, mas insuficiente para compreender todos os tipos de inflação.
Crítica à ideia de que a inflação é sempre monetária: a frase de Friedman de que a inflação é sempre um fenômeno monetário recebeu muitas objeções. Críticos apontam que aumentos de preços podem ocorrer por causas variadas, como alta do petróleo, problemas climáticos que afetam alimentos, interrupções nas cadeias produtivas ou elevação de custos de importação. Nesses casos, a emissão de moeda pode agravar o problema, mas não necessariamente ser sua origem principal.
Crítica à taxa natural de desemprego: a teoria da taxa natural de desemprego foi questionada por economistas que consideram o desemprego também resultado de decisões políticas, crises econômicas e falta de investimento. Para esses críticos, aceitar uma taxa “natural” de desemprego pode levar governos a tolerar níveis elevados de exclusão social, em vez de adotar políticas públicas voltadas à geração de empregos e à qualificação profissional.
Crítica à rejeição de políticas keynesianas: Friedman criticou o uso de gastos públicos para estimular a economia, mas muitos economistas defendem que políticas keynesianas são necessárias em períodos de crise. Em situações de recessão, quando empresas reduzem investimentos e famílias diminuem o consumo, o Estado pode atuar para sustentar a demanda, preservar empregos e evitar agravamento da crise. A crise financeira de 2008 reforçou, para muitos críticos de Friedman, a importância da intervenção estatal em momentos de instabilidade.
Crítica à defesa ampla do livre mercado: muitos críticos afirmam que mercados não funcionam sempre de forma eficiente ou justa. Existem situações de monopólio, concentração econômica, assimetria de informação, exploração trabalhista e degradação ambiental. Nesses casos, a ausência de regulação pode beneficiar grandes empresas e prejudicar consumidores, trabalhadores e comunidades.
Crítica à desregulamentação econômica: a defesa de Friedman por menor intervenção estatal foi associada, por seus críticos, a processos de desregulamentação que ampliaram riscos econômicos. Em setores como o financeiro, a redução de controles pode favorecer especulação, endividamento excessivo e crises bancárias. Para esses críticos, a regulação não deve ser vista apenas como obstáculo ao mercado, mas também como mecanismo de proteção contra abusos e instabilidades.
Crítica às privatizações: Friedman defendia que empresas privadas tendem a ser mais eficientes que empresas estatais, mas críticos apontam que privatizações podem gerar aumento de tarifas, redução do acesso a serviços essenciais e concentração de poder econômico. Em áreas como energia, saneamento, transporte e saúde, muitos defendem que a lógica do lucro pode entrar em conflito com o interesse público.
Crítica aos vouchers educacionais: a proposta de vouchers foi criticada por educadores e especialistas em políticas públicas. Para seus críticos, esse modelo pode enfraquecer a escola pública, direcionar recursos para instituições privadas e ampliar desigualdades entre famílias com maior ou menor capacidade de escolha. Também há o argumento de que a educação não deve ser tratada apenas como serviço de mercado, pois possui função social, cultural e democrática.
Crítica ao imposto de renda negativo: embora o imposto de renda negativo tenha sido visto como uma proposta social dentro do pensamento de Friedman, alguns críticos afirmam que ele poderia substituir políticas públicas mais amplas por uma transferência mínima de renda. Nessa visão, o combate à pobreza exigiria não apenas renda complementar, mas também acesso universal a serviços de qualidade, direitos trabalhistas, moradia, saúde e educação.
Crítica à relação entre liberdade econômica e liberdade política: Friedman defendia que a liberdade econômica favorecia a liberdade política. Críticos afirmam que essa relação não é automática. Uma economia de mercado pode coexistir com autoritarismo político, concentração de renda e exclusão social. Para esses críticos, a liberdade política depende também de participação democrática, direitos sociais, igualdade jurídica e limites ao poder econômico privado.
Crítica à aplicação de suas ideias em governos neoliberais: as ideias de Friedman influenciaram políticas econômicas adotadas a partir dos anos 1970 e 1980, especialmente em contextos de liberalização, privatização e redução do Estado. Críticos associam essas políticas ao aumento da desigualdade, à precarização do trabalho e ao enfraquecimento de serviços públicos. Seus defensores, por outro lado, afirmam que essas medidas ajudaram a controlar a inflação e modernizar economias. A crítica central está no custo social dessas reformas.
Crítica à experiência chilena: uma das críticas mais frequentes envolve a influência de economistas ligados à Escola de Chicago no Chile durante a ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 1973. Críticos afirmam que reformas econômicas inspiradas em ideias liberais foram aplicadas em um regime autoritário, sem participação democrática plena. Essa associação gerou intenso debate sobre os limites éticos e políticos da aplicação de políticas de mercado em contextos de repressão.
Crítica à desigualdade social: muitos críticos sustentam que as ideias de Friedman favoreceram políticas que ampliaram desigualdades. A redução de impostos sobre setores de maior renda, o enfraquecimento de políticas redistributivas e a flexibilização trabalhista poderiam beneficiar grupos econômicos mais fortes, enquanto trabalhadores e populações vulneráveis ficariam mais expostos às oscilações do mercado.
Crítica à visão sobre sindicatos: Friedman via sindicatos com cautela, pois acreditava que eles poderiam distorcer o funcionamento do mercado de trabalho. Críticos, porém, afirmam que sindicatos são importantes para equilibrar a relação entre empregadores e trabalhadores. Sem organização coletiva, os trabalhadores podem ter menor capacidade de negociar salários, jornadas e condições de trabalho.
Crítica ambiental: o pensamento de Friedman foi criticado por dar pouca atenção aos limites ecológicos da atividade econômica. Mercados podem não considerar adequadamente custos ambientais, como poluição, desmatamento, emissão de gases de efeito estufa e degradação de recursos naturais. Para críticos ambientalistas, a regulação estatal é necessária para impedir que empresas transfiram custos ambientais para a sociedade.
Crítica à confiança na racionalidade individual: Friedman valorizava a liberdade de escolha dos indivíduos, mas críticos afirmam que consumidores e trabalhadores nem sempre possuem informações completas para tomar decisões plenamente racionais. Empresas podem manipular informações, publicidade e contratos, criando relações desiguais. Por isso, a proteção ao consumidor e a regulação de mercados seriam necessárias.
Crítica à simplificação dos problemas sociais: alguns críticos afirmam que Friedman tratou muitos problemas sociais como questões de eficiência econômica e escolha individual. Essa abordagem, segundo eles, pode ignorar fatores históricos, culturais e estruturais, como racismo, desigualdade de gênero, concentração fundiária, heranças coloniais e diferenças regionais. Assim, políticas baseadas apenas no mercado poderiam não enfrentar causas profundas da pobreza e da exclusão.
Crítica à política monetária rígida: a defesa de regras monetárias estáveis foi criticada por economistas que consideram necessária maior flexibilidade em momentos de crise. Em situações excepcionais, como depressões econômicas, pandemias ou colapsos financeiros, bancos centrais podem precisar agir de forma rápida e ampla, expandindo crédito, reduzindo juros e comprando ativos. Uma regra monetária muito rígida poderia limitar a capacidade de resposta das autoridades econômicas.
Crítica ao enfraquecimento da proteção social: muitos críticos associam o pensamento de Friedman a uma visão que reduz a responsabilidade coletiva sobre problemas sociais. Para eles, uma sociedade democrática não deve depender apenas de escolhas individuais e competição de mercado, mas também de mecanismos de solidariedade, seguridade social e garantia de direitos básicos. Essa crítica aparece principalmente em debates sobre previdência, saúde, educação e assistência social.
Principais obras:
"Essays in Positive Economics" (1953): nessa obra, Milton Friedman defendeu a chamada economia positiva, isto é, uma economia voltada à descrição e explicação dos fatos econômicos, sem depender diretamente de julgamentos morais ou políticos. O livro tornou-se importante pelo ensaio "The Methodology of Positive Economics", no qual Friedman argumentou que uma teoria econômica deveria ser avaliada principalmente por sua capacidade de prever fenômenos, e não apenas pelo realismo de suas hipóteses.
"A Theory of the Consumption Function" (1957): nessa obra, Friedman apresentou sua teoria da renda permanente. Ele questionou a ideia de que o consumo dependia apenas da renda corrente e defendeu que as pessoas tomam decisões de gasto considerando uma expectativa de renda ao longo da vida. O livro teve grande impacto na Macroeconomia, pois modificou a forma como economistas compreendiam a relação entre renda, poupança e consumo.
"Capitalismo e liberdade" (1962): essa é uma das obras mais conhecidas de Friedman. Nela, o autor defendeu que a liberdade econômica é uma condição importante para a liberdade política. O livro apresenta críticas à intervenção estatal excessiva, aos controles de preços, à regulação ampla da economia e ao crescimento do Estado. Também aborda temas como educação, política monetária, distribuição de renda, monopólios, licenciamento profissional e papel do governo em uma sociedade livre.
"A Monetary History of the United States, 1867–1960" (1963): escrita em parceria com Anna J. Schwartz, essa obra é considerada uma das principais contribuições de Friedman à teoria monetária. O livro analisa a história monetária dos Estados Unidos entre 1867 e 1960, defendendo que erros do Federal Reserve tiveram papel decisivo no agravamento da Grande Depressão de 1929. Para Friedman e Schwartz, a contração da oferta de moeda transformou uma crise econômica grave em uma depressão prolongada.
"Price Theory: A Provisional Text" (1962): essa obra reúne exposições de Friedman sobre teoria dos preços, tema central da Microeconomia. O livro explica como preços, oferta, demanda, custos, lucros e escolhas individuais funcionam em mercados competitivos. A obra mostra a importância que Friedman atribuía ao sistema de preços como mecanismo de coordenação econômica, capaz de orientar produtores e consumidores sem necessidade de planejamento estatal centralizado.
"The Optimum Quantity of Money and Other Essays" (1969): nessa coletânea, Friedman aprofundou suas reflexões sobre moeda, inflação e política monetária. O ensaio que dá título ao livro discute qual seria a quantidade ideal de moeda em uma economia. A obra também reforça sua crítica à instabilidade causada por políticas monetárias mal conduzidas e sua defesa de regras mais previsíveis para a atuação dos bancos centrais.
"There's No Such Thing as a Free Lunch" (1975): essa obra reúne textos de divulgação econômica escritos por Friedman. O título expressa uma de suas ideias mais conhecidas: toda política econômica possui custos, mesmo quando apresentada como benefício gratuito. O livro trata de temas como gastos públicos, impostos, inflação, controle estatal e liberdade individual, sempre com uma linguagem voltada ao debate público.
"Free to Choose" ou "Livre para escolher" (1980): escrita em parceria com Rose Friedman, sua esposa, essa obra ampliou a divulgação das ideias liberais de Friedman. O livro defende a liberdade de escolha dos indivíduos em áreas como consumo, educação, trabalho, previdência e organização econômica. A obra também critica a burocracia estatal e argumenta que muitas políticas governamentais acabam prejudicando justamente os grupos que pretendem ajudar.
"Monetary Trends in the United States and the United Kingdom" (1982): escrita em parceria com Anna J. Schwartz, essa obra compara a evolução monetária dos Estados Unidos e do Reino Unido. O livro reforça a tese monetarista de Friedman, segundo a qual mudanças na quantidade de moeda têm efeitos relevantes sobre preços, renda nominal e estabilidade econômica. A obra é mais técnica e voltada ao estudo histórico e estatístico da relação entre moeda e desempenho econômico.
"Tyranny of the Status Quo" (1984): escrita com Rose Friedman, essa obra analisa a resistência de instituições políticas e burocráticas às mudanças econômicas. Friedman argumenta que muitos programas governamentais continuam existindo mesmo quando produzem resultados insatisfatórios, porque beneficiam grupos organizados e criam dependência institucional. O livro critica a dificuldade de reformar o Estado e reduzir políticas consideradas ineficientes.
"Two Lucky People" (1998): essa obra é uma autobiografia escrita por Milton Friedman e Rose Friedman. O livro apresenta a trajetória pessoal, acadêmica e profissional do casal, incluindo a infância, a formação universitária, a carreira intelectual, os debates econômicos e as viagens internacionais. Também mostra como Milton Friedman construiu sua influência como professor, pesquisador e divulgador de ideias econômicas.
"Money Mischief: Episodes in Monetary History" (1992): nessa obra, Friedman escreveu sobre episódios históricos relacionados à moeda, inflação, sistemas monetários e crises econômicas. O livro tem caráter mais acessível e apresenta exemplos para demonstrar como decisões monetárias podem afetar profundamente sociedades e governos. A obra reforça sua ideia de que a má administração da moeda pode gerar instabilidade, inflação e perda de confiança econômica.
"Why Government Is the Problem" (1993): nessa obra curta, Friedman sintetiza sua crítica ao crescimento do Estado. Ele argumenta que muitas políticas públicas produzem efeitos indesejados porque concentram poder, reduzem a liberdade individual e enfraquecem os mecanismos de mercado. O texto expressa de forma direta sua defesa de um governo limitado e de maior autonomia para indivíduos, empresas e organizações privadas.
"Milton Friedman on Economics" (2007): publicada após sua morte, essa coletânea reúne textos importantes de Friedman sobre política econômica, moeda, inflação, mercado, Estado e liberdade. A obra permite acompanhar diferentes fases de seu pensamento e mostra como suas ideias foram aplicadas a debates acadêmicos e públicos ao longo do século XX.
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Milton Friedman: um dos principais nomes do neoliberlismo econômico do século XX. |
Legado
O legado de Milton Friedman é amplo e controverso. Ele foi um dos economistas mais influentes do século XX e teve papel decisivo na retomada das ideias liberais em um período em que o keynesianismo predominava nas políticas econômicas de muitos países. Suas críticas à intervenção estatal e sua defesa da estabilidade monetária influenciaram governos, bancos centrais e instituições internacionais.
Suas ideias ganharam força especialmente a partir dos anos 1970, quando diversas economias enfrentaram inflação elevada, desemprego e baixo crescimento. Nesse contexto, o monetarismo passou a ser visto por muitos formuladores de política econômica como alternativa às políticas keynesianas tradicionais. A preocupação com o controle da inflação tornou-se elemento central da atuação de vários bancos centrais.
Friedman também influenciou governos associados ao liberalismo econômico, como o de Margaret Thatcher no Reino Unido, iniciado em 1979, e o de Ronald Reagan nos Estados Unidos, iniciado em 1981. Em ambos os casos, houve valorização de políticas de redução de impostos, privatizações, desregulamentação e combate à inflação. No entanto, a aplicação prática dessas ideias variou conforme cada país e contexto histórico.
Sua obra contribuiu para transformar o debate sobre o papel do Estado. Para seus defensores, Friedman mostrou que a liberdade econômica é condição importante para a liberdade individual e para o dinamismo produtivo. Para seus críticos, suas propostas deram base a políticas que, em alguns casos, reduziram mecanismos de proteção social e ampliaram desigualdades.
No campo acadêmico, Friedman deixou contribuições relevantes para a teoria monetária, a análise do consumo e o estudo das expectativas econômicas. Sua insistência no uso de dados históricos e na verificação empírica marcou a pesquisa econômica. Mesmo entre economistas que discordam de suas conclusões, suas ideias permanecem fundamentais para compreender os debates econômicos contemporâneos.
Exemplos de frases:
- "A economia social de mercado é o único remédio". (apresentando solução para a crise chilena).
- "Acho que a solução do governo para um problema é usualmente tão ruim quanto o problema e muitas vezes torna o problema pior".
- "A inflação é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário".
- "Os governos nunca aprendem. Somente as pessoas aprendem".
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 09/06/2026
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Milton_Friedman
https://www.britannica.com/money/Milton-Friedman
Vídeo indicado no YouTube:
Milton Friedman | Capitalismo, Liberalismo, Liberdade, Estado, Crise de 1929 e Combate à Pobreza - Canal Se Liga - Enem e Vestibulares