Relevo da Região Norte do Brasil


 

Aspectos gerais


O relevo da Região Norte do Brasil apresenta grande diversidade de formas e altitudes, resultado de longos processos geológicos que moldaram a paisagem ao longo de milhões de anos. A região ocupa a maior parte da Amazônia, sendo caracterizada por extensas planícies aluviais, grandes planaltos cristalinos e depressões intercaladas entre rios e serras. Essa combinação faz com que o Norte apresente desde áreas de relevo muito baixo, frequentemente inundáveis, até zonas elevadas com altitudes superiores a 2.000 metros.



O predomínio do relevo baixo favorece o desenvolvimento da densa floresta amazônica e a formação de uma vasta rede hidrográfica, destacando-se o rio Amazonas e seus afluentes. A abundância de áreas planas e alagadas, combinada ao clima equatorial úmido, influencia diretamente as atividades econômicas e a ocupação humana, concentradas principalmente nas margens dos rios.



As unidades de relevo:



1. Planaltos


Os planaltos da Região Norte são formações antigas, compostas predominantemente por rochas cristalinas e sedimentares, e ocupam boa parte da porção central e setentrional da região. Entre eles se destacam o Planalto das Guianas, localizado ao norte, abrangendo áreas de Roraima, Amapá e parte do Pará, e o Planalto Central, que se estende em direção ao sul da região. Essas áreas apresentam altitudes que variam entre 200 e 3.000 metros, com destaque para o Pico da Neblina, localizado na Serra do Imeri, no Amazonas, que é o ponto mais alto do Brasil, com 2.993 metros de altitude.


Os planaltos da Região Norte têm grande importância geológica e ambiental. Além de abrigarem serras e formações rochosas antigas, como a Serra do Tumucumaque e a Serra Parima, eles funcionam como divisores de águas entre bacias hidrográficas, influenciando o curso dos rios que formam a Amazônia. O relevo acidentado dessas áreas limita a ocupação humana, mas possui relevância ecológica e geológica, com solos pobres e grande diversidade de ecossistemas de altitude.



2. Planícies


As planícies amazônicas são extensas e de baixa altitude, formadas por sedimentos depositados ao longo dos milênios pelos rios que cortam a região. Elas ocupam uma grande parte da área do Norte, especialmente nos estados do Amazonas, Pará, Amapá e Acre, sendo caracterizadas por áreas alagadiças, várzeas e igapós. A planície amazônica é uma das mais vastas do mundo, desempenhando papel essencial na drenagem e no equilíbrio hídrico do continente.


Essas planícies apresentam variações sazonais marcadas pelas cheias e vazantes dos rios, o que afeta a vegetação, a fauna e as populações ribeirinhas. As áreas de várzea são férteis, devido aos sedimentos transportados pelos rios, favorecendo atividades como agricultura de subsistência e extrativismo vegetal. A interação entre o relevo plano e o regime hídrico intenso explica a formação de ambientes únicos, como os igarapés, lagos e ilhas fluviais.



3. Depressões


As depressões são áreas de relevo intermediário, localizadas entre os planaltos e as planícies. Na Região Norte, destacam-se a Depressão Amazônica e a Depressão Marginal Norte-Amazônica. Essas formações são compostas por terrenos sedimentares que foram rebaixados por processos erosivos e tectônicos, resultando em superfícies suavemente onduladas e de altitudes médias entre 100 e 300 metros.


A Depressão Amazônica funciona como uma grande faixa de transição entre os planaltos e as planícies, sendo cortada por importantes rios, como o Madeira e o Tapajós. Ela representa uma zona de acumulação de sedimentos e de drenagem natural, o que a torna fundamental para o equilíbrio ambiental da região. Seu relevo favorece a presença de florestas densas e a formação de amplas áreas de várzeas.



Formação geológica da Região Norte do Brasil


A origem do relevo da Região Norte está associada a diferentes períodos geológicos, que remontam ao Pré-Cambriano e ao Paleozoico. As áreas mais antigas, como o Planalto das Guianas, são formadas por escudos cristalinos extremamente antigos, datados de mais de 2 bilhões de anos. Já as planícies amazônicas resultam de processos mais recentes, com o acúmulo de sedimentos trazidos pelos rios ao longo do tempo.


A estrutura geológica da região é complexa e composta principalmente por rochas cristalinas e sedimentares. O embasamento antigo sofreu erosões prolongadas, originando superfícies aplainadas, enquanto os processos fluviais contínuos deram origem às planícies e depressões. O relevo atual é, portanto, resultado da combinação entre processos internos (movimentos tectônicos) e externos (erosão, sedimentação e ação dos rios).




De que formas o relevo do Norte do Brasil influencia em outras áreas?


O relevo da Região Norte exerce influência direta sobre o clima, a hidrografia, a vegetação e a ocupação humana. As extensas planícies favorecem a formação de uma das maiores redes de drenagem do planeta, com rios de grande volume e capacidade de transporte de sedimentos. Isso contribui para o equilíbrio hídrico do continente sul-americano e influencia o regime de chuvas em outras regiões do país.

Vale frisar também que as diferenças de altitude entre planaltos e planícies determinam variações microclimáticas e condicionam a distribuição da vegetação amazônica. O relevo também influencia a economia regional, já que as planícies aluviais permitem a navegação e o transporte fluvial, enquanto as áreas de planalto são menos acessíveis e utilizadas principalmente para conservação ambiental e mineração. Dessa forma, o relevo é um dos fatores fundamentais que explicam a dinâmica natural e humana da Região Norte do Brasil.

 

 

Mapa mostrando o relevo da região Norte do Brasil

Relevo da Região Norte do Brasil.

 

 


 

Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)


Publicado em 10/11/2025




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Fonte de referência:

 

Região Norte do Brasil - Geografia

 

Mapa do relevo do Brasil - IBGE


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