O que são
Os asteroides são corpos celestes rochosos ou metálicos que orbitam o Sol. Em geral, possuem dimensões menores que as dos planetas e planetas anões, mas podem variar bastante de tamanho: alguns têm apenas poucos metros de diâmetro, enquanto outros alcançam centenas de quilômetros. Por não possuírem massa suficiente para assumir uma forma perfeitamente esférica, muitos apresentam contornos irregulares.
Esses objetos fazem parte do conjunto de pequenos corpos do Sistema Solar. Diferentemente dos cometas, que costumam apresentar grande quantidade de gelo e podem desenvolver uma cauda quando se aproximam do Sol, os asteroides são constituídos principalmente por rochas, minerais e metais. Seu estudo ajuda os astrônomos a compreender melhor a formação e a evolução inicial do Sistema Solar.
Origem e formação
A maioria dos asteroides surgiu há cerca de 4,6 bilhões de anos, durante o processo de formação do Sistema Solar. Naquela época, uma grande nuvem de gás e poeira entrou em colapso e deu origem ao Sol e aos demais corpos que passaram a orbitá-lo. Pequenos fragmentos de matéria começaram a se unir por meio de colisões e da atração gravitacional.
Parte desse material formou corpos cada vez maiores, dando origem aos planetas. Outros fragmentos, porém, não chegaram a participar completamente desse processo. Muitos permaneceram como pequenos corpos rochosos ou metálicos, constituindo grande parte dos asteroides que ainda existem atualmente.
Na região situada entre Marte e Júpiter, a intensa influência gravitacional de Júpiter dificultou a formação de um planeta a partir de grande quantidade desse material. Como resultado, inúmeros fragmentos permaneceram em órbita, formando o chamado Cinturão Principal de Asteroides.
Colisões ocorridas ao longo de bilhões de anos também modificaram essa população. Asteroides maiores podem ter sido quebrados em vários fragmentos após impactos, originando famílias de objetos que apresentam órbitas e composições semelhantes.
Localização dos asteroides
A maior concentração conhecida de asteroides do Sistema Solar encontra-se no Cinturão Principal de Asteroides, situado entre as órbitas de Marte e Júpiter. Essa região contém milhões de objetos de diferentes tamanhos, embora eles estejam separados por enormes distâncias.
Existem também asteroides que percorrem outras regiões do Sistema Solar. Os chamados asteroides troianos compartilham aproximadamente a órbita de um planeta, permanecendo próximos a regiões de estabilidade gravitacional conhecidas como pontos de Lagrange. Júpiter possui uma população particularmente numerosa de troianos.
Outra categoria importante é formada pelos asteroides próximos da Terra, conhecidos pela sigla NEO, derivada da expressão inglesa "Near-Earth Objects". Suas órbitas podem aproximá-los da região percorrida pelo nosso planeta. A maioria não apresenta risco de colisão, mas esses objetos são constantemente observados e estudados pelos astrônomos.
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Imagem do asteroide Bennu no espaço (fonte NASA) |
Características dos asteroides:
• Orbitam o Sol, assim como os planetas e outros corpos do Sistema Solar.
• São constituídos principalmente por materiais rochosos, minerais e metais.
• Apresentam tamanhos muito variados, desde poucos metros até centenas de quilômetros de diâmetro.
• Muitos possuem formas irregulares devido à baixa gravidade, que não é suficiente para moldá-los completamente em formato esférico.
• Podem apresentar superfícies cobertas por crateras produzidas por colisões com outros objetos.
• Alguns possuem grande quantidade de carbono e apresentam coloração bastante escura.
• Existem asteroides ricos em metais, principalmente ferro e níquel.
• A velocidade de deslocamento ao redor do Sol varia de acordo com sua órbita e distância em relação à estrela.
• Alguns asteroides possuem pequenos satélites naturais orbitando ao seu redor.
• Também existem sistemas formados por dois asteroides que orbitam um centro de massa comum, conhecidos como asteroides binários.
• A maior parte não apresenta atmosfera significativa, pois sua gravidade é muito pequena para reter gases.
• Suas órbitas podem ser modificadas pela influência gravitacional de planetas, principalmente Júpiter.
• Colisões entre asteroides podem produzir fragmentos que continuam circulando pelo Sistema Solar.
• Certos fragmentos podem entrar na atmosfera terrestre. Quando atingem a superfície, recebem o nome de meteoritos.
• Muitos preservam materiais muito antigos, praticamente inalterados desde os primeiros períodos de formação do Sistema Solar.
Exemplos de asteroides mais conhecidos:
Ceres: descoberto em 1801 por Giuseppe Piazzi, foi inicialmente considerado um planeta e depois classificado como asteroide. Atualmente é reconhecido como planeta anão. Localiza-se no Cinturão Principal de Asteroides e possui cerca de 940 km de diâmetro, sendo o maior corpo dessa região.
Vesta: é um dos maiores objetos do Cinturão Principal e possui aproximadamente 525 km de diâmetro. Sua superfície apresenta grandes crateras de impacto. Foi estudado em detalhes pela missão espacial "Dawn", da NASA, entre 2011 e 2012.
Pallas: descoberto em 1802, é um dos maiores asteroides conhecidos, com aproximadamente 500 km de diâmetro. Encontra-se no Cinturão Principal e apresenta uma órbita bastante inclinada em relação ao plano de movimento da maioria dos planetas.
Hygiea: está entre os maiores corpos do Cinturão Principal, com cerca de 430 km de diâmetro. É composto principalmente por materiais ricos em carbono e possui uma superfície relativamente escura. Seu formato quase esférico chama a atenção dos astrônomos.
Eros: descoberto em 1898, pertence ao grupo dos asteroides próximos da Terra. Possui formato alongado e aproximadamente 34 km em sua maior dimensão. Em 2001, a sonda "NEAR Shoemaker" realizou um pouso em sua superfície.
Bennu: é um pequeno asteroide próximo da Terra, com cerca de 500 metros de diâmetro. Tornou-se muito conhecido por ter sido estudado pela missão "OSIRIS-REx", que coletou amostras de sua superfície e as trouxe para a Terra em 2023.
Ryugu: possui aproximadamente 900 metros de diâmetro e apresenta formato semelhante ao de um pião. Foi visitado pela missão japonesa "Hayabusa2", que coletou amostras de sua superfície e as enviou para a Terra em 2020.
Itokawa: é um pequeno asteroide com pouco mais de 500 metros de comprimento. Foi estudado pela missão japonesa "Hayabusa", que conseguiu coletar minúsculas partículas de sua superfície e trazê-las para análise na Terra.
Didymos: trata-se de um sistema formado por um asteroide principal e um pequeno corpo chamado Dimorphos. Ficou conhecido principalmente pela missão "DART", que atingiu Dimorphos em 2022 para testar uma técnica de alteração da órbita de um asteroide.
Apophis: descoberto em 2004, possui cerca de 340 metros de diâmetro e pertence ao grupo dos asteroides próximos da Terra. Tornou-se conhecido porque cálculos iniciais indicaram uma pequena possibilidade de impacto com nosso planeta. Observações posteriores descartaram riscos significativos para as próximas décadas.
Psyche: localizado no Cinturão Principal, possui cerca de 220 km de diâmetro e apresenta grande quantidade de materiais metálicos. Seu estudo pode ajudar os cientistas a compreender melhor a formação dos núcleos de antigos corpos planetários.
Ida: possui aproximadamente 56 km de comprimento e ficou conhecido após ser fotografado pela sonda "Galileo", em 1993. Durante a passagem da nave, foi descoberto que Ida possui um pequeno satélite natural chamado Dactyl, um dos primeiros exemplos confirmados de uma lua orbitando um asteroide.
Curiosidades sobre os asteroides
• Ceres foi o primeiro objeto do Cinturão Principal a ser descoberto, em 1801, pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi. Atualmente, ele é classificado como planeta anão e representa o maior corpo dessa região.
• Embora filmes frequentemente representem cinturões de asteroides como áreas repletas de rochas muito próximas umas das outras, a realidade é diferente. As distâncias entre os objetos do Cinturão Principal costumam ser enormes, permitindo que sondas espaciais atravessem a região com risco relativamente baixo de colisão.
• Alguns asteroides possuem composição bastante rica em metais. Por esse motivo, eles despertam interesse científico e tecnológico relacionado à possibilidade futura de exploração de recursos minerais no espaço, embora essa atividade ainda enfrente enormes dificuldades técnicas e econômicas.
• Missões espaciais já pousaram ou coletaram material de asteroides. A missão japonesa "Hayabusa2", por exemplo, trouxe amostras do asteroide Ryugu para a Terra. A missão norte-americana "OSIRIS-REx" coletou material do asteroide Bennu, permitindo estudos detalhados sobre substâncias formadas nos primeiros tempos do Sistema Solar.
• Em 2022, a missão "DART", da NASA, atingiu deliberadamente Dimorphos, pequeno corpo que orbita o asteroide Didymos. O experimento demonstrou que uma colisão planejada pode alterar o movimento de um asteroide, oferecendo informações importantes para futuras estratégias de defesa planetária.
• Asteroides também são considerados registros naturais da história do Sistema Solar. Como muitos sofreram poucas transformações geológicas desde sua formação, sua composição pode revelar informações sobre os materiais existentes há bilhões de anos, antes mesmo da formação completa dos planetas.
• A queda de grandes asteroides sobre a Terra é um fenômeno raro, mas ocorreu diversas vezes na história geológica do planeta. Um dos casos mais conhecidos está associado à cratera de Chicxulub, formada há cerca de 66 milhões de anos, cujo impacto teve importante participação na extinção em massa ocorrida no final do período Cretáceo.
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| Cinturão de Asteroides (em verde) entre as órbitas de Marte (vermelho) e Júpiter (laranja). A órbita do planeta Terra está sinalizada em azul. No centro, encontra-se o Sol. |
Importância científica dos asteroides
O estudo dos asteroides é importante para compreender a origem e a evolução do Sistema Solar. Como muitos desses corpos preservam materiais formados há cerca de 4,6 bilhões de anos, sua composição funciona como um registro das condições existentes durante o nascimento dos planetas. A análise de amostras coletadas por missões espaciais permite investigar minerais, compostos orgânicos e outros materiais muito antigos.
Outro aspecto relevante está relacionado à defesa planetária. Astrônomos monitoram asteroides que passam relativamente próximos da Terra para calcular suas órbitas e avaliar possíveis riscos de impacto no futuro. Esse acompanhamento também contribui para o desenvolvimento de técnicas capazes de alterar a trajetória de um objeto potencialmente perigoso. Assim, os asteroides possuem grande valor tanto para a pesquisa científica quanto para a segurança do planeta.
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| Infográfico com síntese sobre asteroides. |
Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)
Atualizado em 17/08/2026
Fontes:
https://science.nasa.gov/solar-system/asteroids/
https://en.wikipedia.org/wiki/Asteroid
STUART, Colin. A História do Universo para quem tem pressa: Do Big Bang às mais recentes descobertas da astronomia!. Rio de Janeiro: Valentina, 2018.
Vídeo indicado no YouTube:
O que são os asteroides? Meteoritos Brasil