Quem foi
Cecília Meireles foi uma poeta, escritora, jornalista, professora e educadora brasileira. Considerada uma das principais autoras da Literatura Brasileira do século XX, destacou-se sobretudo pela produção poética, caracterizada pela musicalidade, pelo lirismo e pela reflexão sobre o tempo, a morte, a memória, a solidão e a condição humana. Também escreveu crônicas, contos, peças de teatro e obras infantis, além de participar de debates sobre Educação e cultura. Entre seus livros mais conhecidos estão “Viagem”, “Romanceiro da Inconfidência” e “Ou Isto ou Aquilo”.
Biografia
Nasceu no dia 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro e seu nome completo era Cecília Benevides de Carvalho Meireles. Seu pai se chamava Carlos Alberto de Carvalho Meireles e trabalhava no Banco do Brasil. Sua mãe era a professora do ensino fundamental e se chamava Mathilde Benevides Meireles.
Sua infância foi marcada pela dor e solidão, pois perdeu a mãe com apenas três anos e o pai não chegou a conhecer (morreu antes de seu nascimento). Foi criada pela avó Dona Jacinta. Por volta dos nove anos, Cecília começou a escrever suas primeiras poesias.
Formou-se professora (cursou a Escola Normal) e com apenas 18 anos, no ano de 1919, publicou seu primeiro livro “Espectro” (vários poemas de caráter simbolista). Embora fosse o auge do Modernismo, a jovem poetisa foi fortemente influenciada pelo movimento literário simbolista.
No ano de 1922, Cecília casou-se com o pintor Fernando Correia Dias. Com ele, a escritora teve três filhas.
Sua formação como professora e interesse pela educação levou-a a fundar a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro no ano de 1934. Escreveu várias obras na área de literatura infantil como, por exemplo, “O cavalinho branco”, “Colar de Carolina”, “Sonhos de menina”, “O menino azul”, entre outros. Estes poemas infantis são marcados pela musicalidade (uma das principais características de sua poesia).
O marido suicidou-se em 1936, após vários anos de sofrimento por depressão. O novo casamento de Cecília aconteceu somente em 1940, quando conheceu o engenheiro-agrônomo Heitor Vinícius da Silveira.
No ano de 1939, Cecília publicou o livro Viagem. A beleza das poesias trouxe-lhe um grande reconhecimento dos leitores e também dos acadêmicos da área de literatura. Com este livro, ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.
Cecília faleceu em sua cidade natal, aos 63 anos, no dia 9 de novembro de 1964.
Principais características de suas obras e do seu estilo literário:
• Cecília Meireles escreveu poesias, prosas, contos, crônicas e textos para o teatro. Porém, foi no campo da poesia que mais se destacou.
• Sua obra apresenta também, na primeira fase, características do simbolismo (movimento artístico e literário do final do século XIX e início do XX).
• Embora modernista, trabalhou com aspectos clássicos da poesia como, por exemplo, as rimas.
• Poesia social na segunda fase de sua produção literária, principalmente a partir da obra Romanceiro da Inconfidência.
• Na terceira fase, ela trabalha com questões ligadas ao processo de envelhecimento humano e a passagem do tempo. É uma fase mais intimista da autora.
• Presença constante de temas existenciais, como a morte, a solidão, a memória, o silêncio e a transitoriedade da vida humana.
• Uso de linguagem delicada, subjetiva e musical, marcada por ritmo, repetições, aliterações e escolha cuidadosa das palavras.
• Forte presença de elementos da natureza, como o mar, o vento, a noite e as flores, utilizados de maneira simbólica para expressar sentimentos e reflexões.
Principais obras:
“Espectros” (1919)
Primeiro livro publicado por Cecília Meireles, “Espectros” reúne sonetos de inspiração simbolista, marcados por uma atmosfera espiritual, misteriosa e melancólica. A obra apresenta figuras históricas e literárias, como Cleópatra, Nero e Joana d’Arc, revelando o interesse inicial da autora pela morte, pelo passado e pela dimensão transcendente da existência.
“Nunca Mais... e Poema dos Poemas” (1923)
Nesta obra, a autora aprofundou temas relacionados à solidão, à espiritualidade, à passagem do tempo e à impossibilidade de permanência. Os poemas apresentam musicalidade, linguagem delicada e influência do Simbolismo, embora já demonstrem características pessoais que seriam desenvolvidas ao longo de sua trajetória literária.
“Baladas para El-Rei” (1925)
O livro reúne poemas construídos com ritmo musical e referências a reis, castelos, cavaleiros e ambientes antigos. Cecília Meireles utiliza elementos medievais e simbólicos para refletir sobre a distância, a ausência, a memória e os desejos que não podem ser realizados.
“Viagem” (1939)
Considerada uma das obras mais importantes da autora, “Viagem” marcou seu reconhecimento no cenário literário brasileiro e recebeu o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras. Os poemas abordam a transitoriedade da vida, a solidão, o sonho, a morte e a busca por um sentido para a existência. A linguagem combina simplicidade, musicalidade e profundo lirismo.
“Vaga Música” (1942)
O título sugere uma música indefinida, distante e passageira, semelhante à própria experiência humana. Os poemas refletem sobre o tempo, a memória, o silêncio, a ausência e a fragilidade das coisas. A musicalidade dos versos constitui um dos aspectos centrais da obra.
“Mar Absoluto e Outros Poemas” (1945)
Nesta coletânea, o mar aparece como símbolo da eternidade, da liberdade, da instabilidade e do mistério. A autora estabelece relações entre o movimento das águas e as transformações da vida humana. O livro também apresenta reflexões sobre a morte, a perda e a permanência da memória.
“Retrato Natural” (1949)
A obra reúne poemas que observam elementos da natureza, objetos cotidianos e experiências pessoais. Essas imagens servem como ponto de partida para reflexões sobre a passagem do tempo e a condição humana. O livro demonstra a capacidade da autora de encontrar significados profundos em situações aparentemente simples.
“Romanceiro da Inconfidência” (1953)
Uma das obras mais conhecidas de Cecília Meireles, “Romanceiro da Inconfidência” apresenta poeticamente os acontecimentos relacionados à Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789. A autora reconstrói personagens, conflitos e ambientes do período colonial, destacando figuras como Tiradentes, Tomás Antônio Gonzaga e Marília de Dirceu. O livro combina pesquisa histórica, criação literária e reflexão sobre liberdade, injustiça, poder e memória.
“Poemas Escritos na Índia” (1953)
Produzidos a partir da viagem da autora à Índia, esses poemas revelam seu contato com a cultura, a religiosidade e as paisagens indianas. A obra aborda a espiritualidade, o silêncio, a pobreza, a morte e a busca pelo conhecimento interior, aproximando a poesia de Cecília Meireles das tradições filosóficas orientais.
“Pequeno Oratório de Santa Clara” (1955)
Este poema de caráter religioso apresenta a vida de Santa Clara de Assis por meio de uma linguagem lírica e contemplativa. Cecília Meireles destaca valores como humildade, renúncia, fé e dedicação espiritual, construindo uma obra marcada por forte musicalidade.
“Canções” (1956)
A coletânea apresenta poemas curtos e musicais, próximos da estrutura das cantigas populares. Os textos abordam sentimentos como amor, saudade, perda e esperança, demonstrando a habilidade da escritora em unir profundidade temática e aparente simplicidade formal.
“Metal Rosicler” (1960)
Os poemas desta obra retomam temas recorrentes na produção de Cecília Meireles, como o tempo, a transformação, a morte e a busca pelo absoluto. O título faz referência a um mineral de tonalidade avermelhada, utilizado simbolicamente para representar beleza, resistência e mudança.
“Solombra” (1963)
Publicada pouco antes da morte da autora, “Solombra” é uma de suas obras mais densas e reflexivas. O próprio título resulta da aproximação entre as palavras sol e sombra, sugerindo a convivência entre luz e escuridão, presença e ausência, vida e morte. Os poemas apresentam linguagem filosófica e meditativa, voltada para o mistério da existência.
“Ou Isto ou Aquilo” (1964)
Destinada principalmente ao público infantil, a obra reúne poemas que exploram jogos de palavras, escolhas, brincadeiras e situações do cotidiano. Cecília Meireles utiliza ritmo, rimas e repetições para aproximar as crianças da poesia, sem abandonar a sensibilidade e a qualidade literária. É uma das obras mais importantes da Literatura Infantil brasileira.
Você sabia?
Além de escritora, Cecília Meireles foi também professora, pintora e jornalista.
Sua religião era a católica.
Ela foi casada por duas vezes. Seu primeiro marido foi o artista plástico Fernando Correia Dias. O segundo foi Heitor Grillo.
Cecília teve três filhas: Maria Elvira Meireles, Maria Matilde Meireles e Maria Fernanda.
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Cecília Meireles: uma das principais escritoras da Literatura Brasileira. |
Importância para a Literatura Brasileira
Cecília Meireles ocupa uma posição importante na Literatura Brasileira por ter desenvolvido uma poesia marcada pela musicalidade, pela delicadeza da linguagem e pela reflexão sobre temas universais, como o tempo, a morte, a solidão, a memória e a transitoriedade da vida. Embora tenha se aproximado do Modernismo, sua produção manteve forte diálogo com o Simbolismo e apresentou características próprias, sem se limitar aos principais grupos literários de sua época. A autora também contribuiu para a valorização da poesia infantil, especialmente com “Ou Isto ou Aquilo”, e renovou a relação entre Literatura e História em “Romanceiro da Inconfidência”. Sua obra ampliou as possibilidades expressivas da poesia brasileira e exerceu influência duradoura sobre escritores, professores e leitores.
Exemplo de um trecho da obra de Cecília Meireles
Cenário (poema faz parte da obra "Romanceiro da Inconfidência)
Passei por essas plácidas colinas
e vi das nuvens, silencioso, o gado
pascer nas solidões esmeraldinas.
Largos rios de corpo sossegado
dormiam sobre a tarde, imensamente,
- e eram sonhos sem fim, de cada lado.
Entre nuvens, colinas e torrente,
uma angústia de amor estremecia
a deserta amplidão na minha frente.
Que vento, que cavalo, que bravia
saudade me arrastava a esse deserto,
me obrigava a adorar o que sofria?
Passei por entre as grotas negras, perto
dos arroios fanados, do cascalho
cujo ouro já foi todo descoberto.
As mesmas salas deram-me agasalho
onde a face brilhou de homens antigos,
iluminada por aflito orvalho.
De coração votado a iguais perigos
vivendo as mesmas dores e esperanças,
a voz ouvi de amigos e inimigos
Vencendo o tempo, fértil em mudanças,
conversei com doçura as mesmas fontes,
e vi serem comuns nossas lembranças.
Por Elaine Barbosa de Souza
Graduada em Letras (Português e Inglês) pela FMU (2002).
Atualizado em 22/07/2026
Fontes:
Cecília Meireles - Obra Poética (em pdf)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles
Vídeo indicado no YouTube:
CECÍLIA MEIRELES | Resumo de Literatura para o Enem - Curso Enem Gratuito