Utilitarismo na Filosofia


 

O que é o Utilitarismo?

 

O utilitarismo é uma corrente da Filosofia moral que se desenvolveu sobretudo entre os séculos XVIII e XIX, associada a pensadores como Jeremy Bentham e John Stuart Mill, e que estabelece como critério fundamental de avaliação das ações a sua utilidade, isto é, a capacidade de produzir o maior grau possível de felicidade ou prazer para o maior número de pessoas. Nesse sentido, uma ação é considerada moralmente correta quando suas consequências promovem o bem-estar coletivo, enquanto ações que geram sofrimento ou diminuem a felicidade geral são vistas como moralmente inadequadas, o que caracteriza o utilitarismo como uma ética consequencialista, centrada nos resultados das ações e não em intenções ou princípios absolutos.

 

Contexto histórico

 

O utilitarismo surgiu no contexto das transformações econômicas, sociais e políticas da Inglaterra entre o final do século XVIII e o século XIX, especialmente durante a Revolução Industrial (1760–1840), período marcado pela urbanização acelerada, crescimento das desigualdades sociais e necessidade de reformas institucionais. Inserido no ambiente intelectual do Iluminismo (século XVIII), que valorizava a razão, o progresso e a busca por critérios racionais para organizar a sociedade, o utilitarismo foi desenvolvido por pensadores como Jeremy Bentham e John Stuart Mill como uma proposta ética voltada à solução de problemas concretos, defendendo a criação de leis e políticas públicas orientadas pela promoção do bem-estar coletivo e pela redução do sofrimento social.



Principais ideias e características da teoria ética do Utilitarismo:

 

• A boa atitude (moralmente correta) é aquela que promove a felicidade ou bem-estar aos indivíduos e à coletividade, sem prejudicar os outros (ou prejudicando o mínimo possível). Segundo os utilitaristas, as atitudes podem ser avaliadas com base na quantidade de prazer e dor que produzem.

 

• A obtenção da felicidade e do bem-estar são os objetivos principais da teoria utilitarista.

 

• O indivíduo deve ser livre para agir de acordo com suas vontades, desde que não prejudique os outros indivíduos.

 

• O valor moral de uma ação é determinado apenas por seu resultado, não pela intenção por trás dela.

 

• A felicidade ou prazer de cada indivíduo é de igual valor. A felicidade de ninguém deve ser considerada mais importante do que a de qualquer outra pessoa.

 

• O Utilitarismo também foi pregado no campo da Economia, da Justiça, da Legislação, das relações pessoais e da Filosofia Social. Nesse sentido, ele foi defendido como uma espécie de critério de moralidade para ser utilizado em diversas áreas da vida.

 

• Princípio da agregação: de acordo com os utilitaristas, deve ser priorizado o saldo (benefícios x malefícios) de uma ação. Nesse sentido, uma ação social, por exemplo, é considerada positiva se gerou mais prazeres e bem-estar do que desprazeres ou prejuízos para as pessoas.

 

• O Utilitarismo tem o universalismo como princípio fundamental, pois o bem-estar de cada indivíduo tem a mesma importância (mesmo peso) em suas considerações.



Principais pensadores do Utilitarismo:

 

Jeremy Bentham (1748-1832) – jurista e filósofo inglês. Fundador do utilitarismo clássico, Bentham propôs que a moralidade das ações deve ser julgada com base no “princípio da utilidade”, ou seja, na capacidade de promover o maior prazer e reduzir a dor para o maior número de pessoas. Defendia o cálculo hedonista como critério para decisões morais e políticas.


John Stuart Mill (1806-1873) – economista e filósofo inglês. Desenvolveu o utilitarismo de Bentham, introduzindo a distinção entre prazeres superiores e inferiores. Para Mill, a qualidade do prazer é tão importante quanto sua quantidade. Também defendeu firmemente a liberdade individual como valor central, desde que não cause prejuízo a terceiros.


Henry Sidgwick (1838-1900) – economista e filósofo inglês. Refinou o utilitarismo em sua obra “The Methods of Ethics”, procurando integrar a moralidade intuitiva com o cálculo utilitarista. Para Sidgwick, a razão exige que se busque a felicidade de todos os indivíduos de forma imparcial, sendo a ética uma ciência baseada na maximização do bem-estar geral.


Peter Singer (1946-) – filósofo australiano. Representante do utilitarismo preferencial, Singer sustenta que devemos agir de forma a satisfazer as preferências dos seres sencientes, não apenas os humanos. É um dos principais defensores dos direitos dos animais e da ética prática, argumentando que é moralmente obrigatório ajudar a reduzir o sofrimento evitável no mundo.


James Mill (1773–1836) – filósofo, historiador e economista escocês, pai de John Stuart Mill. Foi um importante divulgador das ideias de Jeremy Bentham e contribuiu para a consolidação do utilitarismo no contexto do Iluminismo britânico. Defendia a educação racional como forma de promover o bem-estar geral e o progresso social.


Richard M. Hare (1919–2002) – filósofo moral britânico. Desenvolveu o que chamou de “utilitarismo de preferência”, influenciando diretamente Peter Singer. Hare procurou unir o rigor lógico da filosofia analítica ao princípio utilitarista, sustentando que os juízos morais devem ser universalizáveis e orientados pela maximização das preferências.


R. M. Hare (1919–2002) – embora já citado acima, é importante destacar que seu trabalho filosófico também fundou uma ponte entre o utilitarismo clássico e a ética contemporânea, influenciando amplamente os debates sobre bioética e ética aplicada.


Torbjörn Tännsjö (1946-) – filósofo sueco, defensor declarado do utilitarismo hedonista. Atuante nas discussões sobre bioética, saúde pública e direitos dos animais, Tännsjö defende que decisões morais e políticas devem ser guiadas pela maximização da felicidade total, mesmo que envolvam dilemas éticos polêmicos.


 

Retrato em preto e branco de John Stuart Mill

John Stuart Mill: outro importante representante do Utilitarismo.

 

 

Legado filosófico

 

O utilitarismo deixou como legado para a Filosofia a consolidação de uma ética consequencialista baseada na análise racional dos efeitos das ações, influenciando profundamente os debates sobre moralidade, política e justiça desde os séculos XVIII e XIX. Ao propor que o critério do bem moral reside na maximização da felicidade coletiva, pensadores como Jeremy Bentham e John Stuart Mill contribuíram para o desenvolvimento de teorias modernas sobre direitos, bem-estar social e políticas públicas, introduzindo uma abordagem mais pragmática e mensurável da ética. Esse legado permanece relevante na filosofia contemporânea, especialmente em discussões sobre bioética, economia e decisões governamentais, nas quais a avaliação das consequências continua sendo um elemento central.

 

 


 

Resumo

 

O que foi


• Definição: corrente da Filosofia moral que avalia as ações com base em suas consequências, considerando corretas aquelas que promovem o maior bem-estar possível para o maior número de pessoas.

• Característica central: ética consequencialista, na qual o valor moral depende dos resultados produzidos pelas ações.


Origem e contexto histórico


• Surgimento: desenvolvido na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX, em meio às transformações da Revolução Industrial (1760–1840).

• Contexto intelectual: vinculado ao Iluminismo (século XVIII), que valorizava a razão, o progresso e a busca por critérios racionais para organizar a sociedade.

• Aplicação prática: influenciou reformas sociais, jurídicas e políticas, especialmente na Inglaterra do século XIX.


Principais ideias e teorias:


• Princípio da utilidade: uma ação é correta quando produz felicidade ou prazer e reduz o sofrimento coletivo.

• Hedonismo: associação entre bem moral e prazer, entendido como satisfação ou bem-estar.

• Cálculo utilitarista: tentativa de medir e comparar os níveis de prazer e dor gerados pelas ações.

• Distinção qualitativa dos prazeres: proposta de diferenciar prazeres superiores (intelectuais) e inferiores (sensoriais).

• Universalismo: consideração de todos os indivíduos afetados pela ação, sem privilégios individuais.


Principais pensadores:


• Jeremy Bentham (1748–1832): formulou o princípio da utilidade e defendeu o cálculo racional dos prazeres e dores.

• John Stuart Mill (1806–1873): aperfeiçoou o utilitarismo ao distinguir qualitativamente os tipos de prazer e defender a liberdade individual.

• Henry Sidgwick (1838–1900): sistematizou o utilitarismo e buscou conciliar razão moral e interesse coletivo.

 

 

Infográfico sobre o Utilitarismo na Filosofia
Infográfico resumido e didático sobre o Utilitarismo na Filosofia.

 

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 24/04/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes:

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Utilitarianism

 

 

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