Quem foi
Thomas Hobbes (1588–1679) foi um filósofo, teórico político e pensador inglês considerado um dos principais formuladores da Filosofia Política moderna. Viveu em um período de intensas crises na Inglaterra, especialmente durante a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), experiência que influenciou profundamente suas ideias sobre poder, ordem e autoridade. Sua obra mais conhecida, “Leviatã” (1651), defende que os seres humanos, para escapar da violência e do caos, devem submeter-se a um Estado forte e soberano, capaz de garantir a paz e a segurança coletiva. Por isso, Hobbes é lembrado como um dos mais importantes teóricos do Absolutismo e do Contratualismo.
Biografia
Thomas Hobbes nasceu em 5 de abril de 1588 em Westport, Inglaterra, em um contexto marcado por tensões políticas, religiosas e militares que influenciariam profundamente sua reflexão filosófica. Proveniente de uma família modesta, foi entregue aos cuidados de um tio, que garantiu sua educação. Hobbes estudou no Magdalen Hall, na Universidade de Oxford, onde teve contato inicial com os clássicos gregos e latinos. Durante sua formação, destacou-se pelo interesse em lógica, retórica e filosofia natural, embora posteriormente desenvolvesse críticas ao método escolástico dominante na instituição.
Após deixar Oxford, tornou-se tutor da família Cavendish, uma das mais influentes da Inglaterra. Essa função lhe proporcionou acesso a bibliotecas vastas, viagens pela Europa e contato direto com importantes pensadores, como Galileu Galilei e René Descartes. A convivência com o ambiente intelectual europeu permitiu que Hobbes consolidasse sua perspectiva mecanicista da realidade, interpretando tanto o mundo físico quanto a sociedade por meio de movimento e causalidade.
O início da década de 1640 foi decisivo para sua produção intelectual. Com o aumento das tensões entre o Parlamento e a monarquia inglesa, que culminariam na Guerra Civil, Hobbes passou a desenvolver uma filosofia política voltada para a estabilidade e a preservação da ordem. Em 1642, exilou-se voluntariamente na França para evitar conflitos com grupos que consideravam suas ideias perigosas.
Em 1651 publicou sua obra mais célebre, intitulada "Leviatã", na qual expôs de forma sistemática sua concepção da natureza humana, do estado de natureza e da necessidade de um poder soberano absoluto para garantir a paz civil. Hobbes argumentava que os seres humanos, movidos por autopreservação e interesses individuais, tenderiam ao conflito se não houvesse uma autoridade capaz de impor leis e controlar a violência. Sua defesa de um Estado forte e centralizado marcou profundamente o pensamento político moderno.
Além da filosofia política, Hobbes também escreveu sobre lógica, física, ética e linguagem. Obras como "De Cive", "De Corpore" e "De Homine" compõem seu sistema filosófico, que buscava explicar a realidade a partir de princípios racionais e científicos. Mesmo quando criticado por religiosos, parlamentares e outros filósofos, Hobbes manteve seu compromisso com uma abordagem racionalista e materialista do ser humano.
Após retornar à Inglaterra, viveu sob relativa proteção, embora enfrentasse debates intensos com contemporâneos e desconfiança de autoridades religiosas. Continuou escrevendo até a velhice, revisitando suas ideias e produzindo traduções, como a de obras clássicas de Tucídides e Homero.
Morreu em 4 de dezembro de 1679, deixando um legado fundamental para o desenvolvimento da filosofia política, especialmente nas discussões sobre Estado, contrato social e soberania.
Contexto histórico em que viveu: a Inglaterra em guerra
Thomas Hobbes viveu em um dos períodos mais turbulentos da História da Inglaterra. O século XVII inglês foi marcado por conflitos entre a monarquia e o Parlamento, tensões religiosas entre anglicanos, puritanos e católicos, disputas sobre os limites do poder real e crises sociais e econômicas que fragilizaram a estabilidade política. Esse ambiente de incerteza culminou na Guerra Civil Inglesa (1642–1651), um conflito que colocou em lados opostos os partidários do rei Carlos I e os defensores do Parlamento. Para compreender o pensamento hobbesiano, é indispensável situá-lo nesse cenário de guerra, medo e desagregação da autoridade.
A Guerra Civil Inglesa não foi apenas uma disputa militar. Ela representou a ruptura de uma ordem política tradicional, na qual o rei reivindicava autoridade de origem divina, enquanto setores do Parlamento e da sociedade exigiam limites ao poder monárquico. O resultado foi um período de violência prolongada, perseguições, radicalização política e colapso parcial da estabilidade institucional. Em 1649, Carlos I foi executado, fato extremamente impactante para a época, pois significava que o próprio soberano podia ser julgado e morto por seus súditos. A Inglaterra mergulhou, então, em uma experiência republicana sob Oliver Cromwell, marcada também por autoritarismo e repressão.
Hobbes presenciou esse processo com profunda apreensão. Ao contrário de pensadores que enxergavam na crise uma oportunidade de expansão da liberdade política, ele a interpretou como prova concreta do perigo representado pela fragmentação do poder. Em sua visão, quando não existe uma autoridade soberana suficientemente forte para impor regras comuns, a sociedade tende ao conflito, à desconfiança e à violência. Sua filosofia política nasce, portanto, como resposta direta à experiência histórica da guerra civil. Seu problema central não era, em primeiro lugar, a liberdade, mas a sobrevivência da ordem social.
Esse aspecto é decisivo para entender a originalidade de Hobbes. Em vez de partir de ideais abstratos de justiça ou virtude, ele constrói sua teoria política a partir de uma pergunta concreta e urgente: como impedir que os seres humanos destruam uns aos outros? Sua resposta é moderna porque procura fundamentar o poder político não em argumentos teológicos ou em tradições sagradas, mas em uma análise racional da natureza humana e das condições necessárias para a paz. Nesse sentido, a crise inglesa do século XVII foi o laboratório histórico que impulsionou uma das formulações mais influentes da Filosofia Política moderna.
O Estado de Natureza: "o homem é o lobo do homem"
No centro da filosofia de Hobbes está sua concepção de natureza humana. Para ele, os seres humanos não são naturalmente inclinados à cooperação harmoniosa, como defenderiam outros pensadores posteriores. Embora sejam capazes de raciocinar, planejar e criar normas, também são movidos por paixões intensas, sobretudo o medo, o desejo de poder, a competição e a busca pela autopreservação. Hobbes parte da ideia de que os homens são, em certa medida, iguais em suas capacidades básicas: mesmo o mais fraco pode matar o mais forte, seja pela astúcia, seja pela aliança com outros. Essa relativa igualdade produz insegurança, e não equilíbrio.
É nesse contexto que surge o conceito de Estado de Natureza. Trata-se de uma hipótese filosófica criada por Hobbes para imaginar como seria a vida humana sem leis, sem governo e sem uma autoridade comum capaz de impor regras. Não se trata, necessariamente, de um período histórico específico, mas de uma condição teórica que revela o que acontece quando não existe poder político organizado. Nessa situação, cada indivíduo possui liberdade total para agir em defesa de seus próprios interesses e de sua própria sobrevivência.
O problema, segundo Hobbes, é que essa liberdade irrestrita leva ao conflito permanente. Como todos desejam segurança, recursos, reconhecimento e preservação da própria vida, e como não existe uma autoridade superior para mediar disputas, instala-se uma condição de rivalidade generalizada. Cada pessoa passa a desconfiar das demais, antecipando possíveis agressões. A prudência, nesse contexto, conduz ao ataque preventivo ou à preparação constante para a violência. O resultado é aquilo que Hobbes definiu como uma “guerra de todos contra todos”.
A famosa expressão “o homem é o lobo do homem” sintetiza essa visão pessimista da convivência humana em ausência de ordem política. Ela indica que, sem instituições coercitivas, os próprios seres humanos tornam-se a principal ameaça uns para os outros. Nesse quadro, não há segurança para o trabalho, para a produção, para a cultura, para a ciência nem para a vida em comunidade. O medo domina todas as relações.
Hobbes descreve essa condição de maneira célebre ao afirmar que, no Estado de Natureza, a vida humana seria “solitária, pobre, desagradável, bruta e curta”. Essa formulação não significa que os indivíduos sejam irracionais o tempo todo, mas que, sem um poder comum, mesmo pessoas razoáveis são forçadas a agir com suspeita e dureza. A violência não decorre apenas da maldade, mas da ausência de garantias. Assim, o problema político fundamental não é como tornar os homens moralmente perfeitos, mas como criar um arranjo institucional capaz de impedir que suas paixões destrutivas levem a sociedade ao colapso.
Hobbes não via essa análise como mera especulação abstrata. Para ele, as guerras civis, as rebeliões e os colapsos de autoridade mostravam, na prática, como as sociedades podiam regredir a formas próximas desse Estado de Natureza. Sua teoria, portanto, combina antropologia, filosofia e observação histórica. O ser humano, quando desprotegido por instituições estáveis, tende a viver sob a lógica do medo e da ameaça recíproca.
O Contrato Social: a renúncia em troca da segurança
Se o Estado de Natureza representa o caos, a questão seguinte para Hobbes é: como sair dele? Sua resposta está no conceito de Contrato Social, um dos pilares da Filosofia Política moderna. Para ele, os próprios indivíduos, usando a razão, percebem que a liberdade absoluta é incompatível com a segurança. Em outras palavras, compreendem que manter o direito ilimitado de fazer tudo o que desejam os condena a viver em permanente perigo. A razão, então, ensina que é mais vantajoso renunciar a parte dessa liberdade em troca de paz e proteção.
O Contrato Social em Hobbes não é um pacto entre governantes e governados no sentido moderno de democracia representativa. Trata-se, antes, de um acordo entre os próprios indivíduos, que decidem coletivamente abrir mão do direito de governar a si mesmos de forma autônoma e transferem esse poder a uma autoridade soberana. O objetivo desse pacto é estabelecer uma força comum capaz de impor regras, punir infratores e garantir a coexistência pacífica. Assim, a sociedade política nasce não da amizade natural, mas do cálculo racional orientado pelo medo da morte violenta.
Esse ponto é central: para Hobbes, o medo não é apenas uma emoção negativa, mas também um elemento organizador da vida civil. O medo da destruição mútua leva os indivíduos a aceitarem limites à própria liberdade. O pacto político, portanto, não decorre de altruísmo, fraternidade ou idealismo moral, mas da necessidade de sobrevivência. O ser humano entra na sociedade civil porque teme a insegurança do caos.
Ao realizar esse contrato, cada indivíduo concorda em obedecer a um poder comum, desde que os demais façam o mesmo. Essa reciprocidade é essencial, pois a renúncia individual só faz sentido se houver uma autoridade capaz de obrigar todos ao cumprimento das regras. Sem coerção, os pactos seriam frágeis e facilmente rompidos. Hobbes considera que simples promessas não bastam para sustentar a paz. A estabilidade política exige força institucional.
Nesse sentido, a liberdade civil em Hobbes é muito diferente da liberdade absoluta do Estado de Natureza. No estado civil, o indivíduo deixa de possuir o direito irrestrito de agir como quiser, mas ganha algo mais valioso: segurança. A obediência às leis torna-se o preço da paz. A política, então, surge como mecanismo de contenção da violência humana. Não se trata de eliminar completamente os conflitos, mas de submetê-los a uma autoridade superior.
A originalidade do Contrato Social hobbesiano está justamente em apresentar o Estado como uma construção humana, e não como simples expressão da vontade divina ou da tradição hereditária. O poder político passa a ser explicado por uma decisão racional dos indivíduos que, para escapar da anarquia, criam uma autoridade artificial. Essa formulação foi revolucionária porque secularizou a origem do poder e abriu caminho para toda a tradição contratualista posterior, ainda que outros autores tenham discordado profundamente das conclusões de Hobbes.
O Leviatã: o poder absoluto do Estado
A obra mais famosa de Hobbes, publicada em 1651, chama-se “Leviatã”, nome retirado de um monstro bíblico gigantesco e poderoso. A escolha desse símbolo não foi casual. Para Hobbes, o Estado deve ser suficientemente forte para conter a violência humana e impedir o retorno ao caos. O Leviatã representa, assim, a soberania política concentrada em uma autoridade superior, criada artificialmente pelos homens para garantir a paz. Ele é, em certo sentido, um “corpo político” construído pela soma dos indivíduos, mas dotado de uma vontade única e soberana.
Na concepção hobbesiana, esse poder soberano precisa ser absoluto, indivisível e incontestável. Isso não significa, necessariamente, que Hobbes defendesse apenas a monarquia em sentido estrito, embora a considerasse a forma mais eficiente de governo. O essencial é que exista um centro de poder capaz de decidir de maneira final, impor leis, julgar conflitos, organizar a defesa e monopolizar o uso legítimo da força. Para Hobbes, dividir excessivamente a soberania seria abrir espaço para disputas internas e, consequentemente, para a guerra civil.
A defesa do Absolutismo em Hobbes não se baseia em argumentos tradicionais de direito divino dos reis, mas em fundamentos racionais e políticos. O soberano deve ser forte porque a fragilidade do poder público conduz à desordem. Se cada grupo, instituição ou indivíduo puder reivindicar autoridade própria acima do Estado, o resultado será a dissolução da unidade política. Por isso, Hobbes critica qualquer estrutura que fragmente a soberania, incluindo conflitos entre Igreja e Estado ou entre rei e Parlamento quando isso compromete a autoridade final.
No interior do Estado hobbesiano, a função das leis não é expressar uma moral universal transcendental, mas regular a convivência e preservar a paz. O soberano define as normas e estabelece os limites do permitido e do proibido. A justiça, nessa perspectiva, depende da existência de uma autoridade que possa determinar e fazer cumprir o direito. Sem Estado, não há justiça em sentido pleno, pois não há instância capaz de garantir a validade das regras.
Isso não significa que Hobbes ignore completamente os limites do poder soberano. O principal fundamento do Estado é a preservação da vida. Assim, se o soberano não consegue mais proteger os súditos, o vínculo político perde sua base essencial. Ainda assim, Hobbes é muito mais favorável à obediência do que ao direito de resistência. Em sua filosofia, a desobediência tende a ser vista como risco extremo, pois pode desencadear novamente o estado de guerra.
O Leviatã, portanto, não é apenas uma metáfora do poder; ele expressa a ideia de que a civilização depende de uma autoridade suficientemente robusta para conter os impulsos destrutivos humanos. Em Hobbes, o Estado não é um mal necessário no sentido liberal posterior, mas a própria condição de possibilidade da vida social organizada. Sem ele, não existe segurança, direito, estabilidade econômica nem cultura duradoura. O Estado é o grande artifício racional que separa a humanidade da barbárie.
Legado e críticas: Hobbes no Ensino Médio
Thomas Hobbes ocupa um lugar central na formação da Filosofia Política moderna. Sua importância não reside apenas nas respostas que ofereceu, mas também na forma como reformulou as perguntas fundamentais sobre poder, autoridade, obediência, liberdade e segurança. Ao deslocar a origem do Estado para um pacto racional entre indivíduos, Hobbes rompeu com explicações puramente teológicas e tradicionais, inaugurando uma nova maneira de pensar a política. Sua obra influenciou profundamente os debates modernos sobre soberania, legitimidade e função do Estado.
Seu legado é particularmente relevante porque muitas questões discutidas por Hobbes continuam atuais. O problema da relação entre liberdade e segurança permanece no centro de debates contemporâneos sobre violência, criminalidade, guerras, vigilância estatal, autoridade institucional e crise de legitimidade política. Sempre que uma sociedade enfrenta situações de medo coletivo, colapso institucional ou ameaça à ordem pública, as perguntas hobbesianas reaparecem: até que ponto os indivíduos devem obedecer ao Estado? Quanta liberdade pode ser restringida em nome da segurança? O que acontece quando o poder político se enfraquece?
Ao mesmo tempo, Hobbes foi amplamente criticado. Muitos pensadores consideraram sua visão da natureza humana excessivamente pessimista e sua defesa de um poder soberano muito concentrado. John Locke (1632–1704), por exemplo, também utilizou a ideia de Contrato Social, mas partiu de uma visão menos sombria do ser humano. Para Locke, o Estado de Natureza não era necessariamente uma guerra permanente, e o governo existia para proteger direitos naturais, como vida, liberdade e propriedade. Diferentemente de Hobbes, Locke defendia limites mais claros ao poder político e admitia o direito de resistência contra governos tirânicos.
Jean-Jacques Rousseau (1712–1778), por sua vez, criticou ainda mais radicalmente a antropologia hobbesiana. Para ele, o homem natural não era violento por essência; a desigualdade e a corrupção social é que produziam muitos dos conflitos humanos. Rousseau também desenvolveu a teoria do Contrato Social, mas com ênfase na soberania popular e na vontade geral, e não na submissão a um soberano absoluto. Assim, embora Hobbes, Locke e Rousseau pertençam à tradição contratualista, suas conclusões políticas são bastante diferentes.
A comparação entre esses autores é particularmente importante porque ajuda a compreender um dos grandes temas da modernidade política: a tensão entre autoridade e liberdade. Hobbes enfatiza a necessidade de um poder forte para evitar o caos; Locke valoriza a limitação do poder para proteger direitos individuais; Rousseau busca uma forma de autoridade legítima baseada na participação coletiva. Esses três caminhos marcaram profundamente a história do pensamento político ocidental.
No campo educacional, Hobbes é um autor decisivo porque permite discutir a origem do Estado moderno, o papel da lei, os fundamentos da obediência política e a função da soberania. Seu pensamento é frequentemente cobrado em análises comparativas com outros filósofos, especialmente no estudo do Contratualismo e da formação do Estado Moderno entre os séculos XVII e XVIII. Sua obra oferece uma chave importante para entender por que a política moderna passou a ser pensada não apenas como governo, mas como problema de organização racional da convivência humana.
Em síntese, Hobbes construiu uma filosofia política fundada em uma intuição poderosa: sem ordem, não há liberdade possível; sem autoridade, a paz torna-se frágil; sem Estado, a vida humana corre o risco de retornar à insegurança permanente. Mesmo que sua solução autoritária seja objeto de críticas, sua reflexão permanece incontornável para qualquer estudo sério sobre o nascimento da política moderna e sobre os dilemas permanentes entre medo, poder e convivência social.
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Thomas Hobbes: um dos principais filósofos cartesianos e empíricos da história filosófica. |
Como Thomas Hobbes, seu pensamento e obras podem cair em questões do ENEM e Vestibulares?
Thomas Hobbes costuma aparecer em questões do ENEM e dos vestibulares principalmente em temas ligados à Filosofia Política, ao Contratualismo, ao Estado Moderno e às relações entre poder, ordem e sociedade. As provas geralmente exploram sua ideia de que, no Estado de Natureza, os seres humanos viveriam em constante insegurança, o que justificaria a criação de um poder soberano capaz de impor leis e garantir a paz. Assim, é comum que o aluno precise identificar conceitos como “guerra de todos contra todos”, “Contrato Social”, “Estado de Natureza” e “Leviatã”, relacionando-os ao contexto da formação dos Estados centralizados na Europa entre os séculos XVII e XVIII.
Outra forma bastante comum de cobrança ocorre por meio da comparação entre Hobbes e outros filósofos contratualistas, especialmente John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Nessas questões, a banca costuma apresentar trechos de textos ou situações-problema para que o estudante reconheça qual autor está sendo representado. Em Hobbes, a marca principal é a defesa de um Estado forte, fundamentado na necessidade de conter a violência humana e preservar a ordem. Já Locke tende a aparecer associado à defesa dos direitos naturais e da limitação do poder político, enquanto Rousseau costuma ser ligado à soberania popular e à vontade geral. Portanto, entender essas diferenças é essencial para evitar confusões.
Também é frequente que Hobbes seja cobrado em questões interdisciplinares com História, especialmente quando o tema envolve o Absolutismo, a crise do Antigo Regime, a consolidação do Estado Moderno ou a Guerra Civil Inglesa (1642–1651). Nesse caso, o pensamento hobbesiano pode ser utilizado como base teórica para explicar por que, em determinados contextos de instabilidade, setores da sociedade passaram a valorizar a autoridade centralizada como forma de evitar guerras internas. A prova pode exigir, por exemplo, que o estudante relacione o medo do caos político com a defesa de governos fortes e centralizados.
Hobbes pode cair tambem em perguntas que abordam problemas contemporâneos, como segurança pública, violência, autoridade estatal, limites da liberdade individual e papel das leis. O ENEM, em especial, gosta de atualizar conceitos filosóficos por meio de temas sociais atuais. Nesse tipo de abordagem, a questão pode perguntar, por exemplo, em que medida a existência de regras, instituições e poder coercitivo do Estado seria necessária para garantir a convivência social. Nesses casos, mais do que decorar definições, é importante compreender a lógica do pensamento de Hobbes: o ser humano aceita obedecer ao Estado porque teme a desordem e busca proteção.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 08/04/2026
Fontes:
https://www.britannica.com/biography/Thomas-Hobbes
COTRIM, Gilberto e FERNANDES, Mirna,. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Editora Saraiva, 2017.
CHAUÍ, Marilena. Iniciação à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2017.
Vídeo indicado no YouTube:
RESUMO DE FILOSOFIA: THOMAS HOBBES | Prof. Leandro Vieira - ProEnem