Quem foi
Eugênio de Castro e Almeida foi um importante poeta português do final do século XIX e início do XX. É considerado, assim como Camilo Pessanha, um dos principais representantes do Simbolismo em Portugal.
O seu livro Oaristos, publicado em 1890, é considerado o marco inicial do simbolismo português.
Biografia
Eugênio de Castro nasceu na cidade de Coimbra (Portugal) em 4 de março de 1869.
Cresceu em um ambiente erudito, estudando na Universidade de Coimbra, onde foi aluno de Simões Dias. Esta formação desempenhou um papel vital na configuração da sua visão literária.
Depois de terminar a sua formação, Eugênio de Castro seguiu uma carreira acadêmica, tornando-se professor na Universidade de Coimbra. Este papel permitiu-lhe influenciar gerações de estudantes, incluindo muitos que se tornaram importantes figuras literárias em Portugal.
Eugênio de Castro também seguiu uma carreira na diplomacia. Trabalhou no consulado português em Paris, onde teve a oportunidade de se conectar com a elite literária da França, o que permitiu que ele fosse influenciado e também influenciasse o movimento simbolista.
Faleceu em sua cidade natal em 17 de agosto de 1944, aos 75 anos.
Características de seu estilo literário:
• Utilização, em seus poemas, de sinestesias (figura de linguagem).
• Uso de vocabulário marcado pela musicalidade.
• Castro tinha uma profunda admiração pelas culturas clássicas da Grécia e de Roma, bem como uma fascinação pelas mitologias e tradições orientais. Isso se reflete em suas obras, nas quais ele muitas vezes incorpora elementos dessas culturas.
• Eugênio de Castro era conhecido pelo uso de rimas raras e novas (inéditas).
• Um sentimento de pessimismo e saudade permeia grande parte da obra de Castro. Seu trabalho é muitas vezes marcado pela presença de uma tristeza melancólica.
• Usava linguagem rica e evocativa. Ele frequentemente empregava descrições vívidas e imagens poéticas em seu trabalho, criando uma sensação de beleza e profundidade.
• Utilização de aliteração, figura de linguagem muito usada por poetas simbolistas.
• Obra caracterizada pela presença do exotismo. Ele se inclinou para ambientes e personagens estrangeiros em suas obras, trazendo um sentido de mistério e estranheza.
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| Eugênio de Castro: um dos grandes nomes da literatura portuguesa do século XX. |
Principais obras poéticas de Eugênio de Castro:
“Horas Tristes” (1888)
“Horas Tristes” pertence à fase inicial da produção de Eugênio de Castro. A obra revela um tom melancólico, sentimental e introspectivo, ainda próximo de certas características do Romantismo tardio. Nela aparecem temas como tristeza, solidão, sofrimento íntimo e inquietação espiritual. Embora ainda não apresente plenamente as inovações simbolistas que marcariam sua poesia posterior, o livro já demonstra a preocupação do autor com a musicalidade dos versos e com a expressão de emoções subjetivas.
“Oaristos” (1890)
“Oaristos” é considerada a obra mais importante de Eugênio de Castro e um marco do início do Simbolismo em Portugal. O título, de origem grega, pode ser associado à ideia de conversa íntima ou diálogo amoroso. Nesse livro, o poeta rompeu com formas poéticas mais tradicionais e valorizou a musicalidade, a sugestão, as imagens vagas e a combinação de sensações. A obra apresenta forte influência do Simbolismo francês, especialmente na busca por uma poesia mais sensorial, refinada e menos presa à descrição objetiva da realidade.
“Horas” (1891)
“Horas” deu continuidade às propostas estéticas apresentadas em “Oaristos”. A obra reforça a preocupação do poeta com o ritmo, a sonoridade e a construção de atmosferas poéticas. Seus poemas exploram estados de espírito, impressões subjetivas e imagens delicadas, muitas vezes associadas ao tempo, à memória, ao sonho e à melancolia. Trata-se de um livro importante para compreender a consolidação da linguagem simbolista de Eugênio de Castro.
“Sylva” (1894)
“Sylva” apresenta uma poesia marcada pela presença da natureza, mas não como simples paisagem descritiva. Em muitos poemas, os elementos naturais funcionam como símbolos de sentimentos, mistérios e estados interiores. A obra mantém o gosto simbolista pela sugestão e pela musicalidade, explorando imagens ligadas a bosques, sombras, sons e atmosferas vagas. O título remete à ideia de floresta ou conjunto de elementos naturais, reforçando a relação entre natureza e subjetividade poética.
“Salomé e outros poemas” (1896)
“Salomé e outros poemas” revela o interesse de Eugênio de Castro por temas bíblicos, históricos e lendários, tratados com forte carga estética e simbólica. A figura de Salomé aparece associada à sedução, ao desejo, ao mistério e à fatalidade. A obra aproxima-se de uma tendência comum ao Simbolismo europeu: o fascínio por personagens exóticas, ambientes refinados e temas ligados à sensualidade e à decadência. O livro também mostra o cuidado do poeta com a construção de imagens raras e de grande efeito visual.
“O rei Galaor” (1897)
“O rei Galaor” é uma obra de caráter narrativo e poético, ligada ao imaginário medieval e cavaleiresco. Nela, Eugênio de Castro explora temas como nobreza, heroísmo, idealização amorosa e busca espiritual. O texto demonstra o interesse do poeta por figuras lendárias e por ambientes distantes da realidade cotidiana. Essa escolha combina com a estética simbolista, que frequentemente buscava fugir do mundo comum para criar atmosferas de sonho, lenda e mistério.
“Saudades do Céu” (1899)
“Saudades do Céu” apresenta uma poesia voltada para a espiritualidade, a elevação moral e o desejo de transcendência. O título sugere uma nostalgia de algo superior, puro e distante da vida terrena. A obra explora sentimentos de inquietação, idealismo e busca por uma realidade mais elevada. Em vez de tratar apenas de temas religiosos de forma direta, o livro expressa uma sensibilidade espiritualizada, em que o céu aparece como símbolo de perfeição, harmonia e aspiração interior.
“Depois da ceifa” (1901)
“Depois da ceifa” traz imagens ligadas ao trabalho, ao tempo, ao ciclo da vida e à passagem das experiências humanas. A ceifa pode ser entendida como símbolo de colheita, fim de etapa, maturidade ou morte. A obra revela um Eugênio de Castro mais reflexivo, atento à ideia de encerramento e ao sentido das ações humanas diante do tempo. Seus poemas combinam lirismo, simbolismo e meditação sobre a existência.
“A sombra do quadrante” (1906)
“A sombra do quadrante” aprofunda a dimensão reflexiva da poesia de Eugênio de Castro. O quadrante, instrumento associado à medição do tempo e da posição dos astros, sugere temas como destino, passagem das horas, ordem cósmica e fragilidade humana. A obra evidencia a maturidade poética do autor, com versos marcados por imagens simbólicas e por uma atmosfera de meditação. Nela, a poesia deixa transparecer a preocupação com o tempo, a memória e o lugar do ser humano diante do universo.
“A mantilha de medronhos” (1923)
“A mantilha de medronhos” pertence a uma fase posterior da produção de Eugênio de Castro. A obra conserva o gosto pela elaboração formal e pelas imagens sugestivas, mas apresenta uma sensibilidade mais amadurecida. O título remete a elementos de cor, textura e tradição, criando uma atmosfera poética ligada à memória, à paisagem e à delicadeza visual. Nesse livro, percebe-se um poeta já consagrado, que retoma temas simbólicos e líricos com maior serenidade.
Importância de suas obras
As obras poéticas de Eugênio de Castro mostram a importância do autor para a renovação da poesia portuguesa no final do século XIX e início do século XX. Sua produção contribuiu para a afirmação do Simbolismo em Portugal, principalmente por valorizar a musicalidade, a sugestão, a liberdade formal e a construção de imagens poéticas complexas. Por esse motivo, Eugênio de Castro é lembrado como um dos escritores que ajudaram a aproximar a literatura portuguesa das experiências estéticas modernas de seu tempo.
Por Elaine Barbosa de Souza
Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).
Atualizado em 08/07/2026
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Eug%C3%A9nio_de_Castro
Vídeo indicado no YouTube:
Eugénio de Castro, um marco do Simbolismo em Portugal - RedeUCoimbra