O que é
A gasolina é um combustível líquido derivado principalmente do petróleo, formado por uma mistura de hidrocarbonetos leves e utilizado sobretudo em motores de combustão interna. Para ser produzida, o petróleo passa por processos de refino, como destilação, craqueamento e tratamento químico. No Brasil, a gasolina comercializada nos postos contém etanol anidro, cuja presença contribui para elevar a octanagem e reduzir o consumo de derivados de petróleo. Sua combustão libera energia para movimentar veículos, máquinas e equipamentos, mas também produz gases poluentes, como dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxidos de nitrogênio.
História do uso
Os componentes da gasolina já eram obtidos durante a destilação do petróleo no século XIX, mas inicialmente tinham pouca utilidade comercial. Naquele período, o principal produto procurado pelas refinarias era o querosene, empregado na iluminação pública e doméstica. As frações mais leves do petróleo, entre elas a gasolina, muitas vezes eram descartadas ou utilizadas como solventes e produtos de limpeza.
A importância da gasolina aumentou com o desenvolvimento dos motores de combustão interna. Em 1876, o engenheiro alemão Nikolaus Otto aperfeiçoou um motor de quatro tempos capaz de funcionar com combustíveis derivados do petróleo. Nas décadas seguintes, inventores como Karl Benz e Gottlieb Daimler aplicaram esse tipo de motor aos primeiros automóveis movidos a gasolina.
No início do século XX, a expansão da indústria automobilística transformou a gasolina em um dos combustíveis mais importantes do mundo. A produção em massa de automóveis, impulsionada pelo fordismo a partir da década de 1910, ampliou o número de veículos em circulação e estimulou a construção de refinarias, postos de abastecimento, estradas e sistemas de transporte baseados no petróleo.
Durante grande parte do século XX, a gasolina recebeu compostos de chumbo para melhorar o desempenho dos motores e evitar problemas de detonação. Posteriormente, estudos demonstraram que o chumbo provocava graves danos à saúde humana e ao meio ambiente. Por esse motivo, seu uso foi progressivamente eliminado em diversos países, principalmente a partir das últimas décadas do século XX.
No Brasil, o consumo de gasolina cresceu com a industrialização e com a expansão do transporte rodoviário, sobretudo a partir da década de 1950. A criação da Petrobras, em 1953, fortaleceu a exploração, o refino e a distribuição de combustíveis no país. Após as crises internacionais do petróleo de 1973 e 1979, o governo brasileiro incentivou o uso do etanol por meio do Programa Nacional do Álcool, criado em 1975, reduzindo parcialmente a dependência da gasolina.
No século XXI, a gasolina continua sendo amplamente utilizada, embora enfrente questionamentos relacionados à poluição atmosférica, ao aquecimento global e à dependência dos combustíveis fósseis. O crescimento dos veículos elétricos, híbridos e movidos a biocombustíveis indica uma transição gradual para formas de transporte com menores emissões de gases de efeito estufa.
Os principais tipos de gasolina são:
No Brasil, a gasolina pode ser classificada de acordo com sua composição, octanagem e presença de aditivos. Nos postos de combustíveis, os consumidores encontram principalmente gasolina comum, gasolina aditivada e gasolina premium.
• Gasolina comum: é o tipo mais utilizado nos automóveis brasileiros. A gasolina vendida ao consumidor é classificada como gasolina C comum, formada pela mistura da gasolina A, produzida nas refinarias ou importada, com etanol anidro. É indicada para veículos cujos motores não exigem combustível de alta octanagem.
• Gasolina aditivada: possui a mesma base e a mesma octanagem mínima da gasolina comum, mas recebe aditivos detergentes e dispersantes. Essas substâncias ajudam a evitar e remover depósitos de resíduos nos bicos injetores, nas válvulas e em outras partes do sistema de alimentação do motor. Seu principal diferencial, portanto, está na limpeza e na conservação do sistema, e não necessariamente no aumento da potência do veículo.
• Gasolina premium: apresenta octanagem superior à da gasolina comum, oferecendo maior resistência à detonação prematura dentro do motor. É recomendada principalmente para veículos de alto desempenho, esportivos, importados ou equipados com motores de elevada taxa de compressão. Em motores projetados para gasolina comum, seu uso geralmente não produz um aumento significativo de potência ou economia.
• Gasolina premium aditivada: combina a maior octanagem da gasolina premium com aditivos detergentes e dispersantes. Dessa forma, atende motores que necessitam de combustível de alta octanagem e, ao mesmo tempo, auxilia na limpeza do sistema de alimentação. Algumas distribuidoras comercializam esse combustível com nomes próprios.
Classificação segundo a composição:
• Gasolina A: é o combustível produzido nas refinarias, centrais petroquímicas ou formuladores e também pode ser importado. Não contém etanol anidro e não é normalmente vendido diretamente ao consumidor nos postos. Existem as versões gasolina A comum e gasolina A premium. ([Serviços e Informações do Brasil][1])
• Gasolina C: é obtida pela mistura da gasolina A com etanol anidro, nas proporções determinadas pela legislação brasileira. Essa é a gasolina efetivamente comercializada nos postos e utilizada nos veículos. Pode ser comum, comum aditivada, premium ou premium aditivada. ([Serviços e Informações do Brasil][1])
Características da gasolina automotiva:
A gasolina automotiva, comumente usada como combustível em motores de combustão interna, apresenta várias características químicas e físicas:
1. Características Químicas:
Composição de Hidrocarbonetos: a gasolina é principalmente uma mistura de hidrocarbonetos, incluindo alcanos (parafinas), cicloalcanos (naftenos) e aromáticos. A composição exata varia dependendo da fonte e do processo de refino.
Aditivos: vários aditivos são misturados à gasolina para melhorar o desempenho, reduzir o desgaste do motor e controlar as emissões. Estes incluem antioxidantes, detergentes, inibidores de corrosão e oxigenados como etanol.
Classificação de Octano: a classificação de octano (como 87, 91, 93) indica a resistência do combustível ao 'batimento' ou 'detonação' durante a combustão, causada pela ignição prematura da mistura ar-combustível. Combustíveis de maior octanagem podem suportar maior compressão antes de inflamar.
Volatilidade: a gasolina é volátil, ou seja, vaporiza facilmente em temperaturas ambiente. Essa característica é crucial para a ignição e combustão eficientes do combustível nos motores.
2. Características Físicas:
Estado e Aparência: a gasolina é um líquido à temperatura ambiente e tem um cheiro característico de petróleo. Geralmente é clara ou ligeiramente amarelada.
Densidade: a densidade da gasolina é menor que a da água, tipicamente em torno de 0,71-0,77 kg/L a 15 °C. Isso varia ligeiramente dependendo da composição e da temperatura.
Ponto de Ebulição: a gasolina tem uma faixa de ebulição, em vez de um ponto fixo de ebulição, tipicamente entre 30 °C e 200 °C. Esta faixa se deve à mistura de diferentes hidrocarbonetos, cada um com seu próprio ponto de ebulição.
Viscosidade: a gasolina tem baixa viscosidade, o que significa que é bastante fluida e não muito espessa. Isso é importante para a facilidade de bombeamento e mistura com o ar nos motores de carros.
Ponto de Fulgor: o ponto de fulgor da gasolina é muito baixo, geralmente em torno de -40 °C a -43 °C, indicando que pode facilmente inflamar em temperaturas ambiente.
Solubilidade: ela é insolúvel em água, mas solúvel em solventes orgânicos. Sua natureza hidrofóbica afeta como ela interage com os componentes do motor e fatores ambientais.
Conteúdo Energético: a gasolina tem um alto conteúdo energético, com uma densidade energética média de cerca de 34,2 MJ/L.
Expansão Térmica: como a maioria dos líquidos, a gasolina se expande quando aquecida e se contrai quando resfriada. Isso é um fator-chave no armazenamento e manuseio.
A gasolina de aviação
A gasolina de aviação, conhecida pela sigla AVGAS, é um combustível desenvolvido para motores aeronáuticos de combustão interna com ignição por centelha, semelhantes aos motores a gasolina dos automóveis. É utilizada principalmente em aviões de pequeno porte, aeronaves de treinamento, modelos agrícolas e alguns helicópteros. Sua composição é controlada para oferecer elevada octanagem, boa estabilidade química e funcionamento seguro em diferentes altitudes e condições de temperatura.
Esse combustível não deve ser confundido com o querosene de aviação, empregado em aeronaves com motores a jato e turboélices. Um dos tipos mais conhecidos é a AVGAS 100LL, cuja sigla indica alta capacidade antidetonante e menor teor de chumbo em comparação com versões mais antigas. Mesmo assim, ela ainda contém chumbo, substância utilizada para evitar a detonação prematura do combustível no motor, mas que provoca impactos ambientais e riscos à saúde.
Você sabia?
A principal produtora de gasolina do Brasil é a Petrobras.
No Brasil, o etanol anidro é misturado à gasolina automotiva.
No Brasil, a fiscalização da qualidade da gasolina é de responsabilidade da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
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| Infográfico didático sobre a gasolina |
Saiba mais:
Obtenha mais dados e informações sobre a gasolina automotiva no website da Petrobras.
Revisado por Luiz Antônio Machado (graduado em Física pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – IFSP)
Atualizado em 22/07/2026
Fontes:
https://en.wikipedia.org/wiki/Gasoline
SILVA, Eduardo Roberto. Álcool e Gasolina - combustíveis do Brasil. São Paulo: Scipione,
Vídeo indicado no YouTube: