Conceito de migração
Migração é o deslocamento de pessoas de um espaço geográfico para outro, de forma temporária ou permanente, motivado por fatores econômicos, sociais, culturais, ambientais ou políticos. No Brasil, esse processo sempre esteve presente na formação do território, influenciando a distribuição populacional, a organização das cidades e a dinâmica econômica desde o período colonial, especialmente a partir do século XIX com o crescimento urbano-industrial.
Causas da migração no Brasil:
• Busca por melhores oportunidades econômicas: muitos deslocamentos internos ocorreram devido à procura por emprego em regiões mais desenvolvidas, especialmente após o avanço industrial brasileiro entre as décadas de 1930 e 1980.
• Expansão da fronteira agrícola: o interior do país recebeu fluxos migratórios ligados às políticas de ocupação de áreas como o Centro-Oeste, intensificadas a partir da década de 1970 com a modernização agrícola.
• Desigualdades regionais históricas: diferenças estruturais entre regiões, como o contraste entre o Nordeste e o Sudeste, estimularam movimentos populacionais constantes, observados desde o início do século XX.
• Fatores ambientais: secas prolongadas, como as registradas no semiárido nordestino desde o século XIX, provocaram êxodos significativos para áreas urbanas mais desenvolvidas.
• Urbanização acelerada: a industrialização atraiu grandes fluxos para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, especialmente entre 1950 e 1980.
• Políticas governamentais: projetos como a construção de Brasília em 1960 impulsionaram migrações destinadas à ocupação e ao trabalho na nova capital federal.
Exemplos de migração no Brasil:
• Migração nordestina para o Sudeste: entre as décadas de 1940 e 1980, grandes contingentes deixaram o Nordeste devido à pobreza e às secas, dirigindo-se principalmente para São Paulo em busca de emprego industrial.
• Fluxo para a Amazônia durante o Ciclo da Borracha: entre 1870 e 1910, milhares de trabalhadores foram atraídos para áreas amazônicas com a expansão da produção de borracha, fenômeno retomado parcialmente na década de 1940.
• Interiorização da população para o Centro-Oeste: a partir da década de 1970, a expansão agrícola e a fundação de cidades planejadas atraíram migrantes do Sul, Sudeste e Nordeste.
• Êxodo rural: intensificado entre as décadas de 1950 e 1990, resultou na saída de milhões de pessoas do campo em direção aos centros urbanos, alterando a estrutura demográfica nacional.
• Migração para fronteiras agropecuárias: regiões como o norte do Mato Grosso receberam populações vindas principalmente do Sul, impulsionadas pela modernização do agronegócio desde a década de 1980.
Consequências da migração no Brasil
A migração no Brasil produziu impactos relevantes na organização do território. A urbanização acelerada entre as décadas de 1950 e 1980 ampliou metrópoles como São Paulo, que se tornou o maior polo populacional do país, resultando em problemas urbanos, como favelização e desigualdade socioespacial. O esvaziamento de áreas rurais provocou a diminuição da mão de obra agrícola tradicional, alterando práticas produtivas e favorecendo a mecanização intensificada no final do século XX.
Regiões de recepção, como o Centro-Oeste, registraram crescimento econômico associado à expansão do agronegócio, mas também conflitos fundiários intensificados desde os anos 1980. A diversificação cultural nas cidades contribuiu para novas formas de identidade e sociabilidade. Por fim, as migrações internas moldaram a distribuição populacional contemporânea, consolidando áreas dinâmicas como o Sudeste e o Centro-Oeste, enquanto desafios históricos persistem no Norte e Nordeste.
Migração internacional para o Brasil
A partir do final do século XIX, o Brasil recebeu fluxos significativos de migrantes internacionais, especialmente europeus e, em menor escala, asiáticos, que foram incentivados pelo Estado para suprir a demanda por mão de obra após o fim da escravidão em 1888. Entre 1880 e 1930, entraram milhões de imigrantes italianos, portugueses, espanhóis e alemães, que se concentraram nas regiões Sul e Sudeste, transformando profundamente a estrutura social, econômica e cultural dessas áreas.
No final do século XX e início do século XXI, o país voltou a receber migrantes internacionais, agora oriundos de nações latino-americanas, africanas e caribenhas, como haitianos e venezuelanos, que se deslocaram devido a crises econômicas, políticas e ambientais. Esse novo ciclo migratório ampliou a diversidade sociocultural e trouxe desafios relacionados à integração social e à garantia de direitos básicos.
Políticas públicas e gestão da migração
A gestão da migração no Brasil passou por mudanças importantes ao longo do século XX, especialmente com a substituição do Estatuto do Estrangeiro de 1980 pela Lei de Migração de 2017, que incorporou princípios de direitos humanos e ampliou garantias a migrantes em situação regular e irregular. As políticas migratórias também ocorreram em âmbito interno, com programas governamentais de incentivo à ocupação de novas áreas, como os projetos de colonização no Centro-Oeste durante as décadas de 1970 e 1980.
No século XXI, mecanismos institucionais foram aprimorados para lidar com fluxos emergenciais, como abrigamento, interiorização e regularização documental, fundamentais no acolhimento de populações deslocadas por crises humanitárias. Essas ações demonstram a importância do planejamento estatal no ordenamento territorial e na redução de desigualdades derivadas dos movimentos migratórios.
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| Infográfico com resumo sobre migração no Brasil |
RESUMO
Conceito de migração
– Migração como deslocamento populacional permanente ou temporário, motivado por fatores econômicos, sociais, ambientais ou políticos, influenciando a organização espacial brasileira desde o século XIX.
Causas da migração no Brasil:
– Busca por melhores oportunidades econômicas: atração por regiões industrializadas entre as décadas de 1930 e 1980.
– Expansão da fronteira agrícola: deslocamentos para o Centro-Oeste estimulados pela modernização agrícola a partir da década de 1970.
– Desigualdades regionais históricas: contrastes estruturais entre Nordeste e Sudeste intensificando fluxos desde o início do século XX.
– Fatores ambientais: êxodos provocados por secas nas áreas do semiárido desde o século XIX.
– Urbanização acelerada: crescimento de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro entre 1950 e 1980.
– Políticas governamentais: interiorização impulsionada pela construção de Brasília em 1960.
Exemplos de migração no Brasil:
– Migração nordestina para o Sudeste: deslocamentos intensos entre 1940 e 1980 em busca de emprego urbano-industrial.
– Fluxo para a Amazônia no Ciclo da Borracha: atração de trabalhadores entre 1870 e 1910, retomada parcial na década de 1940.
– Interiorização para o Centro-Oeste: atração a partir da década de 1970 pela expansão agrícola e cidades planejadas.
– Êxodo rural: saída crescente do campo para as cidades entre 1950 e 1990.
– Migração para fronteiras agropecuárias: chegada de populações ao norte de Mato Grosso desde a década de 1980.
Consequências da migração no Brasil:
– Urbanização acelerada com crescimento de metrópoles e surgimento de desigualdades socioespaciais.
– Esvaziamento rural e mecanização agrícola intensificada no final do século XX.
– Crescimento econômico de áreas receptoras, como o Centro-Oeste, acompanhado de conflitos fundiários.
– Diversificação cultural em regiões urbanas e redistribuição populacional marcada pelo fortalecimento do Sudeste e Centro-Oeste.
Migração internacional para o Brasil:
– Entrada de europeus e asiáticos entre 1880 e 1930, influenciando a formação social do Sul e Sudeste.
– Novos fluxos no final do século XX e início do XXI, principalmente de latino-americanos, africanos e caribenhos, impulsionados por crises e busca de melhores condições de vida.
– Ampliação da diversidade cultural e desafios de integração social.
Políticas públicas e gestão da migração:
– Transição do Estatuto do Estrangeiro de 1980 para a Lei de Migração de 2017, com enfoque em direitos humanos.
– Projetos governamentais internos de ocupação regional nas décadas de 1970 e 1980.
– Ações recentes voltadas ao acolhimento, interiorização e regularização de migrantes afetados por crises humanitárias.
8 DICAS DA PROFESSORA DE GEOGRAFIA PARA PROVAS, VESTIBULARES E ENEM:
1. Movimentos migratórios internos no Brasil contemporâneo: compreender fenômenos como êxodo rural, migração pendular e interiorização populacional, destacando datas como o auge do êxodo rural entre 1950 e 1990.
2. Desigualdades regionais e fluxos migratórios: identificar como contrastes históricos entre Nordeste e Sudeste estruturam fluxos desde o início do século XX, relacionando economia, clima e oportunidades de trabalho.
3. Urbanização e migração nas décadas de 1950 a 1980: analisar como a industrialização brasileira atraiu milhões para cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, influenciando a expansão urbana e a formação de metrópoles.
4. Migração internacional histórica para o Brasil: reconhecer a chegada de europeus e asiáticos entre 1880 e 1930, relacionando o fenômeno ao fim da escravidão (1888) e às políticas de imigração da Primeira República.
5. Migração internacional recente: entender fluxos contemporâneos de venezuelanos, haitianos e africanos no século XXI, relacionando crises humanitárias, econômicas e ambientais às novas dinâmicas de mobilidade.
6. Fatores ambientais e migração: destacar como secas prolongadas no semiárido nordestino desde o século XIX provocam migração constante, especialmente para grandes centros urbanos do Sudeste.
7. Políticas públicas de migração: identificar a importância da construção de Brasília (1960), dos projetos de colonização do Centro-Oeste nas décadas de 1970 e 1980 e da Lei de Migração de 2017 nas provas sobre organização do território.
8. Consequências socioespaciais da migração: relacionar a redistribuição populacional às transformações no uso do solo, à expansão do agronegócio desde a década de 1980, à favelização e à diversidade cultural nas cidades brasileiras.
Por Marcia Rodrigues - Professora de Geografia - Graduada pela Universidade de Guarulhos (2005)
Publicado em 23/02/2026
Fonte de referência:
SPOSITO, Eliseu Savério; BOMTEMPO, Denise Cristina; SOUZA, Adriano Amaro de. Geografia e migração: movimentos, territórios e territorialidades. São Paulo: Expressão Popular, 2010