Quem foi
Tomé de Sousa foi um militar e administrador português, conhecido por ter sido o primeiro governador-geral do Brasil. Nomeado pelo rei D. João III, chegou à colônia em 1549 com a missão de fortalecer o domínio português, organizar a administração colonial e melhorar a defesa do território. Durante seu governo, fundou a cidade de Salvador, que se tornou a primeira capital do Brasil e o principal centro político da colônia até 1763.
Biografia
Tomé de Sousa nasceu por volta de 1503, em Rates, no norte de Portugal, em uma família ligada à nobreza. Ainda jovem, ingressou na carreira militar e participou de expedições portuguesas no norte da África, onde adquiriu experiência administrativa e militar. Também exerceu funções relacionadas à administração da Coroa portuguesa antes de ser escolhido para governar o Brasil.
Na primeira metade do século XVI, Portugal enfrentava dificuldades para controlar sua colônia americana. O sistema de capitanias hereditárias, criado a partir de 1534, não havia produzido os resultados esperados, pois muitas capitanias sofriam com a falta de recursos, conflitos com grupos indígenas, ataques estrangeiros e problemas de comunicação. Diante dessa situação, o rei D. João III decidiu centralizar a administração colonial.
Em 1548, a Coroa portuguesa criou o Governo-Geral e nomeou Tomé de Sousa para ocupar o cargo de governador-geral. Ele partiu de Lisboa acompanhado de aproximadamente mil pessoas, entre soldados, colonos, funcionários administrativos, artesãos e religiosos jesuítas. A expedição chegou à Baía de Todos-os-Santos em 29 de março de 1549.
Após desembarcar, Tomé de Sousa iniciou a construção de Salvador, planejada para ser a sede do governo colonial. A cidade recebeu prédios administrativos, residências, armazéns, igrejas e estruturas defensivas. O governador permaneceu no cargo até 1553, quando foi substituído por Duarte da Costa e retornou a Portugal.
De volta ao reino português, Tomé de Sousa tornou-se conselheiro do rei e continuou ligado aos assuntos administrativos do Império Português. Faleceu em 1579, deixando como principal legado a implantação de uma administração centralizada na colônia e a fundação de Salvador.
Seu governo no Brasil
O governo de Tomé de Sousa ocorreu entre 1549 e 1553. Sua principal função foi colocar em prática o Regimento de 1548, documento que estabelecia as atribuições do governador-geral e determinava medidas para organizar a colonização. Embora as capitanias hereditárias continuassem existindo, o Governo-Geral passou a coordenar questões administrativas, militares, econômicas e judiciais.
Uma das primeiras medidas foi a fundação de Salvador, em 1549. Construída em uma área elevada e protegida da Baía de Todos-os-Santos, a cidade foi organizada para funcionar como centro político e administrativo. Sua posição geográfica facilitava a comunicação com Portugal e o deslocamento entre diferentes regiões da costa brasileira.
Para auxiliar a administração, foram criados cargos importantes. O ouvidor-mor era responsável pela Justiça; o provedor-mor cuidava das finanças e da arrecadação de impostos; e o capitão-mor da costa comandava a defesa militar. Essa estrutura representou uma tentativa de tornar a administração colonial mais eficiente e subordinada diretamente à Coroa portuguesa.
Tomé de Sousa também procurou estimular a economia açucareira. Durante seu governo, foram concedidas terras, incentivada a instalação de engenhos e ampliada a produção de açúcar, principalmente no litoral nordestino. A atividade açucareira baseava-se inicialmente no trabalho indígena escravizado e, posteriormente, utilizou em maior escala a mão de obra de africanos escravizados.
A defesa do território recebeu atenção especial. O governador fortaleceu fortificações, organizou tropas e buscou impedir ataques de corsários e comerciantes estrangeiros, sobretudo franceses, que frequentavam o litoral brasileiro e realizavam trocas comerciais com grupos indígenas. Também visitou algumas capitanias para conhecer suas condições e aproximá-las do governo central.
Os primeiros jesuítas chegaram ao Brasil com Tomé de Sousa, sob a liderança do padre Manuel da Nóbrega. Eles fundaram colégios, promoveram a catequização dos indígenas e participaram da formação educacional e religiosa da colônia. Essa atuação, porém, também esteve associada à imposição de valores europeus e cristãos sobre as culturas indígenas.
As relações com os povos indígenas variaram entre alianças, negociações e conflitos. Tomé de Sousa procurou obter apoio de determinados grupos para garantir a ocupação portuguesa e combater povos considerados inimigos. Ao mesmo tempo, a expansão da colonização, a tomada de terras e a escravização provocaram resistência indígena em diferentes áreas.
O governo de Tomé de Sousa marcou o início de uma nova etapa da colonização portuguesa. A criação de uma capital, a organização de cargos administrativos, o fortalecimento militar e o incentivo à produção açucareira ampliaram o controle da Coroa sobre o território. Apesar de não eliminar os problemas das capitanias, o Governo-Geral estabeleceu uma estrutura política que permaneceu fundamental para a administração do Brasil colonial.
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| Tomé de Souza: governador-geral com administração marcada por várias realizações. |
Importância histórica e legado
Tomé de Sousa teve papel decisivo na consolidação do domínio português sobre o Brasil durante o século XVI. Ao implantar o Governo-Geral, fundar Salvador e organizar uma administração centralizada, contribuiu para ampliar a presença da Coroa em um território até então administrado de maneira fragmentada pelas capitanias hereditárias. Sua gestão também fortaleceu a defesa, estimulou a economia açucareira e criou instituições políticas, fiscais e judiciais que serviram de base para o funcionamento da colônia. Embora o Governo-Geral não tenha resolvido todos os problemas administrativos e militares, sua criação representou uma etapa fundamental no processo de colonização e na formação da estrutura política do Brasil colonial.
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Atualizado em 05/08/2026
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