Fungos


 

O que são fungos?



Os fungos são seres vivos eucariontes, ou seja, possuem células com núcleo organizado e delimitado por membrana. Eles formam o Reino Fungi, um grupo muito diverso que inclui organismos como bolores, mofos, cogumelos, leveduras e orelhas-de-pau. Durante muito tempo, os fungos foram confundidos com plantas, mas hoje se sabe que possuem características próprias e constituem um reino separado.

Diferentemente das plantas, os fungos não realizam fotossíntese, pois não possuem clorofila. Também não produzem seu próprio alimento. Por isso, são classificados como heterotróficos, isto é, obtêm matéria orgânica a partir de outros seres vivos ou de restos de organismos mortos. Essa característica é essencial para compreender sua importância ecológica, econômica e médica.



Características gerais dos fungos



Os fungos apresentam células eucariontes, parede celular formada principalmente por quitina e nutrição por absorção. A quitina é uma substância resistente que também está presente no exoesqueleto de artrópodes, como insetos e crustáceos. Essa composição diferencia os fungos das plantas, que possuem parede celular formada por celulose.

A maioria dos fungos é pluricelular, como os cogumelos e bolores, mas existem fungos unicelulares, como as leveduras. Os fungos pluricelulares geralmente apresentam estruturas chamadas hifas, que são filamentos microscópicos responsáveis pela absorção de nutrientes. O conjunto de hifas forma o micélio, estrutura que se espalha sobre ou dentro do substrato em que o fungo vive.



Nutrição dos fungos



Os fungos são heterotróficos por absorção. Isso significa que liberam enzimas digestivas no ambiente, degradam a matéria orgânica fora do corpo e depois absorvem as substâncias resultantes desse processo. Essa forma de alimentação é chamada digestão extracorpórea, pois a decomposição do alimento ocorre fora das células do fungo.

De acordo com a maneira como obtêm alimento, os fungos podem ser sapróbios, parasitas ou mutualistas. Os sapróbios alimentam-se de matéria orgânica morta, como folhas caídas, troncos em decomposição e restos de animais. Os parasitas retiram nutrientes de seres vivos, podendo causar doenças. Os mutualistas vivem associados a outros organismos em relações vantajosas para ambos.



Fungos decompositores



Os fungos decompositores exercem papel fundamental nos ecossistemas. Eles degradam restos de plantas, animais mortos, fezes e outros materiais orgânicos, transformando-os em substâncias mais simples. Esse processo devolve nutrientes ao solo, permitindo que sejam reutilizados por plantas e outros seres vivos.

Sem os fungos decompositores, a matéria orgânica se acumularia no ambiente e os ciclos naturais seriam prejudicados. Elementos como carbono, nitrogênio e fósforo dependem da ação de decompositores para continuar circulando nos ecossistemas. Por isso, os fungos são essenciais para a manutenção da fertilidade do solo e do equilíbrio ambiental.



Estrutura dos fungos pluricelulares



Nos fungos pluricelulares, o corpo é formado por hifas. Essas hifas podem ser septadas, quando apresentam divisões internas chamadas septos, ou cenocíticas, quando não possuem separações completas entre as células. Em ambos os casos, elas permitem a absorção eficiente de nutrientes e a expansão do fungo pelo ambiente.

O micélio é a parte vegetativa do fungo, responsável pela nutrição e crescimento. Muitas vezes, ele fica escondido no solo, na madeira, nos alimentos ou em outros substratos. O cogumelo visível acima do solo é apenas uma estrutura reprodutiva, responsável pela produção e liberação de esporos.



Reprodução dos fungos



Os fungos podem se reproduzir de forma assexuada e sexuada. Na reprodução assexuada, um único indivíduo origina novos organismos sem a união de células sexuais. Esse processo pode ocorrer por fragmentação do micélio, brotamento ou produção de esporos assexuados.

O brotamento é comum nas leveduras, como o fermento biológico. Nesse processo, uma pequena projeção surge na célula-mãe, cresce e pode se separar, formando uma nova célula. Já a produção de esporos permite que os fungos se espalhem com facilidade pelo ar, pela água, pelo solo ou por animais.

A reprodução sexuada envolve a combinação de material genético de indivíduos compatíveis. Esse processo aumenta a variabilidade genética, o que pode favorecer a adaptação dos fungos a diferentes ambientes. Em muitos fungos, os esporos formados na reprodução sexuada são resistentes e capazes de originar novos micélios quando encontram condições adequadas.



Esporos dos fungos



Os esporos são estruturas reprodutivas microscópicas, geralmente leves e resistentes. Eles podem ser transportados pelo vento, pela água ou por seres vivos. Quando caem em um ambiente com umidade, temperatura e nutrientes adequados, germinam e originam novas hifas.

A presença de esporos explica por que os fungos surgem rapidamente em alimentos expostos, paredes úmidas, roupas guardadas e materiais orgânicos em decomposição. Mesmo quando não são visíveis, muitos esporos estão presentes no ar e no ambiente, aguardando condições favoráveis para se desenvolver.



Classificação dos fungos



A classificação dos fungos é baseada em características celulares, reprodutivas e genéticas. Entre os principais grupos estudados estão os quitridiomicetos, zigomicetos, ascomicetos e basidiomicetos. Essa divisão ajuda a compreender a diversidade do Reino Fungi e suas diferentes formas de vida.


Quitridiomicetos: são fungos geralmente aquáticos ou encontrados em ambientes úmidos. Alguns apresentam células reprodutivas flageladas, característica considerada mais primitiva entre os fungos. Podem atuar como decompositores ou parasitas.

Zigomicetos: incluem fungos conhecidos como bolores, como o bolor preto do pão. Desenvolvem-se sobre alimentos e matéria orgânica em decomposição. Produzem estruturas reprodutivas resistentes chamadas zigósporos.

Ascomicetos: formam o maior grupo de fungos. Incluem leveduras, bolores e algumas espécies com estruturas visíveis. Produzem esporos em estruturas chamadas ascos. Têm grande importância econômica, pois algumas espécies são usadas na fabricação de pães, bebidas alcoólicas e medicamentos.

Basidiomicetos: incluem cogumelos, orelhas-de-pau e alguns fungos causadores de ferrugens em plantas. Produzem esporos em estruturas chamadas basídios. Muitos basidiomicetos são decompositores importantes, especialmente na degradação da madeira.

 

 

Fungo da espécie taça escarlate

Fungo Taça Escarlate (Sarcoscypha coccinea)

 



Leveduras



As leveduras são fungos unicelulares muito importantes para os seres humanos. Uma das mais conhecidas é Saccharomyces cerevisiae, utilizada na produção de pães, cervejas e vinhos. Esses fungos realizam fermentação alcoólica, processo em que transformam açúcares em álcool, gás carbônico e energia.

Na produção de pães, o gás carbônico liberado pelas leveduras fica preso na massa, fazendo-a crescer. Na produção de bebidas alcoólicas, o álcool resultante da fermentação é o produto desejado. Por essa razão, as leveduras têm grande importância na indústria alimentícia e biotecnológica.



Cogumelos



Os cogumelos são estruturas reprodutivas de certos fungos, especialmente basidiomicetos. Eles produzem e liberam esporos, contribuindo para a dispersão da espécie. A parte visível do cogumelo é apenas uma fração do organismo, pois grande parte do fungo permanece no substrato sob a forma de micélio.

Alguns cogumelos são comestíveis, como champignon, shiitake e shimeji. Outros são tóxicos e podem causar intoxicações graves ou até morte. Por isso, não se deve consumir cogumelos encontrados na natureza sem identificação segura feita por especialistas.



Bolores e mofos



Bolores e mofos são fungos que crescem sobre alimentos, paredes, tecidos, madeira e outros materiais orgânicos. Eles se desenvolvem principalmente em locais úmidos, pouco ventilados e com matéria orgânica disponível. São comuns em pães, frutas, queijos, roupas guardadas e ambientes com infiltração.

Embora muitos bolores sejam prejudiciais aos alimentos e à saúde, alguns têm importância positiva. Certas espécies são usadas na fabricação de queijos, como roquefort e gorgonzola. Outras contribuíram para a produção de medicamentos, como antibióticos.



Fungos e antibióticos



Um dos exemplos mais importantes da relação entre fungos e medicina é a penicilina, descoberta em 1928 por Alexander Fleming. Esse antibiótico foi obtido a partir de fungos do gênero Penicillium e revolucionou o tratamento de infecções bacterianas ao longo do século XX.

A descoberta da penicilina mostrou que os fungos podem produzir substâncias capazes de combater microrganismos causadores de doenças. Desde então, diversos compostos de origem fúngica passaram a ser estudados e utilizados na medicina, na indústria farmacêutica e em pesquisas biotecnológicas.



Fungos parasitas



Alguns fungos vivem como parasitas e podem causar doenças em plantas, animais e seres humanos. Nas plantas, podem provocar ferrugens, manchas, apodrecimento de raízes, perda de folhas e redução da produção agrícola. Em lavouras, doenças causadas por fungos geram prejuízos econômicos significativos.

Nos seres humanos, fungos parasitas podem causar micoses, como frieira, candidíase, tinha e infecções nas unhas. Muitas dessas doenças estão associadas a ambientes úmidos, baixa ventilação, contato com superfícies contaminadas ou alterações na imunidade. Em pessoas com sistema imunológico enfraquecido, algumas infecções fúngicas podem ser mais graves.



Micoses



As micoses são doenças causadas por fungos. Elas podem atingir pele, unhas, cabelos, mucosas e, em casos mais graves, órgãos internos. As micoses superficiais são mais comuns e costumam ocorrer em regiões quentes e úmidas do corpo, como entre os dedos dos pés, virilha e dobras da pele.

A prevenção envolve manter a higiene corporal, secar bem o corpo após o banho, evitar compartilhar toalhas e calçados, usar roupas arejadas e não permanecer por muito tempo com peças molhadas. O tratamento depende do tipo de fungo e da região afetada, podendo envolver medicamentos antifúngicos de uso local ou oral.



Fungos mutualistas



Nem todos os fungos causam prejuízos. Muitos estabelecem relações mutualistas, nas quais tanto o fungo quanto o outro organismo envolvido se beneficiam. Dois exemplos importantes são os líquens e as micorrizas.

Nos líquens, há associação entre fungos e algas ou cianobactérias. O fungo oferece proteção, retenção de água e sais minerais, enquanto a alga ou cianobactéria realiza fotossíntese e fornece matéria orgânica. Os líquens podem viver em ambientes extremos e são utilizados como indicadores de qualidade do ar, pois muitas espécies são sensíveis à poluição.

Nas micorrizas, os fungos associam-se às raízes das plantas. O fungo aumenta a capacidade da planta de absorver água e sais minerais, especialmente fósforo. Em troca, recebe substâncias orgânicas produzidas pela planta durante a fotossíntese. Essa relação é muito importante para a nutrição vegetal e para a produtividade de diversos ecossistemas.



Importância ecológica dos fungos



Os fungos são fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas. Como decompositores, reciclam nutrientes e permitem a continuidade dos ciclos biogeoquímicos. Como mutualistas, auxiliam plantas na absorção de nutrientes e participam de associações ecológicas importantes. Como parasitas, também influenciam o controle populacional de algumas espécies.

A presença dos fungos no solo contribui para a formação de húmus e para a manutenção da fertilidade. Em florestas, muitos fungos participam da decomposição de folhas, troncos e galhos, favorecendo a renovação dos nutrientes. Sem esses organismos, os ecossistemas teriam menor capacidade de regeneração.



Importância econômica dos fungos



Os fungos têm grande importância econômica em diferentes setores. Na alimentação, são utilizados diretamente como alimento, no caso dos cogumelos comestíveis, ou indiretamente em processos fermentativos, como na fabricação de pães, vinhos, cervejas, queijos e molhos fermentados.

Na medicina, contribuem para a produção de antibióticos e outros compostos farmacêuticos. Na agricultura, podem atuar tanto como causadores de doenças quanto como aliados, especialmente em associações com plantas e em técnicas de controle biológico. Na biotecnologia, fungos são utilizados na produção de enzimas, ácidos orgânicos e substâncias de interesse industrial.



Fungos na alimentação



Os fungos participam de diversos processos alimentares. As leveduras são essenciais para a fermentação de massas e bebidas. Alguns bolores são usados na maturação de queijos, conferindo sabor, textura e aroma específicos. Cogumelos comestíveis, por sua vez, são consumidos em muitas culturas por seu valor nutricional e culinário.

Apesar disso, a presença de fungos em alimentos nem sempre é segura. Alguns produzem toxinas chamadas micotoxinas, que podem causar problemas de saúde. Por esse motivo, alimentos mofados devem ser avaliados com cuidado, e muitos deles devem ser descartados, especialmente quando o fungo se espalha por partes internas do alimento.



Fungos e agricultura



Na agricultura, os fungos podem causar doenças em plantações, atacando folhas, frutos, caules e raízes. Exemplos incluem ferrugens, carvões, oídios e podridões. Essas doenças podem reduzir a produtividade agrícola e exigir medidas de controle, como manejo adequado do solo, uso de cultivares resistentes e aplicação controlada de fungicidas.

Por outro lado, fungos também podem beneficiar a agricultura. As micorrizas melhoram a absorção de nutrientes pelas plantas, enquanto alguns fungos são usados no controle biológico de pragas e doenças. Assim, os fungos não devem ser vistos apenas como organismos prejudiciais, mas como componentes importantes dos sistemas agrícolas.



Diferenças entre fungos, plantas e animais



Os fungos diferem das plantas porque não possuem clorofila, não fazem fotossíntese e não produzem seu próprio alimento. Também apresentam parede celular de quitina, enquanto as plantas possuem parede celular de celulose. Embora muitos fungos cresçam fixos ao substrato, isso não os torna plantas.

Em relação aos animais, os fungos também são heterotróficos, mas se alimentam de maneira diferente. Os animais ingerem alimentos e realizam a digestão no interior do corpo. Os fungos, por sua vez, liberam enzimas no ambiente e absorvem os nutrientes já decompostos. Essa forma de nutrição é uma das características mais marcantes do Reino Fungi.



Condições favoráveis ao crescimento dos fungos



Os fungos geralmente se desenvolvem melhor em ambientes úmidos, com temperatura adequada e presença de matéria orgânica. Por isso, são comuns em alimentos armazenados incorretamente, paredes com infiltração, roupas guardadas úmidas e solos ricos em restos vegetais.

A falta de ventilação também favorece a proliferação de fungos em ambientes domésticos. Em casas, escolas e outros espaços fechados, o excesso de umidade pode contribuir para o aparecimento de mofo, que pode provocar alergias, irritações respiratórias e outros problemas em pessoas sensíveis.

 

 

Infográfico didático e resumido sobre fungos
Infográfico didático e resumido sobre fungos

 

 

 

 

SAIBA MAIS:

 

Obtenha mais dados e informações sobre os fungos numa apostila do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (em pdf).

 

 


 

Artigo revisado por Tânia Cabral - Professora de Biologia e Ciências - graduada na Unesp, 2001.
Atualizado em 21/05/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:


https://en.wikipedia.org/wiki/Fungus

 

FAVARETTO, José Arnaldo. 360° Biologia – Diálogos com a Vida. São Paulo: Editora FTD, 2015.

LOPES, Sônia e RUSSO, Sergio. Bio. São Paulo: Editora Saraiva, 2017.



Vídeo indicado no YouTube:


REINO FUNGI - Canal do Professor Paulo Jubilut

 


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