Guerra da Bósnia


 

O que foi

 

Com o fim do socialismo no leste europeu no final da década de 1980, vários países passaram por importantes transformações. Enquanto alguns países conseguiram passar pelo A Guerra da Bósnia foi um conflito armado ocorrido entre 1992 e 1995, no contexto da desintegração da Iugoslávia. A guerra teve início após a declaração de independência da Bósnia e Herzegovina, território habitado principalmente por bósnios muçulmanos, sérvios e croatas. O conflito envolveu disputas políticas, territoriais e étnico-nacionalistas, com confrontos especialmente intensos entre forças bósnias, sérvias da Bósnia e croatas. Marcada por cercos a cidades, deslocamentos forçados da população, massacres e outras graves violações dos direitos humanos, a guerra provocou cerca de 100 mil mortes e milhões de refugiados e deslocados. O conflito terminou em 1995 com os Acordos de Dayton, que preservaram a Bósnia e Herzegovina como um Estado independente, porém dividido internamente em entidades político-administrativas.



Repúblicas da Ex-Iugoslávia:

 

• Sérvia

• Croácia

• Montenegro

• Bósnia-Herzegóvina

• Eslovênia

• Macedônia



Contexto histórico

 

O território da Iugoslávia era composto por seis repúblicas (nomes acima) com grandes diferenças étnicas e culturais. Durante o regime autoritário socialista de Tito (até 1980, ano de sua morte), a unidade foi mantida a força. Porém, na década de 1980, os conflitos e disputas começaram a aparecer entre os representante políticos das repúblicas. Em 1991, houve um desentendimento, por motivos de indicação política, entre a Croácia e a Sérvia.

Na sequência, Croácia e Eslovênia optaram pela separação. Logo em seguida, em 1992, foi a vez da Macedônia e da Bósnia-Herzegóvina se separarem.

 

 

Principais causas:

 

• Após a desintegração da Iugoslávia, a República da Bósnia-Herzegóvina ficou sendo governada por políticos bósnios muçulmanos. Porém, uma parte significativa da população do país era composta por sérvios cristãos (ortodoxos). Esses não aceitaram o governo muçulmano e organizaram uma guerra para tirar os muçulmanos do poder.

• Os sérvios também tinham a intenção de tomar parte do território da Bósnia-Herzegóvina e anexá-la ao território da Sérvia.

• Os problemas étnicos, sociais, religiosos, econômicos e de segurança, que surgiram após a desintegração da Iugoslávia, também podem ser citados como causadores das condições para a ocorrência do conflito.


• Políticos, como Slobodan Milosevic na Sérvia e Franjo Tudjman na Croácia, exploraram essas tensões étnicas e nacionalistas para seus próprios propósitos, criando mais divisões entre as comunidades.


• O reconhecimento da independência da Bósnia pela comunidade internacional em 1992, particularmente pela Comunidade Europeia e pelos Estados Unidos, desencadeou ações agressivas dos sérvios da Bósnia, que se opunham à independência.

 

Como foi

 

Após um referendo que aprovou a independência da Bósnia-Herzegovina, lideranças políticas sérvias da região rejeitaram o resultado e proclamaram a República Sérvia da Bósnia. Em abril de 1992, forças sérvias apoiadas pelo Exército Popular Iugoslavo iniciaram operações militares contra o novo Estado bósnio. Cidades foram cercadas e houve ataques contra populações civis, iniciando um conflito que envolveu principalmente três grupos: bósnios muçulmanos, sérvios e croatas.

Entre 1992 e 1994, ocorreram combates intensos em várias regiões da Bósnia-Herzegovina. Um dos episódios mais marcantes foi o cerco de Sarajevo, iniciado em abril de 1992, quando forças sérvias cercaram a capital e bombardearam a cidade por quase quatro anos. Durante o conflito também ocorreram confrontos entre croatas e bósnios, especialmente entre 1993 e 1994, quando milícias croatas tentaram estabelecer territórios próprios no país. Diversas cidades mudaram de controle ao longo da guerra, enquanto ataques contra civis e deslocamentos forçados de população tornaram-se frequentes.

Em 1995, os combates atingiram um dos momentos mais violentos do conflito, incluindo o massacre de Srebrenica em julho daquele ano, quando milhares de bósnios muçulmanos foram mortos por forças sérvias. A intensificação das ofensivas militares, combinada com bombardeios da OTAN contra posições sérvias, pressionou as partes envolvidas a negociar.

 

Intervenção internacional

 

A intervenção internacional na Guerra da Bósnia ocorreu principalmente a partir da atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entre 1992 e 1995. A ONU enviou forças de paz para a região e estabeleceu zonas de segurança destinadas a proteger civis, além de organizar ajuda humanitária para as populações afetadas pelo conflito. Com a intensificação da violência, especialmente em 1995, a OTAN realizou bombardeios contra posições militares sérvias na Bósnia-Herzegovina, buscando pressionar os envolvidos a encerrar as hostilidades. Essa atuação militar e diplomática internacional contribuiu para a abertura de negociações que culminaram na assinatura do Acordo de Dayton, em novembro de 1995, responsável por encerrar oficialmente a guerra.

 

 

Cidade de Saravejo destruída durante a Guerra da Bósnia

Cidade de Sarajevo destruída durante a Guerra da Bósnia.

 

 

Fim da Guerra e acordo de paz

 

O conflito terminou em 1995, após a assinatura do Acordo de Dayton, também conhecido como Protocolo de Paris, que foi intermediado pelos Estados Unidos.

Segundo o tratado de paz, o território da Bósnia-Herzegóvina foi dividido em duas unidades de administração.

Uma área, com 51% do território (Federação da Bósnia e Herzegóvina), ficou com a administração dos bósnios muçulmanos e bósnios croatas.

A outra área administrativa (República da Sérvia) possui 49% do território da Bósnia-Herzegóvina e é governada pelos sérvios.

 

 

Consequências:

 

• Grande número de mortos: o conflito resultou na morte de aproximadamente 100 mil pessoas entre 1992 e 1995, incluindo civis e combatentes.


• Deslocamento populacional em massa: milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, tornando-se refugiadas ou deslocadas internos em diferentes regiões da Europa.


• Devastação de cidades e infraestrutura: diversas cidades da Bósnia-Herzegovina sofreram destruição significativa, incluindo moradias, hospitais, escolas e redes de transporte.


• Reorganização política da Bósnia-Herzegovina: o Acordo de Dayton (1995) estabeleceu uma nova estrutura estatal composta por duas entidades principais, a Federação da Bósnia e Herzegóvina e a República Sérvia da Bósnia.


• Presença internacional no país: forças militares internacionais e missões da Organização das Nações Unidas e da OTAN permaneceram na região para garantir a implementação do acordo de paz e a estabilidade política.


• Julgamento de crimes de guerra: a criação do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em 1993, permitiu investigar e julgar líderes políticos e militares envolvidos em crimes contra a humanidade e genocídio.


• Tensões étnicas persistentes: mesmo após o fim da guerra, divisões entre bósnios muçulmanos, sérvios e croatas continuaram influenciando a política e a sociedade do país.


• Impactos econômicos duradouros: a guerra provocou forte retração econômica, destruição de setores produtivos e dificuldades no processo de reconstrução nacional.

 

 

 


 

RESUMO


Período do conflito (1992–1995)

• Guerra ocorreu durante a dissolução da Iugoslávia no início da década de 1990.
• Iniciou-se após a declaração de independência da Bósnia-Herzegovina em março de 1992.
• Conflito terminou com a assinatura do Acordo de Dayton em novembro de 1995.


Grupos envolvidos

• Bósnios muçulmanos (bósnios): defendiam a manutenção da independência e da integridade territorial da Bósnia-Herzegovina.
• Sérvios da Bósnia: buscavam manter territórios ligados à Sérvia e formar uma entidade política própria.
• Croatas da Bósnia: em parte do conflito tentaram estabelecer territórios autônomos ligados à Croácia.


Principais acontecimentos:

• Declaração de independência da Bósnia-Herzegovina em 1992 e início das operações militares.
• Cerco de Sarajevo (1992–1996): forças sérvias cercaram a capital e bombardearam a cidade por vários anos.
• Conflitos entre croatas e bósnios (1993–1994): disputa por territórios dentro da Bósnia-Herzegovina.
• Massacre de Srebrenica em julho de 1995, quando milhares de bósnios muçulmanos foram mortos.


Intervenção internacional

• Atuação da Organização das Nações Unidas com envio de forças de paz durante o conflito.
• Bombardeios da OTAN contra posições sérvias em 1995 para pressionar o fim da guerra.
• Negociações diplomáticas que levaram à assinatura do Acordo de Dayton.


Consequências:

• Aproximadamente 100 mil mortos ao longo da guerra.
• Milhões de pessoas deslocadas ou refugiadas em diferentes regiões da Europa.
• Reorganização política da Bósnia-Herzegovina em duas entidades administrativas.
• Criação de tribunais internacionais para julgar crimes de guerra ocorridos durante o conflito.

 


 

Artigo publicado em 03/07/2019 e atualizado em 16/03/2026

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência:

 

https://en.wikipedia.org/wiki/Bosnian_War

 

LINHARES, Maria. História Geral e do Brasil: São Paulo: GEN LTC, 2016.

ARRUDA, José Jobson de Andrade; PILETTI, Nelson. Toda a História. História Geral e do Brasil. São Paulo: Ática, 2007.

 

https://www.britannica.com/event/Bosnian-War

 

 

Vídeo indicado no YouTube:

- Guerra da Bósnia | Nerdologia


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