QUESTÕES DE GEOGRAFIA DO 9º ANO
Objetos do conhecimento:
- A hegemonia europeia na economia, na política e na cultura.
- Corporações e organismos internacionais.
- As manifestações culturais na formação populacional.
- Integração mundial e suas interpretações: globalização e mundialização.
- A divisão do mundo em Ocidente e Oriente.
- Intercâmbios históricos e culturais entre Europa, Ásia e Oceania.
- Transformações do espaço na sociedade urbano-industrial.
- Cadeias industriais e inovação no uso dos recursos naturais e das matérias-primas.
- Diversidade ambiental e as transformações nas paisagens na Europa, na Ásia e na Oceania.
Testes de múltipla escolha:
1. Sobre a hegemonia europeia na economia, na política e na cultura em diferentes regiões do planeta, assinale a alternativa que melhor expressa uma consequência desse processo para os territórios dominados:
A) A formação de sociedades totalmente autônomas, que recusaram qualquer influência econômica, política ou cultural das potências europeias.
B) A preservação integral das culturas locais, que passaram a ser protegidas pelas metrópoles como patrimônio imutável dos povos colonizados.
C) A imposição de modelos econômicos, políticos e culturais europeus, que reconfiguraram instituições, costumes e formas de poder nos territórios subordinados.
D) A substituição imediata de todas as línguas locais por uma língua única mundial, criada pelos europeus para facilitar o comércio global.
E) A construção de relações internacionais baseadas exclusivamente na cooperação igualitária, sem qualquer tipo de conflito ou dominação entre metrópoles e colônias.
2. As corporações internacionais e os organismos econômicos mundiais têm forte influência sobre o cotidiano das populações. Qual alternativa apresenta um efeito importante dessa atuação na vida das pessoas em relação ao consumo e à mobilidade?
A) Estímulo à padronização de produtos e serviços, ampliando o acesso a marcas globais e incentivando deslocamentos em busca de oportunidades de trabalho em redes produtivas mundializadas.
B) Redução das opções de consumo disponíveis, com proibição da circulação de mercadorias importadas e estímulo exclusivo a produtos locais.
C) Extinção das propagandas comerciais, pois as corporações internacionais não utilizam estratégias culturais para influenciar hábitos de consumo.
D) Desvinculação total entre economia e cultura, já que as decisões dessas corporações são baseadas apenas em critérios climáticos e geológicos.
E) Diminuição dos fluxos migratórios internacionais, uma vez que essas empresas impedem a circulação de trabalhadores entre diferentes países.
3. Em relação às manifestações culturais de minorias étnicas no mundo, assinale a alternativa que melhor expressa sua importância para a compreensão da multiplicidade cultural em escala mundial:
A) Essas manifestações devem ser ignoradas nos estudos geográficos, pois tratam apenas de tradições folclóricas sem impacto na organização do espaço.
B) As manifestações culturais de minorias étnicas são obstáculos para a convivência social, pois impedem a criação de uma cultura mundial homogênea.
C) Os modos de vida de minorias étnicas só são relevantes quando copiados pela indústria cultural dominante, perdendo seus significados originais.
D) A preservação das manifestações culturais de minorias depende exclusivamente da ação de corporações internacionais ligadas ao entretenimento.
E) As expressões culturais de minorias étnicas revelam modos de vida, formas de organização social e visões de mundo que enriquecem a diversidade cultural e exigem respeito às diferenças.
4. As paisagens da Europa, da Ásia e da Oceania estão diretamente relacionadas aos modos de viver de seus povos. Qual alternativa apresenta uma relação adequada entre paisagem e modo de vida?
A) Em qualquer região da Europa, o modo de vida é exclusivamente rural, com populações voltadas apenas para atividades agropecuárias tradicionais.
B) Em áreas urbanas densamente povoadas da Ásia, a verticalização das construções, a presença de centros financeiros e de infraestruturas de transporte expressam um modo de vida marcado pela intensa urbanização e circulação de pessoas.
C) Nas ilhas da Oceania, as populações utilizam sempre as mesmas técnicas agrícolas encontradas nas grandes planícies da Eurásia, sem adaptações às condições locais.
D) Nas regiões de clima frio da Europa, as paisagens naturais permanecem totalmente intocadas, sem qualquer intervenção humana ou atividade econômica.
E) Em todos os países asiáticos, as paisagens são idênticas, independentemente de relevo, clima, uso da terra ou densidade populacional.
5. A integração mundial pode ser entendida por meio dos conceitos de globalização e mundialização. Assinale a alternativa que apresenta uma característica associada a esse processo:
A) A consolidação de redes econômicas, políticas e culturais em escala planetária, nas quais fluxos de capitais, informações, mercadorias e pessoas conectam regiões de forma desigual.
B) A eliminação completa de fronteiras políticas entre os países, garantindo participação igualitária de todas as nações em decisões globais.
C) A independência absoluta das economias nacionais, que passaram a produzir apenas para o consumo interno, sem participar do comércio internacional.
D) A redução dos meios de comunicação, uma vez que a integração mundial exige controle rígido da circulação de informações.
E) A homogeneização total das culturas nacionais, que deixam de existir à medida que surge uma única cultura global uniforme.
6. A divisão do mundo em Ocidente e Oriente está ligada a construções históricas e geopolíticas. Qual alternativa relaciona esse critério de divisão ao sistema colonial dirigido pelas potências europeias?
A) A oposição entre Ocidente e Oriente surgiu exclusivamente a partir de critérios climáticos, sem relação com interesses econômicos e políticos.
B) O conceito de Oriente foi usado pelas potências europeias para valorizar o desenvolvimento tecnológico e científico das colônias em relação às metrópoles.
C) A divisão entre Ocidente e Oriente foi proposta por organismos internacionais recentes, sem qualquer vínculo com o período de colonização.
D) A categorização entre Ocidente e Oriente expressou visões de superioridade europeia, que justificaram a expansão colonial e a dominação política, econômica e cultural sobre diversos povos.
E) A distinção entre Ocidente e Oriente impede que se reconheçam as múltiplas identidades e regionalidades existentes na Europa, na Ásia e na Oceania.
7. A Eurásia reúne componentes físico-naturais variados e foi historicamente dividida em Europa e Ásia por critérios que não são apenas naturais. Assinale a alternativa que melhor representa esses determinantes histórico-geográficos:
A) A separação entre Europa e Ásia baseia-se unicamente na existência de um clima idêntico em toda a Eurásia, sem diferenças culturais ou políticas entre as regiões.
B) A divisão resultou de acordos recentes entre corporações internacionais, interessados em criar áreas de livre comércio sem qualquer fundamento geográfico.
C) A distinção entre Europa e Ásia envolve critérios políticos, culturais e históricos, nos quais fronteiras, impérios, rotas comerciais e centros de poder contribuíram para estabelecer percepções diferenciadas de cada região.
D) A divisão da Eurásia em dois continentes depende exclusivamente da altitude média do relevo, ignorando a presença de cadeias montanhosas e planícies.
E) A separação entre Europa e Ásia está ligada apenas à localização dos maiores desertos, que definem todas as fronteiras continentais.
8. Fronteiras políticas, tensões e conflitos produzem transformações territoriais na Europa, na Ásia e na Oceania. Qual alternativa apresenta um exemplo adequado dessas transformações?
A) As fronteiras internacionais permanecem sempre fixas, pois a organização política dos territórios não sofre alterações ao longo do tempo.
B) As tensões entre grupos étnicos são irrelevantes para a configuração de territórios, já que as fronteiras são desenhadas somente por critérios naturais.
C) Os conflitos armados e disputas geopolíticas podem alterar mapas políticos, gerar novos estados, modificar limites territoriais e criar zonas de ocupação contestada.
D) A existência de blocos econômicos impede qualquer tipo de conflito ou contestação territorial entre países.
E) O movimento de fronteiras ocorre apenas em regiões de clima tropical, sendo inexistente em áreas de clima temperado ou frio.
9. Ao analisar países e grupos de países da Europa, da Ásia e da Oceania, observam-se importantes desigualdades sociais e econômicas e diferentes pressões sobre o ambiente físico-natural. Assinale a alternativa correta sobre essas diferenças:
A) Todos os países europeus, asiáticos e da Oceania apresentam o mesmo nível de desenvolvimento econômico e padrões idênticos de qualidade de vida.
B) As desigualdades sociais inexistem na Oceania, pois a distribuição de renda é totalmente igualitária em todos os países da região.
C) Há países altamente industrializados e urbanizados que concentram riqueza e tecnologia, enquanto outros apresentam economias dependentes, desigualdades acentuadas e maiores impactos ambientais associados à exploração de recursos naturais.
D) As pressões sobre o ambiente físico-natural ocorrem apenas em grandes cidades europeias, não sendo observadas em áreas rurais ou em países asiáticos.
E) Os indicadores populacionais e econômicos mostram quadro homogêneo em todas as regiões, o que dispensa comparações entre países.
10. O processo de industrialização provocou mudanças intensas na produção e na circulação de produtos e culturas na Europa, na Ásia e na Oceania. Qual alternativa apresenta uma dessas mudanças?
A) Diminuição dos fluxos comerciais entre países, pois a industrialização levou todas as nações a produzirem somente para consumo interno.
B) Redução da circulação de informações, já que o avanço técnico limitou o uso de meios de transporte e comunicação.
C) Substituição completa das atividades de serviços por atividades industriais, eliminando a diversidade de setores econômicos nas cidades.
D) Expansão de redes de transporte, intensificação do comércio internacional e difusão de produtos culturais, marcas, estilos de vida e informações em escala regional e mundial.
E) Enfraquecimento das relações entre campo e cidade, uma vez que a industrialização interrompeu o vínculo entre produção de matérias-primas e atividades urbanas.
11. As mudanças técnicas e científicas produzidas pela industrialização transformaram o trabalho em várias regiões do mundo e também no Brasil. Assinale a alternativa que expressa uma dessas transformações:
A) Extinção das máquinas nas fábricas, com retorno integral a métodos artesanais de produção, o que aumentou a oferta de empregos estáveis.
B) Desaparecimento das relações entre industrialização e urbanização, fazendo com que as cidades perdessem importância econômica.
C) Separação total entre ciência e tecnologia, o que reduziu o impacto das inovações no cotidiano dos trabalhadores.
D) Igualdade absoluta de salários e condições de trabalho entre todos os trabalhadores, independentemente de gênero, origem ou função exercida.
E) Ampliação do uso de tecnologias automatizadas, reorganização de cadeias produtivas, exigência de novas qualificações profissionais e crescimento de formas de trabalho precarizadas em alguns setores.
12. O processo de urbanização está articulado às transformações da produção agropecuária, ao desemprego estrutural e ao papel crescente do capital financeiro. Qual alternativa apresenta uma relação coerente entre esses elementos?
A) O avanço do capital financeiro afasta totalmente as cidades das dinâmicas do campo, impedindo qualquer relação entre produção agropecuária e urbanização.
B) A modernização da agropecuária, com uso de máquinas e insumos industriais, pode reduzir a quantidade de trabalhadores no campo, intensificar a migração para as cidades e contribuir para situações de desemprego estrutural em áreas urbanas.
C) A urbanização diminui a importância dos serviços, pois as cidades passam a depender apenas da produção rural tradicional.
D) Nas cidades, o capital financeiro não interfere nas decisões sobre investimentos, sendo o espaço urbano organizado exclusivamente por decisões políticas locais.
E) A ampliação da urbanização garante automaticamente emprego formal para todos os migrantes, eliminando desigualdades socioespaciais.
13. Em uma sociedade urbano-industrial, a produção agropecuária continua sendo essencial. Assinale a alternativa que melhor relaciona essa produção com as desigualdades de acesso aos recursos alimentares e às matérias-primas em escala mundial:
A) A produção agropecuária é distribuída de forma perfeitamente igualitária entre todos os países, o que elimina problemas de fome e escassez de recursos.
B) A existência de grandes produtores agropecuários garante que todas as populações tenham acesso irrestrito a alimentos variados e de qualidade.
C) A organização do comércio internacional, a concentração de terras, a tecnologia disponível e o poder de compra dos países influenciam o acesso aos alimentos e às matérias-primas, contribuindo para desigualdades entre regiões ricas e pobres.
D) A produção agropecuária independe das condições naturais, não sofrendo influência de clima, solo, disponibilidade de água ou técnicas utilizadas.
E) As sociedades urbano-industriais deixaram de depender de produtos agropecuários, pois passaram a produzir alimentos exclusivamente em laboratórios.
14. Gráficos de barras e de setores, mapas temáticos, croquis e anamorfoses geográficas são instrumentos importantes na análise geográfica. Qual alternativa indica um uso adequado desses recursos?
A) Utilizar gráficos e mapas apenas como ilustrações decorativas, sem estabelecer qualquer relação com dados populacionais, econômicos ou ambientais.
B) Empregar gráficos de barras para comparar quantidades, mapas temáticos para visualizar distribuição espacial de fenômenos e anamorfoses para representar países de acordo com variáveis como população ou produção, facilitando a análise de desigualdades.
C) Abandonar por completo o uso de tabelas e gráficos, pois somente fotografias aéreas são úteis para compreender o espaço geográfico.
D) Construir mapas temáticos sem legenda e sem escala, pois esses elementos atrapalham a leitura das informações.
E) Representar sempre os continentes com o mesmo tamanho, independentemente do tipo de projeção cartográfica utilizada.
15. A Europa, a Ásia e a Oceania apresentam diferentes domínios morfoclimáticos, formas de ocupação e usos da terra. Assinale a alternativa que apresenta uma relação coerente entre esses elementos:
A) Em todas as regiões da Europa, da Ásia e da Oceania predominam as mesmas formações vegetais, independentemente de clima ou relevo, o que resulta em uso idêntico da terra.
B) As áreas de climas áridos ou semiáridos não podem ser habitadas, o que impede qualquer tipo de uso da terra para agricultura, pecuária ou atividades urbanas.
C) Domínios de clima temperado, com solos férteis e relevo favorável, tendem a concentrar agricultura mecanizada e densos núcleos urbanos, enquanto áreas de climas extremos podem apresentar usos mais restritos ou adaptados às condições locais.
D) A ocupação humana independe das características físico-naturais, pois as pessoas escolhem onde viver sem considerar disponibilidade de água, temperatura ou relevo.
E) Os domínios morfoclimáticos não influenciam a economia, já que o uso da terra é sempre definido exclusivamente por decisões de corporações internacionais.
16. Cadeias industriais e redes de inovação utilizam recursos naturais e diferentes fontes de energia em vários países. Qual alternativa apresenta uma análise adequada sobre os impactos desse processo?
A) A expansão de cadeias industriais e o uso de fontes de energia como termoelétrica, hidrelétrica, eólica e nuclear podem gerar empregos, impulsionar tecnologias e, ao mesmo tempo, provocar impactos ambientais, exigindo planejamento e regulação para reduzir desigualdades socioambientais.
B) O uso de fontes de energia sempre ocorre sem qualquer impacto ambiental, pois as tecnologias modernas eliminaram todos os riscos à natureza.
C) As cadeias industriais não se relacionam com recursos naturais, já que dependem apenas de informações digitais para funcionar.
D) As fontes de energia renováveis e não renováveis são utilizadas de forma idêntica em todos os países, independentemente de suas políticas ambientais ou condições naturais.
E) O funcionamento das cadeias industriais garante distribuição totalmente justa de benefícios e prejuízos entre países centrais e periféricos, sem gerar conflitos.
GABARITO
1. C: A hegemonia europeia se deu pela imposição de modelos econômicos, políticos e culturais sobre territórios dominados, o que corresponde ao que ocorreu em diferentes regiões da África, Ásia e Oceania, por exemplo. As potências europeias reorganizaram sistemas produtivos (monocultura voltada à exportação, exploração mineral, controle de rotas comerciais), instalaram instituições políticas inspiradas em suas próprias estruturas de poder e difundiram suas línguas, religiões e padrões culturais, muitas vezes por meio de coerção, guerras e intervenções. Esse processo alterou profundamente as formas locais de organização social, enfraqueceu autoridades tradicionais e provocou hibridizações culturais, dependência econômica e desigualdades duradouras.
2. A: O fato de que corporações internacionais padronizam produtos e serviços, difundindo marcas globais que chegam a diferentes países, o que influencia o consumo (criação de desejos, hábitos, modos de vestir, de se alimentar e de se divertir). Ao mesmo tempo, essas empresas estruturam redes produtivas em escala mundial, distribuindo etapas da produção em diferentes países, o que incentiva a mobilidade de trabalhadores em busca de emprego em polos industriais, centros de serviços e cidades globalizadas. Há, portanto, uma conexão direta entre atuação corporativa, cultura de consumo e fluxos migratórios internos e internacionais, reforçando a integração econômica e cultural, mas também acentuando desigualdades entre regiões incluídas e excluídas dessas redes.
3. E: As manifestações culturais de minorias étnicas (línguas, festas, culinária, religiosidades, danças, artesanato, modos de ocupação do espaço) ajudam a compreender a complexidade da diversidade cultural em escala mundial. Essas expressões revelam histórias de resistência, formas próprias de relação com a natureza, organização comunitária, identidades e memórias que muitas vezes foram marginalizadas pelos grupos dominantes. Reconhecer e valorizar essas manifestações é fundamental para combater preconceitos, enfrentar processos de homogeneização cultural e afirmar o princípio do respeito às diferenças, em sintonia com uma perspectiva de direitos humanos e de pluralidade cultural.
4. B: A paisagem urbana verticalizada de grandes cidades asiáticas com um modo de vida marcado por intensa urbanização. Nessas metrópoles, a presença de edifícios altos, centros financeiros, sistemas complexos de transporte (metrôs, trens, vias expressas) e fluxos constantes de pessoas traduz uma organização espacial voltada para serviços, comércio, indústria e finanças. Essa paisagem é resultado de processos de industrialização acelerada, concentração de investimentos, crescimento populacional e inserção em redes econômicas globais. O modo de vida urbano inclui ritmos de trabalho intensos, deslocamentos diários, consumo de bens e serviços variados e, muitas vezes, fortes desigualdades socioespaciais entre áreas centrais valorizadas e periferias precarizadas.
5. A: A integração mundial se concretiza por meio de redes de fluxos que conectam regiões de forma desigual. Capitais circulam em alta velocidade entre bolsas de valores e instituições financeiras; mercadorias são transportadas em cadeias globais de produção e comércio; pessoas migram em busca de trabalho, estudo ou refúgio; informações e conteúdos culturais se espalham por mídias tradicionais e digitais. Essa integração não ocorre de maneira equilibrada: alguns países e cidades tornam-se nós centrais das redes (centros financeiros, tecnológicos e logísticos), enquanto outros ocupam posições subordinadas, muitas vezes focadas na exportação de matérias-primas ou mão de obra barata. Desse modo, a globalização e a mundialização intensificam interdependências, mas também aprofundam desigualdades.
6. D: A distinção entre Ocidente e Oriente não é apenas geográfica, mas uma construção histórica ligada ao colonialismo europeu. As potências europeias, ao expandirem seus domínios, criaram representações do Oriente como espaço “exótico”, “atrasado” ou “necessitado” de tutela, o que serviu para justificar a conquista, a exploração econômica e o controle político. Essa visão de superioridade do Ocidente (associado à Europa e, posteriormente, a outros países industrializados) legitimou projetos coloniais e interventores, reduzindo a diversidade de povos asiáticos, africanos e de outras regiões a estereótipos simplificadores. Assim, a própria ideia de Ocidente versus Oriente é parte de uma geopolítica do poder e do discurso que estruturou relações desiguais entre metrópoles e territórios colonizados.
7. C: A divisão da Eurásia em Europa e Ásia não se baseia apenas em elementos naturais, mas em critérios histórico-geográficos, culturais e políticos. Fronteiras associadas a cadeias montanhosas foram interpretadas e valorizadas de acordo com interesses de impérios, estados e elites que buscavam delimitar áreas de influência e identidades regionais. Rotas comerciais, centros de poder, tradições filosóficas e religiosas, guerras e alianças contribuíram para consolidar a ideia de uma Europa “separada” da Ásia, embora se trate de uma única grande massa continental. Essa divisão expressa, portanto, maneiras de pensar o mundo, organizar mapas e classificar regiões, refletindo relações de força e construções simbólicas, e não uma separação puramente física.
8. D: Conflitos geopolíticos e tensões territoriais podem alterar mapas políticos, criando novos estados, modificando fronteiras e estabelecendo áreas disputadas. Ao longo do tempo, guerras, acordos internacionais, movimentos de independência, anexações e secessões redesenharam os limites de países europeus, asiáticos e da Oceania. Essas transformações impactam populações locais, que podem ser deslocadas, ver identidades nacionais redefinidas ou viver em regiões contestadas. A análise das mudanças de fronteiras permite compreender dinâmicas de poder, disputas por recursos naturais, divergências étnicas e religiosas, bem como o papel de organismos internacionais na mediação de conflitos.
9. C: Entre países da Europa, da Ásia e da Oceania, há grande diversidade em termos de desenvolvimento econômico, estrutura produtiva, urbanização e qualidade de vida. Alguns países detêm elevada industrialização, forte setor de serviços, alta renda per capita e amplos investimentos em tecnologia, enquanto outros apresentam economias primárias ou dependentes, com baixa renda e acesso limitado a serviços básicos. Essas diferenças geram desigualdades sociais expressivas e pressões distintas sobre os ambientes físico-naturais, como desmatamentos, poluição, escassez de água e degradação de ecossistemas. Assim, a comparação entre países e blocos regionais exige considerar indicadores econômicos, sociais e ambientais, bem como seus modelos de desenvolvimento.
10. D: A industrialização impulsionou a ampliação de redes de transporte (ferrovias, rodovias, portos, aeroportos) e de comunicação, facilitando o comércio internacional e a circulação de mercadorias. Produtos fabricados em um país passam a ser consumidos em vários outros, integrando cadeias globais de valor. Paralelamente, bens culturais, como filmes, músicas, moda, gastronomia e plataformas digitais, circulam com rapidez, contribuindo para difusão de estilos de vida e padrões de consumo em escala regional e mundial. Esse processo reforça a interdependência entre países, intensifica a competição econômica e amplia os contatos culturais, embora também possa gerar assimetrias, homogeneização cultural e impactos socioambientais significativos.
11. E: As inovações técnicas e científicas incorporadas pela industrialização (automação, robótica, informatização, plataformas digitais) transformaram profundamente a organização do trabalho. Em muitos setores, tarefas repetitivas e manuais foram substituídas ou reduzidas, exigindo trabalhadores com novas qualificações, domínio de tecnologias e capacidade de adaptação. Ao mesmo tempo, surgem formas de trabalho mais precarizadas, com contratos flexíveis, terceirização, informalidade e instabilidade, tanto em países centrais quanto em países periféricos. No Brasil, essas transformações repercutem na estrutura produtiva, na urbanização e nas desigualdades de acesso a emprego de qualidade e à proteção social.
12. B: A modernização da agropecuária com a urbanização e o desemprego estrutural. A introdução de máquinas, insumos industriais e técnicas de alta produtividade no campo reduz a necessidade de mão de obra, o que incentiva a migração de trabalhadores rurais para as cidades. Essa migração nem sempre é acompanhada pela criação de empregos suficientes no meio urbano, gerando um excedente permanente de trabalhadores, ou seja, desemprego estrutural. Paralelamente, o capital financeiro passa a atuar de forma decisiva na organização do espaço urbano, influenciando investimentos imobiliários, infraestrutura, serviços e projetos de requalificação urbana, reforçando desigualdades socioespaciais e dificultando o acesso de grupos pobres a moradia e serviços de qualidade.
13. C: O fato de que a produção agropecuária mundial está inserida em um sistema de comércio internacional marcado por grandes desigualdades. Países com vastas áreas cultiváveis, tecnologia avançada, infraestrutura eficiente e forte capital têm condições de produzir em larga escala e exportar alimentos e matérias-primas, muitas vezes controlando preços e fluxos comerciais. Já países com menor capacidade produtiva, dependentes de importações ou com sistemas agrários concentradores de terras, enfrentam dificuldades de garantir segurança alimentar à população. O poder de compra, as políticas agrícolas, os subsídios, as barreiras comerciais e as condições naturais contribuem para que o acesso a alimentos e matérias-primas seja muito desigual, resultando em situações de abundância em algumas regiões e de fome ou carência em outras.
14. B: O papel de diferentes instrumentos de representação gráfica na análise geográfica. Gráficos de barras permitem comparar quantitativamente dados como população, produção ou consumo entre países e regiões. Mapas temáticos mostram a distribuição espacial de fenômenos (densidade demográfica, tipos de clima, níveis de renda), facilitando a visualização de padrões e contrastes. Anamorfoses geográficas, por sua vez, distorcem a forma dos países proporcionalmente a uma variável (por exemplo, população ou produto interno bruto), evidenciando desigualdades que não aparecem claramente em mapas convencionais. Esses recursos, quando bem lidos e interpretados, ajudam a sintetizar e comunicar informações complexas sobre diferenças e desigualdades sociopolíticas e geopolíticas.
15. C: Em domínios de clima temperado, com solos férteis e relevo relativamente plano, há condições favoráveis para agricultura mecanizada, elevada produtividade e instalação de grandes cidades, o que leva à formação de paisagens intensamente transformadas pela ação humana. Já em áreas de clima muito frio, muito seco ou com relevo acidentado, os usos da terra tendem a ser mais restritos ou adaptados (pastoreio extensivo, agricultura irrigada, ocupação concentrada em vales ou áreas litorâneas). Assim, os domínios morfoclimáticos condicionam possibilidades e limites para atividades econômicas e formas de ocupação, embora tecnologias e políticas públicas possam ampliar ou reduzir essas restrições.
16. A: Cadeias industriais e redes de inovação dependem de recursos naturais e de diferentes fontes de energia, gerando tanto benefícios quanto problemas. A instalação de indústrias, a geração de energia termoelétrica, hidrelétrica, eólica ou nuclear e a extração de matérias-primas criam empregos, transferem tecnologia e integram países a circuitos produtivos, mas também podem provocar poluição do ar, da água e do solo, deslocamento de comunidades, conflitos territoriais e degradação de ecossistemas. A distribuição desses impactos e benefícios é desigual: populações mais vulneráveis costumam sofrer mais com riscos ambientais, enquanto grupos com maior poder econômico se beneficiam dos lucros. Por isso, o planejamento territorial, a regulação estatal, o uso de tecnologias mais limpas e a participação social são fundamentais para reduzir danos e enfrentar desigualdades socioambientais.
Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)
Publicado em 14/11/2025
Fontes de referência:
BNCC - MEC
PAULA, Marcelo Moraes; PINESSO, Denise Cristina Christov; RAMA, Maria Angela Gomez. Geografia espaço & interação: 9º ano: ensino fundamental: anos finais. 1. ed. São Paulo: FTD, 2022.