Frevo


 

O que é

 

O frevo é um gênero musical e uma dança popular brasileira originários de Pernambuco, especialmente das cidades de Recife e Olinda, entre o final do século XIX e o início do século XX. Ligado ao carnaval de rua, caracteriza-se pelo ritmo acelerado, pela forte presença de instrumentos de sopro e percussão e por uma dança marcada por saltos, agachamentos, giros e movimentos acrobáticos, geralmente realizados com uma pequena sombrinha colorida.


Origem e história do frevo



Origem

O frevo é uma manifestação cultural brasileira surgida em Pernambuco, especialmente nas cidades de Recife e Olinda, entre o final do século XIX e o início do século XX. Seu desenvolvimento esteve ligado ao carnaval de rua e às transformações sociais ocorridas após a abolição da escravidão, em 1888, e a Proclamação da República, em 1889. Nesse ambiente urbano, bandas militares, agremiações carnavalescas, trabalhadores, artesãos e integrantes das camadas populares passaram a ocupar as ruas durante as festas de carnaval.

Do ponto de vista musical, o frevo recebeu forte influência das marchas militares, das polcas, dos dobrados, das quadrilhas e de outros gêneros bastante difundidos no Brasil oitocentista. As bandas que acompanhavam os clubes carnavalescos executavam músicas cada vez mais rápidas e intensas, criando uma sonoridade própria. Instrumentos de sopro, como trompetes, trombones, tubas, clarinetes e saxofones, passaram a desempenhar papel central nessa formação musical.

A própria palavra "frevo" surgiu da maneira popular de pronunciar o verbo "ferver". A expressão fazia referência à agitação das multidões durante o carnaval, quando as ruas pareciam "ferver" com a movimentação dos foliões. Um dos primeiros registros conhecidos do termo apareceu no jornal "Pequeno", de Recife, em 9 de fevereiro de 1907, data posteriormente escolhida para celebrar o Dia do Frevo em Pernambuco.


O surgimento do passo

A dança característica do frevo, conhecida como passo, desenvolveu-se paralelamente à música. Nas últimas décadas do século XIX, era comum que capoeiristas acompanhassem bandas e clubes carnavalescos pelas ruas do Recife. Alguns utilizavam seus movimentos corporais para abrir caminho entre as multidões ou para proteger as agremiações durante disputas e confrontos entre grupos rivais.

Com a repressão policial à capoeira, muitos desses movimentos passaram por adaptações. Golpes, esquivas, saltos e movimentos acrobáticos foram incorporados à dança, perdendo progressivamente seu caráter de combate. Dessa combinação surgiu uma coreografia marcada pela rapidez, pelo equilíbrio, pela flexibilidade e pela improvisação.

Ao longo do século XX, o passo tornou-se cada vez mais elaborado. Foram desenvolvidos numerosos movimentos tradicionais, como tesoura, dobradiça, ferrolho, parafuso e locomotiva. Embora exista um repertório reconhecido de passos, a improvisação continua sendo uma característica fundamental do frevo.



O frevo no início do século XX

Nas primeiras décadas do século XX, o frevo consolidou-se como uma das principais expressões do carnaval pernambucano. Clubes carnavalescos percorriam as ruas acompanhados por grandes orquestras, enquanto multidões seguiam os músicos executando passos improvisados.

Recife tornou-se o principal centro de desenvolvimento musical do gênero, enquanto Olinda adquiriu enorme importância na preservação e popularização do frevo de rua. Com o crescimento das festas carnavalescas, compositores, maestros e instrumentistas passaram a aperfeiçoar sua estrutura musical.

Foi também nesse período que o gênero deixou de ser apenas uma música associada aos desfiles de rua e começou a conquistar novos espaços. Partituras foram publicadas, composições passaram a circular por diferentes cidades e as apresentações ganharam maior organização.


A sombrinha de frevo

Um dos símbolos mais conhecidos do frevo é a pequena sombrinha colorida utilizada pelos passistas. Sua origem também está relacionada à presença dos capoeiristas nos antigos cortejos carnavalescos, que podiam carregar bengalas, guarda-chuvas e outros objetos durante suas apresentações e confrontos.

Com a transformação do passo em dança carnavalesca, o guarda-chuva perdeu sua função defensiva e passou a ser utilizado como elemento coreográfico. Progressivamente, seu tamanho foi reduzido, enquanto as cores se tornaram mais vivas.

Atualmente, a sombrinha auxilia na composição dos movimentos, contribui para o equilíbrio de alguns passos e funciona como um dos principais elementos visuais de identificação do frevo.



Expansão e popularização

A partir das décadas de 1930 e 1940, o desenvolvimento do rádio e da indústria fonográfica ajudou a difundir o frevo para outras regiões brasileiras. Compositores pernambucanos tiveram suas obras gravadas, e determinadas músicas passaram a integrar o repertório carnavalesco nacional.

Entre os nomes importantes para essa expansão estiveram Nelson Ferreira e Capiba, compositores que produziram numerosos frevos e ajudaram a consolidar musicalmente o gênero. Suas composições fizeram parte de uma fase em que o frevo ganhou maior presença nos meios de comunicação.

Durante o século XX, artistas de diferentes estilos também incorporaram elementos do frevo em suas obras. O gênero estabeleceu diálogos com a música popular brasileira sem perder sua forte ligação histórica com o carnaval pernambucano.



Reconhecimento como patrimônio cultural

O reconhecimento institucional do frevo aumentou no início do século XXI. Em 2007, ano do centenário do primeiro registro conhecido da palavra "frevo", o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconheceu a manifestação como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Em 2012, o frevo recebeu reconhecimento internacional ao ser inscrito pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A decisão destacou não apenas a música, mas também a dança, os conhecimentos transmitidos entre gerações, as agremiações carnavalescas e as práticas sociais relacionadas ao gênero.

Esses reconhecimentos contribuíram para ampliar as iniciativas destinadas à pesquisa, preservação e transmissão do frevo. Escolas de dança, oficinas, grupos musicais e instituições culturais passaram a exercer papel importante na manutenção dessa tradição.



O frevo na atualidade

Atualmente, o frevo permanece como uma das manifestações mais representativas do carnaval de Pernambuco. Em Recife e Olinda, grandes orquestras, blocos, clubes carnavalescos e passistas continuam levando o gênero às ruas, sobretudo durante o período carnavalesco.

Sua presença, contudo, não se limita ao carnaval. O frevo é estudado em escolas de música e dança, apresentado em festivais e utilizado em projetos culturais destinados à preservação da cultura pernambucana. Novos compositores e instrumentistas também continuam desenvolvendo o gênero, combinando elementos tradicionais com outras tendências musicais.

Mais de um século depois de sua consolidação, o frevo mantém características construídas historicamente nas ruas pernambucanas: ritmo acelerado, forte presença dos metais, dança acrobática, improvisação e intensa participação coletiva. Sua trajetória revela como práticas populares urbanas podem se transformar, ao longo do tempo, em importantes referências da cultura brasileira.

 

As principais características do frevo são:

 


• O frevo pode ser instrumental ou cantado. Em muitas apresentações, especialmente no frevo de rua, predomina a execução instrumental, enquanto outras modalidades incorporam letras e interpretação vocal.



• A sonoridade é marcada pela forte presença de instrumentos de sopro, como trompetes, trombones, saxofones, clarinetes e tubas, acompanhados por instrumentos de percussão. Essa combinação produz um ritmo intenso, acelerado e vibrante.



• Existem diferentes modalidades de frevo, entre elas o frevo de rua, o frevo-canção e o frevo de bloco. Cada uma apresenta características próprias de ritmo, formação instrumental e forma de apresentação.



• A dança apresenta movimentos rápidos, enérgicos e muitas vezes acrobáticos. Saltos, agachamentos, giros, movimentos de pernas e mudanças repentinas de posição fazem parte da coreografia tradicional.



• A sombrinha pequena e colorida é um dos principais símbolos do frevo. Utilizada pelos passistas durante a dança, ela acompanha os movimentos e também auxilia no equilíbrio durante determinados passos.



• Os trajes dos dançarinos costumam apresentar cores vivas e tecidos leves, permitindo ampla liberdade de movimento. O aspecto visual reforça o caráter festivo das apresentações carnavalescas.



• A improvisação é uma característica importante da dança. Embora existam passos tradicionais conhecidos, o passista pode combiná-los e criar novas sequências de acordo com o ritmo da música e sua habilidade corporal.



• O ritmo geralmente apresenta andamento acelerado e forte intensidade musical, criando uma sensação de movimento contínuo. Essa característica está diretamente ligada à origem do próprio nome "frevo", associado à ideia de "ferver" e à agitação das multidões durante o carnaval.

 

Desenho colorido mostrando um homem dançando com uma sombrinha colorida

Frevo: dança, cores e alegria.




Tipos de frevo:

 

Existem três tipos de frevos, cada qual com suas características particulares. São eles:

 

1. Frevo de rua: possui ritmo rápido (acelerado). A música é apenas tocada por instrumentos, pois não possuem letras.

 

2. Frevo de bloco: letras saudosistas, que falam de antigos carnavais. A orquestra é formada por instrumentos como, por exemplo, cavaquinhos, flautas, violões e bandolins.

 

3. Frevo-canção: músicas seguem temáticas atuais sendo acompanhadas por orquestra.

 

 

Você sabia?

 

É comemorado em 14 de setembro o Dia do Frevo.

 

 

Mulheres dançando frevo de rua em Recife

Mulheres dançando frevo de rua em Recife: linda festa popular carnavalesca do Nordeste brasileiro.

 

 


 

Resumo

 

O que é

- Dança com muito movimento, surgida entre o final do século XIX e início do XX.
- Caracterizada pelo uso de pequenos guarda-chuvas coloridos pelos dançarinos.


Origem


- Surgiu em Pernambuco entre 1910 e 1911 como ritmo carnavalesco animado.
- Influenciado por marchas militares, bandas de rua, maxixe e capoeira.
- O nome frevo deriva de "ferver", remetendo à agitação dos movimentos.


Principais características:

- Pode ser apenas tocado ou também cantado.
- Marcado pelo uso predominante de instrumentos de sopro, como trombones e trompetes.
- Apresenta uma forma mais lenta chamada frevo-canção.
- Dança rápida, com movimentos intensos de pernas.
- Uso icônico de sombrinhas pequenas e coloridas.
- Trajes coloridos e confortáveis que facilitam os movimentos.


Tipos de frevo:

- Frevo de rua: ritmo acelerado, música instrumental sem letras.
- Frevo de bloco: letras nostálgicas sobre antigos carnavais, acompanhadas por cavaquinhos, flautas, violões e bandolins.
- Frevo-canção: músicas com temáticas atuais, acompanhadas por orquestras.


Curiosidades

- O Dia do Frevo é comemorado em 14 de setembro.
- Declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2012.

 

 



Revisado por Jefferson Evandro M. Ramos (graduado em História pela Universidade de São Paulo).
Atualizado em 24/08/2026




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Bibliografia e vídeos indicados:

 

Fonte:

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Frevo

 

Vídeo indicado no YouTube:


História do Frevo - Canal Arte Lívia Chagas


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