Reforma Luterana

A Reforma Luterana foi iniciada por Martinho Lutero no século XVI.


Martinho Lutero: responsável pela Reforma Luterana
Martinho Lutero: responsável pela Reforma Luterana

 

Contexto Histórico


No século XVI a Igreja Católica teve seu poder político e espiritual contestado. Num momento em que várias mudanças sociais, econômicas e culturais ocorriam na Europa, o poder da Igreja já não representava os anseios, principalmente, da nobreza e da emergente burguesia. Membros da própria Igreja, como o frade e professor Martinho Lutero, propuseram uma ampla reforma religiosa, que deu origem às religiões protestantes.

 

A Reforma Luterana é considerado um dos eventos mais significativos na história do Cristianismo devido ao seu profundo impacto na vida religiosa, política e cultural da Europa.

 

O que foi a reforma e suas principais características


A Reforma Luterana foi um movimento de caráter religioso, surgido na Alemanha na segunda década do século XVI, liderado por Martinho Lutero. Este movimento criticava várias ações da Igreja Católica, propôs novos caminhos para o cristianismo e resultou na criação da Igreja Luterana. Este movimento teve forte apoio da nobreza da Alemanha, desaprovou o capitalismo e a utilização do dinheiro.

 

Principais causas da Reforma Luterana:


Lutero era contrário à venda de indulgência praticada pela Igreja Católica. De acordo com esta prática, bastava pagar à Igreja para se livrar dos pecados. A venda de indulgências foi um recurso usado para angariar fundos para a construção da Basílica de São Pedro.

 

Centralização do poder nas mãos do papa, assim como a concentração de terras.

 

Descontentamento da nobreza alemã com o poder político da Igreja Católica.

 

Crise institucional e moral pela qual passava a Igreja Católica naquele momento.

 

Ilustração de Lutero pregando as 95 teses na porta da Igreja

Lutero pregando as 95 teses na porta da igreja de Wittenberg: o marco da Reforma Luterana.




As 95 teses de Lutero


Em 1517, Lutero fixou as 95 teses na porta da igreja de Wittenberg. Estas teses criticavam a venda de indulgências, questionava o poder papal e algumas práticas católicas, além de propor uma ampla reforma religiosa. Estas teses circularam pela Alemanha conquistando, principalmente, a simpatia de nobres (príncipes e senhores feudais).

 

Em 1520, o papa Leão X exigiu a retratação de Lutero. Este, não só se retratou como queimou em praça pública o documento papal. Foi excomungado e considerado herege. Protegido pelo príncipe da Saxônia se refugiou no castelo de Wartburg. Neste local, passou a traduzir a Bíblia para a língua alemã.

 

Pintura mostrando Lutero sendo processado.
Lutero sendo processado pela Igreja Católica por ter publicado as 95 teses.

 


Princípios religiosos da Doutrina Luterana


Em 1530, Lutero divulgou os principais princípios da doutrina Luterana:

 

- Salvação pela fé.

- Presença da verdade somente na Bíblia.

- Extinção do clero regular (ordens religiosas).

- Livre interpretação da Bíblia, sem a necessidade de pregadores, padres ou outros intermediários.

- Eliminação de tradições e rituais nos cultos religiosos.

- Fim do celibato (proibição do casamento de padres, por exemplo).

- Proibição do uso de imagens nas igrejas.

- Uso do alemão nos cultos religiosos (não mais o latim como única língua).

- Eucaristia e batismo como únicos sacramentos válidos.

 

 

Por que a Reforma Luterana foi importante para o Cristianismo?

 

Sua ênfase na Bíblia como a única fonte de conhecimento divinamente revelado (sola scriptura) e a doutrina da justificação pela fé somente (sola fide) desafiaram diretamente a autoridade do Papa e da Igreja, levando a uma democratização da crença e prática religiosa.


A importância da Reforma Luterana se estende além de seu impacto teológico; ela também teve consequências sociais e culturais de longo alcance. A tradução da Bíblia para as línguas vernáculas, mais notavelmente a tradução alemã de Lutero, foi um momento decisivo, aumentando a alfabetização e fomentando uma cultura de educação entre os leigos. Essa acessibilidade dos textos religiosos na língua local democratizou o conhecimento religioso, diminuindo o monopólio da interpretação teológica pelo clero e empoderando os indivíduos em suas vidas espirituais.

 

A Reforma também abriu caminho para a noção moderna do Estado-nação, pois incentivou o crescimento de identidades nacionais e enfraqueceu o domínio da Igreja Católica sobre as monarquias europeias. Em muitas regiões, os governantes locais adotaram o Protestantismo como meio de afirmar sua independência da influência da Igreja, levando a realinhamentos políticos e territoriais significativos. Assim, a Reforma não foi apenas uma revolução religiosa, mas também um catalisador para transformações sociais mais amplas, estabelecendo elementos fundamentais para o mundo ocidental moderno.

 

 


Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia Indicada

 

Martinho Lutero, um destino
Autor: Febvre, Lucien
Editora: Três estrelas


Fontes de referência do texto:

 

- EYLER, Flávia Maria Schlee. História Antiga – Grécia e Roma: a formação do Ocidente. Petrópolis: Editora Vozes, 2014.

- PILETTI, Nelson. História e Vida Integrada. São Paulo: Editora Ática, 1998.


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