O que foi
A Revolução Agrícola Inglesa foi um processo de transformações técnicas, econômicas e sociais ocorrido principalmente na Inglaterra entre os séculos XVII e XVIII. Essas mudanças envolveram novas formas de cultivo, aperfeiçoamento de ferramentas, seleção de animais e reorganização das propriedades rurais, possibilitando o aumento da produtividade agrícola e da oferta de alimentos.
Esse processo não ocorreu de maneira repentina, mas resultou de modificações que vinham sendo desenvolvidas no campo inglês desde o final da Idade Média. Embora algumas técnicas tenham sido aplicadas em territórios coloniais, a Revolução Agrícola teve seu principal centro na Inglaterra, onde contribuiu para o crescimento populacional, a formação de uma agricultura comercial e a criação de condições favoráveis ao início da Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII.
As causas principais da revolução agrícola do século XVIII na Inglaterra foram:
1. Aumento populacional na Inglaterra, que demandava um aumento da produção para suprir as necessidades do mercado consumidor inglês.
2. Fortalecimento e amadurecimento do sistema capitalista, que buscou não somente na indústria (Revolução Industrial), mas também no campo o aumento dos lucros na produção e comercialização de gêneros agrícolas (frutas, cereais, hortaliças e legumes).
3. O aumento da necessidade de produção de matéria-prima para a indústria têxtil: o algodão. Este devia ser produzido, principalmente nas colônias inglesas como, por exemplo, os Estados Unidos. Para que a produção fosse eficiente, foi necessária a adoção de técnicas agrícolas mais avançadas.
4. Lei dos Cercamentos de Terras, que tirou grande parte das terras que estavam nas mãos de pequenos proprietários, que praticavam a agricultura de subsistência, passando as para ricas famílias aristocratas que tinham capacidade financeira para investir na grande produção agrícola.
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Indústria têxtil inglesa do século XVIII: produção de algodão no século XVIII favoreceu a Revolução Industrial na Inglaterra. |
Principais características e avanços:
• Substituição gradual do sistema de produção agrícola extensivo pelo intensivo, permitindo melhor aproveitamento das terras e aumento significativo da produtividade no campo.
• Adoção do sistema de rotação de culturas, que alternava diferentes tipos de plantio em uma mesma área. Essa prática ajudava a preservar os nutrientes do solo, reduzir seu desgaste e manter as terras produtivas por mais tempo.
• Utilização da semeadeira mecânica, aperfeiçoada no início do século XVIII pelo agricultor e inventor inglês Jethro Tull. Essa máquina distribuía as sementes de forma mais regular, diminuía perdas e tornava o plantio mais rápido e eficiente.
• Ampliação dos cercamentos rurais, conhecidos como enclosures, que transformaram antigas terras de uso coletivo em propriedades privadas. Esse processo favoreceu a aplicação de novas técnicas agrícolas e a produção voltada para o mercado.
• Desenvolvimento da seleção artificial de animais, com a escolha de exemplares considerados mais produtivos para a reprodução. Essa prática possibilitou o aperfeiçoamento dos rebanhos e o aumento da produção de carne, leite e lã.
As principais consequências:
• Produtividade e eficiência aumentadas: a Revolução Agrícola levou a melhorias significativas nos métodos e práticas agrícolas, incluindo rotação de culturas, reprodução seletiva e introdução de novas máquinas. Essas inovações aumentaram a produtividade, permitindo que os agricultores produzissem mais alimentos com menos mão de obra.
• Crescimento populacional: aumento da produtividade e eficiência no setor agrícola levou a um excedente de alimentos. Esse excedente melhorou a saúde geral e a expectativa de vida da população, o que, por sua vez, levou a um boom populacional na Inglaterra e em outras partes da Europa.
• Urbanização: à medida que a produtividade aumentava, menos trabalhadores eram necessários para trabalhar nas fazendas. Isso provocou uma significativa migração de pessoas do campo para as cidades em busca de trabalho, contribuindo para o processo de urbanização. Essa migração forneceu a força de trabalho que alimentou a Revolução Industrial.
• Desenvolvimento do capitalismo: a Revolução Agrícola também marcou uma mudança dos sistemas econômicos feudais para o capitalismo. Os agricultores começaram a ver a agricultura como um negócio, com foco no lucro e na eficiência. Essa mudança de mentalidade lançou as bases para o sistema capitalista moderno.
• Revolução Industrial: o excedente de alimentos e mão de obra resultante da Revolução Agrícola desempenhou um papel fundamental no início da Revolução Industrial. Com menos pessoas necessárias nas fazendas, a mão-de-obra estava disponível para novas fábricas. O excedente de alimentos significava que essa força de trabalho poderia ser sustentada mesmo em áreas urbanas densamente povoadas.
Exemplos de outras revoluções agrícolas na História:
1. Revolução Agrícola no Neolítico: ocorreu a cerca de 9 mil anos, quando o homem deixou de ser nômade para ser sedentário. Neste período, ocorreu a descoberta da agricultura, que foi um dos principais fatores do surgimento do sedentarismo humano na Pré-História. Este processo está diretamente relacionado ao surgimento das primeiras comunidades, que deram origem às primeiras civilizações nos séculos posteriores.
2. Revolução Agrícola na Baixa Idade Média: ocorreu na Europa por volta do século XI, em resposta ao crescimento populacional e, portanto, ao aumento da necessidade de gêneros agrícolas. Um dos principais avanços que marcaram este período foi a criação e utilização do arado (instrumento agrícola rudimentar usado para fazer aberturas no solo).
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 21/07/2026
Fontes de referência do artigo:
https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_England
ARAÚJO, Daniel de. História Geral – Coleção Diplomata. São Paulo: Editora Saraiva, 2015.