Governo JK e suas realizações


 

Quem foi JK

 

Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902–1976), conhecido como JK, foi um médico e político brasileiro que exerceu os cargos de prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais, deputado federal, senador e presidente da República entre 1956 e 1961. Seu governo ficou marcado pelo projeto desenvolvimentista sintetizado no lema “Cinquenta anos em cinco”, que incentivou a industrialização, a construção de rodovias, a produção de energia e a instalação de empresas estrangeiras no país. Também foi responsável pela construção e inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, símbolo da modernização nacional e da transferência da capital para o interior do Brasil. Apesar do crescimento econômico e das grandes obras, sua administração também provocou aumento da dívida externa, da inflação e das desigualdades regionais.

 

Período de governo

 

Juscelino Kubitschek de Oliveira foi eleito presidente do Brasil nas eleições de 1955, tendo João Goulart (Jango) como vice-presidente. Assumiu o governo no dia 31 de janeiro de 1956, ficando no poder até 31 de janeiro de 1961, quando passou o cargo para Jânio Quadros.




Principais realizações, características e fatos ocorridos no governo JK:

 

 

1. Plano de Metas 

 

No começo de seu governo, JK apresentou ao povo brasileiro o seu Plano de Metas, cujo lema era “cinquenta anos em cinco”. Pretendia desenvolver o país cinquenta anos em apenas cinco de governo. O plano consistia no investimento em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico, principalmente, infraestrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria (principalmente automobilística). Neste plano, JK criou a SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) para desenvolver esta região do Brasil.


2. Desenvolvimento industrial na Era JK

 

Foi na área do desenvolvimento industrial que JK teve maior êxito. Ele abriu a economia para o capital internacional e, desta forma, atraiu o investimento de grandes empresas. Foi no governo JK, que entraram no país grandes montadoras de automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors). Estas indústrias instalaram suas filiais na região sudeste do Brasil, principalmente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC (Santo André, São Caetano e São Bernardo). As oportunidades de empregos aumentaram muito nesta região, atraindo trabalhadores de todo Brasil. Este fato fez aumentar o êxodo rural (saída do homem do campo para as cidades) e a migração de nordestinos e nortistas, de suas regiões, para as grandes cidades do Sudeste.

 

3. Construção de Brasília: a nova capital

 

Além do desenvolvimento do Sudeste, a região Centro-Oeste também cresceu e atraiu um grande número de migrantes nordestinos. A grande obra de JK foi a construção de Brasília, a nova capital do Brasil. Com a transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, JK pretendia desenvolver a região central do país e afastar o centro das decisões políticas de uma região densamente povoada. Com capital oriundo de empréstimos internacionais, JK conseguiu finalizar e inaugurar Brasília, em 21 de abril de 1960.

 

Foto mostrando a construção do Palácio do Planalto em Brasília

Construção de Brasília: um dos principais feitos do governo JK.



4. Governabilidade

 

Juscelino Kubitschek foi um hábil negociador político. Conseguiu governar estabelecendo boas relações com o Congresso Nacional. Fez também acordos políticos com diversos movimentos políticos e sociais, mesmo sendo de posições e ideais diferentes. Esta forma de governar possibilitou uma administração com certa estabilidade na condução do país.

 

JK também estabeleceu acordos políticos com representantes das elites rurais e urbanas do Brasil. Seu partido era o PSD (Partido Social Democrático) que era muito representativo na zona rural. Tinha também o apoio do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) que era muito influente na zona urbana.



5. Política externa



Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956–1961), a política externa brasileira esteve ligada ao projeto desenvolvimentista e à busca de investimentos estrangeiros para financiar a industrialização. O Brasil manteve relações próximas com os Estados Unidos, mas procurou ampliar sua margem de negociação no contexto da Guerra Fria. Em 1958, JK lançou a Operação Pan-Americana, proposta que defendia maior cooperação econômica dos Estados Unidos com os países latino-americanos, com investimentos destinados ao combate à pobreza e ao subdesenvolvimento. O governo também estreitou relações comerciais com países europeus, recebeu capitais e empresas estrangeiras e participou de iniciativas de integração regional, como a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio, em 1960. Apesar dessas iniciativas, o país permaneceu integrado ao bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e aumentou sua dependência de empréstimos e investimentos externos.

 

 

 

Cultura no Brasil durante o governo JK


Durante o governo de Juscelino Kubitschek, a cultura brasileira foi caracterizada por um ambiente de modernização, otimismo e valorização da identidade nacional. O crescimento urbano, a industrialização e a ampliação dos meios de comunicação contribuíram para o surgimento de novas formas de expressão artística. Na música, destacou-se a Bossa Nova, desenvolvida no final da década de 1950 por artistas como João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No Cinema, ganhou força o movimento que daria origem ao Cinema Novo, interessado em representar criticamente os problemas sociais do país. A televisão, implantada no Brasil em 1950, também se expandiu durante o período, embora ainda estivesse concentrada nos grandes centros urbanos.

Nas Artes Plásticas, na Literatura e na Arquitetura, predominou a busca por linguagens inovadoras relacionadas ao projeto de construção de um Brasil moderno. Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960, tornou-se o principal símbolo cultural e arquitetônico dessa proposta, com o plano urbanístico de Lúcio Costa e os edifícios projetados por Oscar Niemeyer. Movimentos como o Concretismo e o Neoconcretismo promoveram experiências com formas geométricas, linguagem visual e participação do público. Apesar da intensa renovação cultural, grande parte dessa produção permaneceu ligada às camadas urbanas e escolarizadas, enquanto as manifestações populares e as desigualdades sociais nem sempre receberam o mesmo espaço nas políticas oficiais.



 

Balanço do governo JK: aspectos positivos e negativos

 

A política econômica desenvolvimentista de Juscelino apresentou pontos positivos e negativos para o nosso país. A entrada de multinacionais gerou empregos; porém, deixou nosso país mais dependente do capital externo. Os investimentos concentrados na industrialização deixou de lado a zona rural, prejudicando o trabalhador do campo e a produção agrícola. O país ganhou uma nova capital, porém a dívida externa, contraída para esta obra, aumentou significativamente. A migração e o êxodo rural descontrolados fizeram aumentar a pobreza, a miséria e a violência nas grandes capitais do sudeste do país.

Dia da posse de Juscelino Kubitschek

Dia da posse de Juscelino Kubitschek (fonte: Arquivo Nacional do Brasil).

 

 

 



Resumo: Governo Juscelino Kubitschek (1956–1961)



• Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência da República em 31 de janeiro de 1956, após vencer as eleições de 1955.



• Seu governo adotou uma política econômica desenvolvimentista, baseada na rápida modernização e industrialização do Brasil.



• O lema “Cinquenta anos em cinco” sintetizava a proposta de acelerar o crescimento econômico e estrutural do país.



• O Plano de Metas estabeleceu prioridades em áreas como energia, transportes, alimentação, educação e indústria de base.



• A produção de energia elétrica foi ampliada por meio da construção de usinas hidrelétricas, como Furnas e Três Marias.



• A expansão da malha rodoviária recebeu destaque, com a construção e melhoria de estradas destinadas a integrar diferentes regiões brasileiras.



• O governo incentivou a instalação de indústrias estrangeiras, especialmente empresas do setor automobilístico.



• A produção de automóveis, caminhões, máquinas e eletrodomésticos cresceu significativamente durante o período.



• A construção de Brasília foi considerada a meta-síntese do governo e buscava promover a ocupação e a integração do interior do território nacional.



• Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960 e tornou-se a nova capital do Brasil, substituindo o Rio de Janeiro.



• A administração de JK foi marcada por relativa estabilidade política e pela preservação do regime democrático.



• O crescimento econômico beneficiou principalmente os setores urbanos e industriais, sem eliminar as desigualdades sociais e regionais.



• Os elevados investimentos públicos e a entrada de capital estrangeiro contribuíram para o aumento da dívida externa brasileira.



• A inflação cresceu durante o governo, reduzindo o poder de compra de parte da população.



• Juscelino Kubitschek encerrou seu mandato em 31 de janeiro de 1961, deixando como principais marcas a industrialização, a modernização da infraestrutura e a construção de Brasília.

 


 

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 26/07/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de pesquisa consultadas para a elaboração do texto:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Juscelino_Kubitschek

NETO, J. A. Freitas; TASINAFO, Celio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2015.

VICENTINO, Cláudio; VICENTINO, Bruno. Olhares da História – Brasil e Mundo. São Paulo: Ática, 2019.



Vídeo indicado no YouTube:


Governo JK | Juscelino Kubitschek (Canal Se Liga - Enem e Vestibulares)


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