Quando começou: contexto histórico
Na Inglaterra, o processo de Revolução Industrial teve início em meados do século XVIII, espalhando-se pela Europa neste mesmo período. O Brasil nesta época era colônia de Portugal e sofria os efeitos do Pacto Colonial imposto pela coroa portuguesa. Neste contexto, não era permitida abertura de indústrias no Brasil, cabendo aos colonos comprar os produtos manufaturados de Portugal.
No Brasil, a industrialização ocorreu mais tarde e de maneira gradual. Durante grande parte do século XIX, a economia brasileira permaneceu predominantemente agrária e exportadora, baseada principalmente em produtos como café, açúcar e algodão. Algumas fábricas surgiram nesse período, especialmente nos setores têxtil, alimentício e de bens de consumo, mas ainda não representavam uma transformação completa da estrutura econômica do país.
O crescimento industrial ganhou maior intensidade entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. O capital acumulado pela cafeicultura, a expansão das ferrovias, o crescimento das cidades, a imigração europeia e a formação de um mercado consumidor contribuíram para esse desenvolvimento.
A partir da década de 1930, principalmente durante os governos de Getúlio Vargas, a industrialização brasileira entrou em uma fase mais acelerada. O Estado passou a desempenhar papel importante na criação de infraestrutura e de indústrias de base. A Companhia Siderúrgica Nacional, criada em 1941, e a Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, são exemplos desse processo. Nas décadas seguintes, particularmente durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961), houve forte expansão das indústrias automobilística, química, mecânica e de bens de consumo duráveis.
O grande desenvolvimento industrial da década de 1930 e 1940
Foi com o final da República das Oligarquias que a indústria apresentou um grande avanço no Brasil. O governo de Getúlio Vargas, que teve início em 1930, incentivou o desenvolvimento do setor industrial nacional no país.
Foi a partir da década de 1930 que o Brasil começou a mudar seu modelo econômico de agrário-exportador para industrial.
Já no começo da década de 1940, ainda no governo Vargas, houve um forte incentivo industrial patrocinado pelo Estado com a criação de empresas estatais. Estas indústrias atuavam nos setores pesados, pois necessitavam de grandes investimentos. Como exemplos, podemos citar as seguintes empresas estatais que surgiram neste contexto:
• Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) – criada na cidade de Volta Redonda (RJ) em 1940, atuava na área de siderurgia.
• Companhia Vale do Rio Doce – criada em 1942, atuava na área de mineração.
• Fábrica Nacional de Motores – criada em 1943, atuava na área de mecânica pesada.
• Fábrica Nacional de Álcalis – fundada em 1943, atuava no setor químico.
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Indústria antiga de São Paulo: cidade foi o berço da industrialização do Brasil. |
Consequências da Revolução Industrial no Brasil:
1 - Efeitos econômicos e sociais positivos
Embora tardia, os efeitos da Revolução Industrial no Brasil foram positivas em muitos aspectos:
• Diminuição da dependência da importação de produtos manufaturados estrangeiros.
• Aumento da produção com diminuição de custos, barateando o preço final dos produtos.
• Geração de empregos na indústria.
• Organização dos trabalhadores da indústria em sindicatos, que passaram a lutar por melhores condições de trabalho, direitos e salários mais justos.
• Avanços nas áreas de transportes, iluminação urbana e infraestrutura.
2 - Efeitos negativos
• Aumento da poluição do ar e dos rios (muitas industriais passaram a jogar produtos químicos e lixo em rios e córregos).
• Crescimento desordenado dos centros urbanos com o êxodo rural e aumento da vinda de imigrantes para as grandes cidades.
• Uso de mão de obra infantil (na primeira etapa da industrialização).
Curiosidades históricas:
• Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, foi um dos pioneiros da industrialização do Brasil. É considerado o primeiro grande industrial brasileiro, sendo o responsável pela primeira fundição de ferro, primeira ferrovia e primeiro estaleiro do Brasil.
• A primeira indústria do Brasil foi a Fábrica de Ferro de Ipanema, instalada na então província de São Paulo em 1811, durante o reinado de Dom João VI. Esse empreendimento representou um marco na indústria brasileira, produzindo principalmente ferro para ser utilizado em diversas outras indústrias e construções.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 08/08/2026
Fontes de referência:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria_no_Brasil
PRADO JR., Caio. História econômica do Brasil. São Paulo, SP: Editora Brasiliense, 1972.
FICO, Carlos. História do Brasil Contemporâneo – da morte de Vargas aos dias atuais. São Paulo, SP: Contexto, 2015.