A Crise de 1929 e a Quebra da Bolsa de Valores de Nova York


 

O que foi?

A Crise de 1929 foi uma grave crise econômica iniciada nos Estados Unidos e rapidamente espalhada por diversos países capitalistas. Seu marco mais conhecido foi a Quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929, quando o preço das ações despencou após anos de especulação financeira, expansão do crédito e crescimento da produção acima da capacidade de consumo da população. Muitos investidores perderam suas economias, empresas faliram, bancos fecharam e milhões de trabalhadores ficaram desempregados. A crise deu início à Grande Depressão, que marcou a economia mundial durante grande parte da década de 1930.

 

Contexto histórico

 

Durante a Primeira Guerra Mundial, a economia norte-americana estava em pleno desenvolvimento. As indústrias dos EUA produziam e exportavam em grandes quantidades, principalmente, para os países europeus. 

Após a guerra o quadro não mudou, pois, os países europeus estavam voltados para a reconstrução das indústrias e cidades, necessitando manter suas importações, principalmente dos EUA. A situação começou a mudar no final da década de 1920. Reconstruídas, as nações europeias diminuíram drasticamente a importação de produtos industrializados e agrícolas dos Estados Unidos. 



Principais causas da crise

 

A crise de 1929 foi provocada, em grande parte, pelo crescimento exagerado da produção industrial e agrícola dos Estados Unidos durante a década de 1920. Como o consumo não aumentou na mesma proporção, formaram-se grandes estoques de mercadorias, levando à queda dos preços e dos lucros.

Outro fator importante foi a intensa especulação na Bolsa de Valores de Nova York. Muitas pessoas compravam ações a crédito, acreditando que seus preços continuariam subindo. Essa valorização, porém, não correspondia à situação real de várias empresas.

Também contribuíram para a crise a concentração de renda e o baixo poder de compra de grande parte da população. Enquanto empresários e investidores acumulavam riquezas, muitos trabalhadores recebiam salários insuficientes para consumir tudo o que era produzido.

Quando os investidores perceberam a fragilidade da economia, começaram a vender suas ações rapidamente. A queda brusca dos valores, em outubro de 1929, provocou falências, desemprego e redução do comércio, transformando o problema norte-americano em uma crise econômica mundial.



A Quinta-feira Negra

 

A Quinta-feira Negra ocorreu em 24 de outubro de 1929 e marcou o início do colapso da Bolsa de Valores de Nova York. Naquele dia, milhões de ações foram colocadas à venda por investidores assustados com a queda dos preços. Como havia poucos compradores, os valores das ações despencaram, provocando pânico no mercado financeiro e grandes prejuízos.

O episódio revelou a fragilidade da economia norte-americana, que vinha sendo sustentada por especulação financeira, compras a crédito e produção excessiva. Embora alguns bancos tenham tentado conter a crise comprando ações, o pânico continuou nos dias seguintes. Em 29 de outubro, na chamada Terça-feira Negra, ocorreu uma queda ainda maior, consolidando a quebra da Bolsa e o início da Grande Depressão.

 


Consequências da Crise de 1929 nos Estados Unidos:


Aumento significativo do desemprego (chegou a 27%).

 

Falência de várias empresas, principalmente de indústrias.

 

Empobrecimento de grande parte da população norte-americana.

 

Aumento da fome e miséria nos Estados Unidos.

 

Diminuição dos investimentos privados nas indústrias e no setor agrícola.

 

Forte crise no mercado de ações com a desvalorização da maioria das ações.

 

A crise também afetou os bancos e outras instituições financeiras do país.

 

Diminuição significativa no setor de comércio. Com desemprego e menos dinheiro, as famílias reduziram muito o consumo.

 

Embora tenha começado nos EUA, a crise de 1929 (Grande Depressão) atingiu vários países, principalmente da América e Europa, que mantinham laços comerciais mais fortes com os norte-americanos.

 

Desemprego elevado nos Estados Unidos gerado pela Crise de 1929

Desemprego elevado nos Estados Unidos gerado pela Crise de 1929.

 

 

Efeitos da crise no mundo


A crise de 1929 atingiu diversos países porque os Estados Unidos ocupavam uma posição central na economia mundial. A redução dos empréstimos e das importações norte-americanas prejudicou nações europeias e países exportadores de matérias-primas, provocando falências, queda na produção e forte aumento do desemprego.

Em muitas regiões, a crise também gerou instabilidade social e política. A pobreza e a insatisfação favoreceram o crescimento de movimentos autoritários, enquanto vários governos passaram a intervir mais diretamente na economia, criando obras públicas, empregos e medidas de controle financeiro.

 

 

O que aconteceu com o dólar no mundo logo após a crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929?

 

Após a crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929, o dólar norte-americano inicialmente fortaleceu-se devido a uma fuga para a segurança, à medida que os investidores procuravam refúgio na moeda norte-americana. No entanto, à medida que a Grande Depressão se aprofundou, o dólar acabou por enfraquecer à medida que as condições econômicas se deterioravam mundialmente. Este declínio foi exacerbado por políticas protecionistas e desvalorizações competitivas entre os países, levando a uma maior desvalorização do dólar na cena internacional.

 



Efeitos da crise no Brasil: principais consequências

 

A crise de 1929 afetou também o Brasil. Os Estados Unidos eram o maior comprador do café brasileiro. Com a crise, a importação deste produto diminuiu muito e os preços do café brasileiro caíram. Para que não houvesse uma desvalorização excessiva, o governo brasileiro comprou e queimou toneladas de café. Desta forma, diminuiu a oferta, conseguindo manter o preço do principal produto brasileiro da época. Por outro lado, este fato trouxe algo positivo para a economia brasileira. Com a crise do café, muitos cafeicultores começaram a investir no setor industrial, alavancando a indústria brasileira.



New Deal: a solução 

 

A solução para a crise surgiu apenas no ano de 1933. No governo de Franklin Delano Roosevelt, foi colocado em prática o plano conhecido como New Deal. De acordo com o plano econômico, o governo norte-americano passou a controlar os preços e a produção das indústrias e das fazendas. Com isto, o governo conseguiu controlar a inflação e evitar a formação de estoques. Fez parte do plano também o grande investimento em obras públicas (estradas, aeroportos, ferrovias, energia elétrica, etc.), conseguindo diminuir significativamente o desemprego. O programa foi tão bem-sucedido que no começo da década de 1940 a economia norte-americana já estava funcionando normalmente.

 

Infográfico com resumo sobre a Crise de 1929
Infográfico com síntese sobre a Crise de 1929,

 

 

Quando essa crise começou a enfraquecer e terminou?

 

A crise começou a enfraquecer a partir de 1933, quando o governo dos Estados Unidos adotou o New Deal. Esse programa ampliou a intervenção do Estado na economia, criou empregos e procurou recuperar bancos, empresas e o consumo.

Entretanto, seus efeitos não desapareceram imediatamente. A recuperação foi lenta durante a década de 1930, e muitos historiadores consideram que a crise terminou de fato apenas com a Segunda Guerra Mundial, quando a produção industrial e os empregos cresceram intensamente.

 

 


 


Crise de 1929: resumo



• A Crise de 1929 foi uma grave crise econômica iniciada nos Estados Unidos e rapidamente espalhada por diversos países.



• Seu marco principal foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em outubro de 1929.



• Durante a década de 1920, a economia norte-americana viveu um período de forte crescimento industrial e aumento do consumo.



• Grande parte desse consumo era sustentada por compras a crédito e empréstimos bancários.



• A produção industrial e agrícola cresceu mais rapidamente do que a capacidade de consumo da população.



• O excesso de mercadorias provocou queda nos preços, redução dos lucros e acúmulo de estoques.



• Muitos investidores compravam ações de forma especulativa, esperando revendê-las por valores mais altos.



• Diversas ações eram adquiridas com dinheiro emprestado, aumentando o risco de endividamento.



• Em 24 de outubro de 1929, conhecido como Quinta-Feira Negra, ocorreu uma grande onda de venda de ações.



• Em 29 de outubro, a Terça-Feira Negra, os preços das ações despencaram de forma ainda mais intensa.



• A quebra da Bolsa provocou falências de bancos, empresas e propriedades rurais.



• Milhões de trabalhadores perderam seus empregos, enquanto a pobreza e a fome cresceram.



• A crise alcançou outros países por causa da dependência de empréstimos, investimentos e comércio com os Estados Unidos.



• No Brasil, a queda do consumo internacional prejudicou as exportações de café e contribuiu para mudanças políticas e econômicas.



• A partir de 1933, o governo de Franklin D. Roosevelt implantou o New Deal, conjunto de medidas voltadas para a recuperação econômica.



• Os efeitos da crise diminuíram gradualmente ao longo da década de 1930, mas a recuperação completa ocorreu principalmente com o crescimento da produção durante a Segunda Guerra Mundial.

 

 




Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 17/07/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fontes de referência do texto:

 

https://es.wikipedia.org/wiki/Gran_Depresi%C3%B3n

 

CAMPOS, Raymundo. Estudos de História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Editora Atual, 1988.

CÁCERES, Florival; PEDRO, Antônio. História Geral. São Paulo: Moderna, 1988.

 

Vídeo indicado no YouTube:

Resumo de História: CRISE DE 1929 - Canal da Débora Aladim

 


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